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A cooperativa Lar, com sede em Medianeira, no Oeste do Estado, cresceu 9,7% em 2010, em relação ao exercício anterior. O faturamento líquido chegou a R$ 1,566 bilhão no ano passado - resultado 3,5% superior ao estimado inicialmente. De acordo com a diretoria, 2010 foi o melhor ano para a cooperativa, que finalizou a implementação de diversos projetos destinados a viabilizar os associados por meio da diversificação das atividades e agregação de valor à produção. Os resultados obtidos pela Lar no ano passado foram apresentados na Assembleia Geral Ordinária (AGO), realizada dia 28 de janeiro, com a presença dos cooperados e também do presidente do Sistema Ocepar, João Paulo Koslovski.
Investimentos - A cooperativa está concluindo diversas obras iniciadas no ano passado, como a duplicação da Unidade Industrial de Aves, a ampliação das unidades Produtora de Pintainhos, Industrial de Rações e Industrial de Mandioca. Por outro lado, concluiu a implantação das unidades Produtora de Leitões, Produtora de Sêmen Suíno, de Recria de Novilhas e Tecnológica, além da serraria na Unidade de Tratamento de Madeira. Novas lojas da Lar foram inauguradas em Medianeira, completando os investimento na rede existente. Recursos foram aplicados ainda na geração e distribuição de energia; reflorestamento de eucalipto; informática; aluguéis de armazéns e melhoria nos processos, com destaque para a certificação ISO 9001 nas Unidades de Produção de Leitões de Serranópolis do Iguaçu e produção de sêmen de Matelândia. Na área de formação profissional e promoção social foram realizados, com apoio do Sescoop/PR, 194 eventos com 6206 participantes, entre cooperados e seus familiares, e outros 200 eventos destinados aos funcionários, envolvendo 4700 participantes.
2011- Após implantar e ampliar importantes projetos em 2010, a Lar pretende operar em capacidade máxima em 2011. Na avicultura, os planos são duplicar a capacidade de abate até o final do ano para atingir 285 mil unidades; na suinocultura, produzir 11 mil matrizes por meio das duas Unidades de Produção de Leitões (UPLs) e iniciar a produção própria de amido de milho. Também, ampliar a recepção de grãos com a implantação de armazém graneleiro para 50 mil toneladas e secador para 200 toneladas em São Miguel do Iguaçu. Construir um silo para 10 mil toneladas e secador de 200 toneladas/hora em Serranópolis do Iguaçu e um secador para processar 200 toneladas/hora em Missal. Outra meta da cooperativa para o ano é definir projeto e iniciar implantação de uma unidade industrial de rações em São Miguel do Iguaçu; estudar a implantação de supermercados em Matelândia e em Foz do Iguaçu; implantar padrões de processos baseados na norma ISO 9001 na unidade de atendimento ao associado de Medianeira; continuar a investir em recursos humanos nos quadros de funcionários e associados; contratar uma instituição acadêmica para melhorar a gestão da cooperativa e dar continuidade às ações de irrigação, articulando com prefeituras e outros órgãos públicos.
Aconteceu nesta segunda-feira (31/01), na sede da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), em Brasília (DF), uma das reuniões previstas do Conselho do Observatório do Cooperativismo. O objetivo principal deste encontro foi a elaboração de uma diretriz nacional para pesquisa, ensino e extensão em cooperativismo no Brasil, sob a coordenação da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
Participação - A reunião foi coordenada pelo presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas, e contou com a participação de: Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas; Luís Tadeu Prudente Santos, superintendente do Sescoop; Renato Nobile, superintendente da OCB; Vergilio Perius, presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS; José Roberto Ricken, superintendente do Sistema Ocepar-Sescoop/PR; Sigismundo Bialoskorski Neto, diretor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP/USP); Davi Moura, professor da FEARP/USP e Andrea Sayar, gerente de Apoio ao Desenvolvimento em Gestão do Sescoop.
Ameaças - Roberto Rodrigues falou sobre a importância de se discutir esse tema, uma vez que atualmente existe uma série de ameaças às cooperativas em decorrência da concentração empresarial, resultante da globalização da economia. "Cada vez mais é preciso despertar, estimular e impulsionar esta questão do pertencimento - do cooperado que pertence à cooperativa, que pertence ao cooperado. Essa relação bilateral só existe no cooperativismo. O cooperado é dono e usuário da cooperativa, além de ser investidor. Esse sentimento precisa ser muito fortemente analisado, investigado, pesquisado, estudado, porque, do crescimento do pertencimento, depende o crescimento do cooperativismo", declarou Rodrigues.
Rede - De acordo com a gerente Andrea Sayar, "os temas discutidos na reunião serão canalizados para a Rede Brasileira de pesquisadores em Cooperativismo (RBPC)". O presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas, acrescentou que "essas discussões visam colocar em prática tanto as diretrizes estabelecidas no XIII Congresso Brasileiro do Cooperativismo, realizado em 2010, quanto às dos planejamentos estratégicos da OCB e do Sescoop." (Informe OCB)
Confira mais detalhes na entrevista de Roberto Rodrigues à RádioCoop.
Os dois principais órgãos públicos da agricultura do Paraná prometem intensificar suas atividades neste novo governo. Os presidentes do Instituto Emater e do Instituto Agronômico do Paraná, o Iapar, afirmam contar com orçamentos limitados, mas dizem que conseguirão colocar os planos de governo de Beto Richa (PSDB) em prática. Buscam apoio em outras estruturas: prefeituras, universidades, instituições de pesquisa e governo federal.
Emater - A Emater precisa das prefeituras para manter atuação em 395 dos 399 municípios do Paraná e conseguir ajudar essas regiões a enfrentarem problemas como a migração de famílias do campo para os centros urbanos, defende Rubens Niederheitmann, de volta ao comando da instituição, que exerceu pela primeira vez entre 1999 e 2000 durante o governo de Jaime Lerner.
Iapar - O Iapar tem de reforçar a interação com redes de pesquisas para que seus trabalhos sejam úteis ao campo, num ambiente em que o acesso às tecnologias determina a competitividade da agropecuária, afirma Florindo Dalberto, novo presidente do instituto, que também está retornando ao posto deixado no início do governo de Roberto Requião (PMDB).
Pessoal - Um dos principais problemas para Emater e Iapar é a falta de pessoal. Para que todos os cargos sejam ocupados, o estado teria de contratar mais 700 pessoas, o que, segundo os novos presidentes, deve ocorrer aos poucos ao longo dos próximos quatro anos. No caso do Iapar, a questão é contornada com estagiários e pesquisadores que se associam ao instituto durante projetos de pós-graduação.
Responsabilidades - As responsabilidades que pesam sobre os dois órgãos são consideradas cruciais para o desenvolvimento do Paraná. A condição de estado mais pobre do Sul está relacionada à falta de alternativas de renda estruturadas que mantenham a população em cidades menores, defende Niederheitmann. Para Dalberto, um dos fundadores do Iapar, a função básica da instituição é garantir o desenvolvimento da agricultura familiar, um mercado "que nem sempre interessa às instituições privadas" de pesquisa e produção de insumos. Veja ao lado os principais trechos das entrevistas concedidas por ambos ao Caminhos do Campo após suas posses.
Emater: Assistência e extensão - 1,3 mil funcionários, com déficit de aproximadamente 300; R$ 100 milhões no orçamento deste ano, mais os investimentos de prefeituras e do governo federal; sede em Curitiba e atuação com escritórios em 395 dos 399 municípios.
Iapar: Pesquisa e tecnologia - 1,2 mil funcionários, com déficit de aproximadamente 500; R$ 110 milhões em orçamento e parcerias com outras instituições de pesquisa. Conta com 119 pesquisadores; sede em Londrina, dois polos regionais (Curitiba e Ponta Grossa) e 19 estações experimentais. (Caminhos do Campo / Gazeta do Povo)
Abaixo, a entrevista por Rubens Niederheitmann, novo presidente da Emater, à Gazeta do Povo:
Qual o quadro funcional da Emater e quantos funcionários seriam necessários?
Trabalhamos com 1.309 funcionários, mas nosso quadro é de 1.600. É o quadro mínimo que foi aprovado pela última legislação para que a gente pudesse desenvolver todas nossas ações. A Emater está em todo o Paraná, em 395 dos 399 municípios. Tem lugar que tem um ou dois funcionários. De 2002 para cá, o quadro é praticamente o mesmo.
Qual seu objetivo, chegar aos 1.600?
Nossa proposta é trabalhar com o governo do estado e chegar, não de hoje para amanhã, mas dentro de quatro anos, próximo de 1,6 mil funcionários contratados por tempo indeterminado. Funcionários efetivos. Precisamos de gente que venha e incorpore, que fique na instituição. Na Emater, leva-se de três a quatro anos para um funcionário estar preparado para ser um bom chefe regional.
Em termos de projetos, o que vocês devem lançar?
Temos três desafios principais. O papel da Emater é extensão rural, vai além da assistência técnica. E o Paraná está tendo um desenvolvimento heterogêneo e concentrado. Os grandes centros estão inchando, as pessoas vêm das cidades pequenas, com menos de 20 mil habitantes, buscando novas oportunidades nas cidades, mas acabam indo morar na periferia, nas favelas, porque não há condições. Em contrapartida, as cidades de onde elas saíram se esvaziam de pessoas ativas economicamente. Isso acontece porque lá não tem oportunidades. Como a Emater está em todos os municípios, nosso primeiro grande desafio é discutir oportunidades para as pessoas ficarem nas cidades onde estão. Vamos aperfeiçoar as cadeias produtivas que já existem: leite, carne, grãos. E fomentar opções como fruticultura, olericultura, floricultura, aquicultura e outras opções.
Quais os outros desafios?
Nossa segunda grande ação vai se dar no âmbito dos territórios (os programas do governo federal focam quatro territórios no Paraná: Cantuquiriguaçu, Norte Pioneiro, Paraná Centro e Vale do Ribeira). As prioridades serão o Norte Pioneiro e o território de Cantuquiriguaçu, com problemas mais urgentes. Essas regiões concentram a pobreza do estado. O Paraná é o mais pobre dos estados do Sul e precisa resolver esse problema com a presença do estado. Nessas áreas deprimidas, vamos buscar geração de renda com cadeias alternativas, como a do leite, e com programas de produção direcionada à alimentação, para que a população não passe fome. Ainda temos 100 mil famílias que vivem em situação praticamente de penúria, alguns até com dificuldades na alimentação. O terceiro desafio é fazer o estado retomar e reforçar práticas de manejo correto do solo e da água. Vamos retomar o trabalho do antigo programa Paraná Rural, trabalhando nas 23 microbacias do Paraná.
Há orçamento para isso?
Nosso principal custo é com pessoal. Na Emater, 100% da folha são pagos pelo governo do estado. O orçamento é de 100 milhões, folha mais encargos. Temos ajuda de custeio das prefeituras e, para equipamentos, buscamos recursos do governo federal. Engatilhado, temos projeto de R$ 20 milhões para treinar agricultores e técnicos.
Quando o senhor acha que o produtor rural vai sentir esse reforço no trabalho da Emater?
As contratações dependem de tempo, seis meses a um ano. Mas o produtor já está começando a sentir as diferenças dentro desses desafios que traçamos. Vai sentir mais quando lançarmos programa habitacional rural. Nosso foco será o desenvolvimento.
Carreira linear - Agrônomo, 54 anos, há 32 anos na Emater, Niederheitmann conheceu a estrutura interna do órgão atuando em Ponta Grossa (Campos Gerais), Morretes (Litoral) e São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). Foi gerente na unidade regional de Curitiba por seis anos. Em 97, se tornou coordenador estadual de operações. Em 98, diretor técnico do Paraná Rural, importante programa de manejo de solo executado na década passado. Foi presidente da Emater de 1999 a 2002, sob o governo de Jaime Lerner, cargo que reassume agora no governo de Beto Richa. (Caminhos do Campo / Gazeta do Povo)
Abaixo, a entrevista por Florindo Dalberto, novo presidente do Iapar, à Gazeta do Povo:
Quantos funcionários tem o Iapar e quantos são necessários?
O Iapar tem atualmente cerca de 730 funcionários, enquanto o quadro formal aprovado é de cerca de 1.210. Há uma defasagem de cerca de 500 para o quadro aprovado dez anos atrás. Além desses 730 de carreira, o órgão conta também com quase o mesmo número de pessoas na categoria de estagiário e temporário, pessoal de campo, terceirizados e estudantes de pós-graduação das universidades que vêm completar seus estudos no Iapar. Esse conjunto compõe passa de 1,2 mil pessoas.
O objetivo é chegar a esses 1.210 efetivos?
Pelo porte de sua agricultura e para manter a independência tecnológica, o Paraná precisa que o poder público invista nessa estrutura, independentemente do número de funcionários. Aqui nós falamos muito em qualidade, que o Paraná precisa ter capacidade que dê conta de manter a competitividade da agropecuária paranaense dentro da questão tecnológica. Termos certo grau de independência para formular propostas para poder interagir com as estruturas técnicas que existem no estado. Neste ano, devemos abrir concurso para 256 permanentes. Mas nosso desempenho depende de mais interação com outros segmentos.
O novo governo quer intensificar atividades do Iapar. Existem projetos novos?
A pesquisa é uma atividade que vai produzindo resultados ao longo do tempo, é muito incremental. A intensificação aqui significa neste momento muito mais essa interação. A gente potencializar tudo o que já existe. Especialmente em torno de fomentar redes de pesquisa e inovação, juntando universidades e demais centros de pesquisas. A grande força do Iapar neste momento é ampliar e organizar todo esse processo de interação com o setor de pesquisa.
Como está a integração entre Iapar e Emater?
Fazemos parte de um mesmo sistema. Direcionamos nossos esforços em torno dos objetivos comuns, numa linha de total integração.
O sr. acha que falta integração para que as tecnologias do Iapar cheguem mais rapidamente ao produtor?
Esse processo de levar a tecnologia é um processo complexo, muitas vezes a gente tem uma tendência achar que não está sendo bem levado. Na verdade, é muito mais o mercado que determina isso, desde o pequeno produtor até uma grande empresa agroindustrial. O conhecimento é fator chave para o desenvolvimento e geração de riqueza. Quem não tem acesso ao conhecimento certamente acaba perdendo sua competitividade, ficando para trás no mercado. Somos parte desse processo.
Quantas pesquisas existem hoje em andamento no Iapar?
Na somatória dos 16 de programas de pesquisas, o Iapar executa 255 grandes projetos com temas que vão do manejo de solo à gestão da tecnologia. São de 500 a 600 pesquisas em 19 estações experimentais. Entre permanentes e parceiros existem 119 pesquisadores. Com mais interação podemos somar forças e ampliar esse quadro.
O orçamento será reforçado?
Para esse ano, a previsão é que tenhamos 110 milhões de reais ao todo, sendo que 64% se destinam ao pessoal, já contando novas contratações. É um valor considerável que representa o esforço que o governo do estado faz para investir em tecnologia para a agricultura. Cabeça, cérebro é o insumo mais importante para uma instituição como o Iapar. Mas precisamos também de máquinas agrícolas, tratores, laboratórios, equipamentos, que ficam obsoletos muito rapidamente.
Gestão pública - Agrônomo, 66 anos, Florido Dalberto se aposentou como funcionário do Iapar antes de assumir a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Londrina, em 2008. Desde então, se voltou para a gestão pública e a atuação política. Participou da formulação do programa de governo de Beto Richa, o que tornou "natural" sua indicação para a presidência do Iapar, comenta. Já esteve no mesmo cargo entre 1997 e 2002. Participou da fundação do Iapar, na década de 70. Foi para Campinas (SP), mas retornou ao Paraná na década de 90. Sempre manteve atuação classista, desde o Iapar da década de 80. (Caminhos do Campo / Gazeta do Povo)
Um dos setores do agronegócio brasileiro mais abatidos pela crise de 2008/09, a pecuária deu a volta por cima no ano passado e traça metas ambiciosas para 2011. A disparada dos preços da carne e o reaquecimento do consumo que marcaram 2010 anunciam um novo ciclo de expansão para o setor, que planeja retomar investimentos para continuar crescendo neste ano. Sem deixar de lado a demanda doméstica, os pecuaristas brasileiros miram o mercado externo e querem alcançar US$ 5 bilhões em exportação em 2011 - marca atingida em 2008, mas perdida no ano seguinte.
Mercados - O momento é especialmente favorável para a retomada de mercados perdidos durante a crise, afirmam especialistas. Isso porque o Brasil seria o principal candidato a ocupar a lacuna deixada pela Argentina no mercado internacional. O país vizinho, que há seis anos era o terceiro maior fornecedor mundial de carne bovina, tem reduzido drasticamente os seus embarques nos últimos anos.
Queda nas exportações - Desestimulados por políticas públicas que impõem fortes restrições às vendas externas, os argentinos viram suas exportações irem à lona no ano passado. Os dados oficiais mostram uma amarga queda de 53% no volume exportado pelo país em 2010. E o Brasil segue como maior exportador do mundo em volume, graças a um rebanho de mais de 200 milhões de cabeças, concentrado no Centro-Oeste. A expansão pode finalmente destravar as vendas externas de estados como o Paraná - que vem tentando recuperar embarques desde a crise da aftosa de 2005.
Plantel reduzido - Antes da crise econômica internacional, os pecuaristas argentinos mantinham um rebanho de cerca de 50 milhões de animais. Mas a conjuntura política e uma das mais severas secas dos últimos anos - que devastou as pastagens e aumentou o abate de fêmeas - reduziram o plantel argentino de gado de corte em 10 milhões de cabeças no ano passado, conforme as entidades do setor. Como consequência, os abates caíram de 13,5 milhões em 2009 para 11 milhões em 2010. Um dos maiores consumidores de carne bovina do mundo, o país vizinho também vê a sua demanda interna minguar. O consumo per capita anual recuou de 70 quilos em 2009 para 55 quilos em 2010 e pode fechar 2011 próximo de 40 quilos. Cerca de 90% da produção de carne do país, que no ano passado somou 2,5 milhões de toneladas, são destinados ao mercado doméstico.
Tiro no pé - "O governo da Argentina deu um tiro no pé ao limitar as exportações. O país pode virar importador nos próximos anos. E o Brasil é o único país que pode ocupar esse gap. Uruguai, Paraguai, Austrália e Estados Unidos têm potencial limitado de crescimento, seja por já terem alcançado o limite de área ou de tecnologia ou por terem um mercado interno muito forte", analisa Alex Lopes da Silva, da Scot Consultoria. A avaliação de Silva é compartilhada, ainda que com ressalvas, pelo analista Carlos Cogo, da Cogo Consultoria Agroeconômica. Ele observa que o Brasil já abocanhou em 2010 parte do mercado aberto pela Argentina, mas afirma que havia espaço para um crescimento muito maior. "Se tivéssemos produzido meio milhão de toneladas a mais esse volume teria sido escoado facilmente", declara.
Vendas brasileiras - As exportações brasileiras de carne bovina, que vinham crescendo desde 2004, quando ultrapassaram pela primeira vez a marca de 1 milhão de toneladas, levaram um tombo em 2008/09. Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostram que 1,23 milhão de toneladas de carne bovina in natura e processada deixaram os portos brasileiros no ano passado. Em 2006, chegou-se a 1,52 milhão de toneladas.
Faturamento - Os preços em alta no mercado internacional amparam o faturamento do setor. A receita das exportações somou US$ 4,8 bilhões no ano passado, acima dos US$ 4,1 de 2009, mas ainda atrás do recorde de US$ 5,3 milhões de 2008. A meta da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) para 2011 é se aproximar do resultado de três anos atrás.
Resultados - "Com a dissipação dos efeitos da crise econômica global, os resultados voltam a aparecer. Mas para crescer com segurança o setor precisa de incentivo do governo. As políticas públicas que temos hoje são incompatíveis com o status da pecuária brasileira no mercado internacional", frisa Péricles Salazar, presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) e do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarne- PR). (Caminhos do Campo / Gazeta do Povo)
Projeto da unidade Solos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) pode reduzir os deslizamentos de terra por erosão do solo em até 80%. A prática é historicamente conhecida por produtores. Consiste na agricultura caracterizada por períodos de descanso da terra antes de voltar a produzir, aliada à rotação de culturas. Pesquisadores da Embrapa Solos monitoram, há mais de dez anos, propriedades rurais no município de Bom Jardim, na Região Serrana do Rio de Janeiro, que utilizam a técnica agrícola. Lá são produzidos alternadamente inhame, feijão, mandioca, batata, batata-doce, maracujá e diversas outras culturas.
Resultados - Os resultados demonstram que o processo erosivo, comum na região, é bastante reduzido. O uso conjunto dessas práticas evita deslizamentos de terra. As técnicas diminuem o transporte de sedimentos aos leitos dos rios, bem como os riscos de inundações após chuvas fortes, a exemplo das que ocorreram no início de janeiro na região. "Avaliamos as propriedades onde executamos o projeto em Bom Jardim, após as recentes chuvas. As terras praticamente não sofreram danos", destaca o pesquisador da Embrapa Solos, Heitor Coutinho.
Ideal - O sistema é considerado ideal para evitar futuros deslizamentos de terra em regiões montanhosas. Com o apoio da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro Rio) e da Secretaria Estadual de Agricultura do Rio de Janeiro, a Embrapa pretende expandir o projeto para outras áreas da Região Serrana, incluindo Teresópolis e Nova Friburgo. No futuro, a ideia é implantar esse sistema em outras localidades do país, também acometidas pelo mesmo problema.
Técnica - A rotação de culturas, que faz parte do processo, consiste em alternar espécies vegetais numa mesma área agrícola. As variedades escolhidas normalmente têm viabilidade comercial e de manutenção ou recuperação do meio ambiente. Para a obtenção de máxima eficiência da capacidade produtiva do solo, o planejamento de rotação considera aquelas destinadas à cobertura do solo, que produzam grandes quantidades de biomassa, fonte de nutrientes. "A rotação permite o fortalecimento do solo com o plantio alternado de diversas culturas, principalmente as raízes, como batata e inhame, que dão estabilidade à terra", destaca o pesquisador da Embrapa.
Baixa fertilidade - Outro problema comum em propriedades da região é a baixa fertilidade do solo, que deixa a terra fraca e vulnerável. As plantas consideradas invasoras, daninhas, acabam melhorando a fertilidade quando essas terras descansam por um período mínimo de cinco anos. Pesquisas comprovam que a técnica é uma das melhores alternativas para manter a produtividade do solo, sem depender de insumos externos.
Fortalecimento do solo - "O sistema de agricultura com períodos de descanso da terra antes de voltar a produzir, que estamos monitorando na região de Bom Jardim, tem funcionado muito bem no controle da perda de solos por erosão e redução do assoreamento (obstrução) dos rios", explica Heitor Coutinho, da Embrapa. A técnica fortalece o solo, já que a terra tem um tempo para poder se recuperar antes de voltar a ser utilizada. (Mapa)
O mês de janeiro foi marcado por chuvas acima da média histórica na maior parte das áreas produtoras de grãos do Brasil. No Sul, foram observados extremos na distribuição das precipitações. Enquanto, o centro-sul e oeste do Rio Grande do Sul registraram precipitações muito abaixo da média, comprometendo o desenvolvimento das lavouras, no leste do Paraná e de Santa Catarina foram observados totais de precipitação acima dos 300 mm, valores muito acima da média para a época do ano. Este excesso de precipitação prejudicou as lavouras de feijão. A distribuição da precipitação também foi muito irregular, no oeste da região, algumas áreas passaram de 20 a 25 dias sem precipitação, entre o final de dezembro e início de janeiro, porém o solo vem mantendo condições hídricas em níveis excelentes e as lavouras, na maior parte do Sul, vem apresentando um ótimo desenvolvimento.
Outras regiões - Nas regiões Sudeste, Centro-oeste e áreas produtoras de grãos do Nordeste, as chuvas também foram bem distribuídas e acima da média na maior parte destas regiões, mantendo excelentes condições hídricas no solo, para o bom desenvolvimento das lavouras. A formação de áreas de convergência de umidade, da Região Amazônica para o leste do Brasil, favoreceu a ocorrência de chuvas de forte intensidade, em várias regiões do país, que excederam a climatologia, persistindo com chuvas acima da média para o mês de janeiro. As temperaturas se mantiveram acima da média, na maior parte do Centro-sul do Brasil. No Centro-oeste, as temperaturas vem mantendo os padrões médios, para a época do ano.
La Niña - O atual fenômeno climático "La Niña", manteve-se estável e continua bem configurado, com anomalias de até -02°C nas temperaturas das águas superficiais no Oceano Pacífico Equatorial, numa extensa área daquele Oceano, conforme podemos observar na figura 01. Os modelos de previsão climática, seguem mostrando uma tendência da continuidade do La Nina, pelo menos, até o segundo semestre de 2011.
Próximos meses - Para os próximos meses, no Sul do Brasil e sul do Mato Grosso do Sul, seguem os prognósticos de precipitações abaixo da média, principalmente no oeste da região. A distribuição destas precipitações continua muito irregular, intercalando períodos de muita chuva com períodos maiores de pouca ou nenhuma precipitação. Para a região Centro-Oeste, áreas agrícolas do Nordeste e maior parte da região Sudeste as chuvas, devem continuar com o mesmo padrão, ou seja, chuvas bem distribuídas, abundantes e acima da média.Quanto às temperaturas, devem continuar acima da média na maior parte da Região Centro-sul do Brasil. Nas demais regiões as temperaturas seguem os padrões normais para a época do ano. (Luiz Renato Lazinski / Meteorologista Inmet/Mapa)
Figura 01 - Anomalia da temp. da superfície do mar, semana de 16.01.2011 a 22.01.2011 (Fonte: CPC/NOAA).
A participação do Rabo Financial Institutions Development, o Rabobank, sediado na Holanda, no capital do Banco Cooperativo Sicredi (Bansicredi) integra um processo que visa o crescimento do sistema cooperativo em âmbito nacional e sela o comprometimento de ambas as instituições na busca por resultados, afirmou, na manhã desta segunda-feira (31/01), o presidente da Central Sicredi PR/SC, Manfred Alfonso Dasembrock. "É algo que temos sonhado há décadas e que deverá propiciar uma grande troca de aprendizado, já que as cooperativas brasileiras terão acesso à experiência internacional do grupo holandês, que possui grande know how. Também, a expansão dos negócios do Sicredi, com ampliação de limites, implantação de novas linhas e de novos negócios do Sicredi, especialmente no segmento do agronegócio, área que concentra mais de 80% das operações do Rabobank, que está presente em 43 países", disse Manfred. "Para o Sicredi, representa ainda um ganho em função de termos firmado parceria com uma instituição internacional com menor risco (AAA) na classificação apurada pelas principais agências de Rating", acrescentou o presidente da Central Sicredi.
CMN - Na última quinta-feira (27/01), o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a proposta de decreto que reconhece como de interesse do governo brasileiro a participação estrangeira de até 49% no capital do Bansicredi. A participação do Rabobank, firmada em acordo, será de 30%. A proposta deve ainda ser sancionada pela presidente da República, Dilma Rousseff. "Depois, deveremos realizar uma assembleia para eleger os novos conselheiros, já que o Rabobank terá assento em nosso Conselho e, na sequência, iremos providenciar a parte legal para internalizar os recursos que serão adicionados em patrimônio", esclarece Manfred. Ainda de acordo com ele, a previsão é de que essa parceria deverá se estender por cerca de 20 anos. "Temos muito a construir juntos", completou Manfred.
Uma unidade de atendimento do Sicredi Terceiro Planalto foi inaugurada, neste sábado (29/01), em Entre Rios, distrito de Guarapuava, na região Centro-Sul do Estado. O evento contou com a presença do presidente do Sistema Ocepar, João Paulo Koslovski.
"A interlocução com os parlamentares no acompanhamento de projetos que impactam, direta ou indiretamente, no setor cooperativista é uma parte essencial do trabalho de representação da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) em defesa do movimento". Desta forma, Renato Nobile, superintendente da OCB, iniciou, na manhã desta sexta-feira (28/01) o workshop Atuação Política no Congresso Nacional, um evento promovido pela instituição em parceria com a Strategos - Empresa Jr. de Consultoria Política da Universidade de Brasília. O encontro acontece na sede da OCB, em Brasília (DF), e tem a coordenação da Assessoria Parlamentar (Aspar) da entidade.
Frencoop - Nobile também ressaltou o trabalho conjunto com a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop). "Contamos com uma frente atuante e comprometida, com uma permanência, nessa última eleição, de 60% dos integrantes no Congresso. Essa articulação constante entre a OCB e a Frencoop é fundamental para nossa atuação junto ao Poder Legislativo", disse.
Aspar - Em seguida, a assessora Parlamentar da OCB, Tânia Zanella, falou sobre o papel da Aspar nesse processo. "Hoje, trabalhamos, basicamente, com ações junto à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, mas a idéia é ampliar essa atuação para o Executivo, por exemplo". "Nosso papel é identificar e implementar estratégias que fortaleçam, ampla e nacionalmente, o movimento cooperativista brasileiro no Congresso Nacional. Isso ocorre a partir do acompanhamento da tramitação de proposições e questões prioritárias discutidas no âmbito do Legislativo", ressaltou.
Participantes - Os participantes do evento, estudantes de graduação em Ciência política da Universidade de Brasília (UnB), assistiram ainda a painéis sobre o funcionamento de assessorias parlamentares no âmbito público e em gabinetes parlamentares, noções de processo legislativo e estratégias de atuação. Eles também fizeram parte de uma mesa redonda sobre o tema "Começo de carreira e perspectivas do mercado de trabalho". Os assuntos foram apresentados pelos integrantes da Assessoria Parlamentar da OCB, Clara Maffia, Eduardo Queiroz, Fabíola Motta e Thiago Abrantes, além de convidados. São eles - Lelyne Paes Leme, assessora Parlamentar do senador Gilberto Goellner, Moema Bonelli, assessora de Relações Institucionais da Unimed do Brasil, Eduardo Macedo, assessor de Relações Governamentais da Associação Brasileira de Indústria Têxtil, e Leonardo Barreto, coordenador do curso de Ciência Política da UnB. (Informe OCB)
À saída de uma mesa de debates anormalmente movimentada para um último dia do Fórum Econômico Mundial, no sábado (29/01), o vice-presidente da Comissão de Planejamento da Índia, Montek Singh Ahluwalia, falou em "cauteloso otimismo", o bordão mais popular em Davos, neste ano, ao definir, para o Valor, qual a sensação geral entre os participantes do encontro que reuniu por quatro dias na Suíça boa parte da elite mundial. "A situação é melhor do que esperávamos, mas há desafios à frente", disse. "Curioso. Essa é exatamente a frase que o general David Petraeus usou para definir a situação no Afeganistão", emendou, rindo de si mesmo.
Comparação - A comparação inconsciente com o general que fez um relatório ufanista sobre a ação militar dos Estados Unidos no Afeganistão na semana passada, deixando de lado a catástrofe em que está mergulhado o país, tem alguma razão de ser. Aliviados com o fim do temor de volta da recessão em 2010, os organizadores de Davos tiveram de montar às pressas, no sábado, o debate do qual saía Ahluwalia. O tema: Tunísia, país de onde se originou uma revolta popular contra governos corruptos na África que, durante a semana, engolfou também o Egito.
Crise egípcia - Na quinta-feira (27/01), Yasmine Allam, a assessora de imprensa do ministro do Egito, Rachid Mohamed Rachid, telefonou ao Valor para informar que o egípcio havia cancelado a entrevista com o jornal, marcada na semana anterior, porque desistira de ir a Davos. Dois dias depois, caía o gabinete de ministros, em meio a tumultos e mortes nas ruas do país. Até sábado, quando passou a um dos temas principais, a crise egípcia, comentada discretamente nos corredores, tinha recebido atenção limitada em poucas das mais de uma centena de sessões de debate e palestras do Fórum.
Temas - Os temas que despertaram mais atenção foram a vitalidade das economias emergentes, especialmente China e Índia; a recuperação do crescimento dos Estados Unidos, às custas de gigantesco déficit público que chegou a ser comparado a "um elefante debaixo da mesa"; as queixas dos banqueiros contra o que consideravam uma demonização dos bancos fomentada pelos governos; e as dúvidas sobre o futuro do euro e dos governos europeus dobrados por rombos nas contas públicas - situação que, para irritação da ministra da França, Christine Lagarde, o presidente do banco Barclays, Robert Diamond, disse ter passado de aguda, no ano passado, para "crônica", neste ano.
Exemplo - O tumulto político egípcio serviu em Davos como exemplo das reações inesperadas nas ruas a problemas não identificados como prioritários pelos radares do Fórum Econômico. Motivada em parte pelo aumento nos preços dos alimentos, mas principalmente pela rejeição popular a regimes autoritários e corruptos, a crise egípcia, por pressão dos jornalistas presentes, foi tratada em algumas declarações de governantes e se insinuou num painel de discussão, no sábado, sobre as previsões de especialistas e acadêmicos.
Delicado - No debate, o ex-vice-presidente do Banco Mundial e ex-secretário-geral adjunto da ONU Mark (lord) Malloch-Brown, da consultora FTI, disse apenas que o assunto era delicado demais para se cobrar recomendações saídas de Davos. O ex-presidente do México, Ernesto Zedillo, ao lado de Malloch-Brown, advertiu aos que torcem pela derrubada da ditadura egípcia de que os resultados podem ser maior instabilidade na região. "Cuidado com o que desejam", comentou, prevendo problemas em países do Oriente Médio, como Síria e Jordânia caso fosse de fato derrubado o governo do Egito.Frustração - "O cidadão árabe está zangado e frustrado; o nome do jogo é reforma", disse na sexta-feira (28/01) o secretário-geral da Liga Árabe, ex-ministro de Relações Exteriores do Egito, Amr Moussa, que, num dos primeiros painéis do Fórum, frustrou com um discurso genérico quem esperava que discutisse os acontecimentos na África.
Alívio - Apesar da nota sombria deixada pelas incertezas políticas no fim da semana, a reunião de Davos foi marcada, em geral, pelo clima de alívio com a volta do crescimento norte-americano e as boas perspectivas das economias emergentes, especialmente China e Índia. "Há bem mais otimismo, isso aqui no ano passado parecia um enterro", reconheceu o presidente da Embraer, Frederico Curado.
Calote - Nos quatro dias de debates, foi possível ouvir discursos veementes de diferentes autoridades europeias garantindo apoio político para evitar o calote das dívidas soberanas dos países mais afetados pela crise na Europa e explanações sobre como a China deve lidar com a ameaça de uma "bolha especulativa" gerada pelo crescimento do país. Mas, como o caso do Egito, muitos temas delicados foram apenas mencionados pelos especialistas reunidos com parte da elite mundial, como o perigo de crise da dívida no setor privado de uma Europa estagnada e o risco de nova crise hipotecária nos EUA, devido à permanência das altas taxas de desemprego. (Valor Econômico)
O aumento do custo, em dólares, para os produtores agrícolas brasileiros, impõe um limite à expansão da oferta de alimentos no país, ajuda a sustentar a alta mundial de preços e já anima grandes empresas a buscarem novas áreas de expansão do plantio, como a África, afirmou o presidente mundial da Bunge, Alberto Weisser. Em debate informal, no Fórum Econômico Mundial, lembrou que o preço, em dólar, da soja cresceu, em 10 anos, cerca de 100%, enquanto o salário mínimo aumentou quase 500% o que, ao mesmo tempo, leva ao aumento do consumo interno e desestimula a ampliação das exportações, acredita ele.
Ponto alto - A alta de preços, revoltas populares impulsionadas por escassez de alimentos e sugestões como a do presidente da França, Nicolas Sarkozy, de criação de estoques reguladores globais para o setor agrícola, foram um dos grandes pontos de debate no Fórum Econômico Mundial deste ano, encerrado ontem nos Alpes suíços. "O mercado produz 10 milhões de toneladas de soja adicionais a cada ano, mas a demanda aumenta em 30 milhões", disse Weisser. "Por isso o aumento na produção de países como o Brasil é fundamental".
Banco Central - O executivo conversou sobre esses dados com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em almoço do Fórum, de que participaram na sexta-feira. Estimulado por Tombini, divulgou aos outros integrantes do almoço, sua tese de que o aumento do custo em dólares da produção brasileira criou um patamar, acima do preço histórico de commodities como soja e açúcar, que funciona como freio ao aumento da produção.Produtor brasileiro - "Para se animar a expandir produção, o produtor no Brasil precisa que a cotação da soja esteja acima de US$ 9 o bushel; e o de açúcar, que a libra-peso esteja em torno de US$ 0,18", calculou Weisser. Antes da escalada de preços, o bushel da soja chegou a US$ 6, e a libra-peso do açúcar caiu a US$ 0,09, lembrou o presidente de uma das três maiores companhias do setor. "Hoje, com a soja a US$ 14 por bushel e a libra-peso do açúcar a US$ 0,30, o produtor brasileiro está com a cabeça enfiada na terra", disse Weisser, ao Valor. "Não se sabe o que farão, se o preço cair".
Estudo - Weisser comentou que a situação brasileira já faz a própria Bunge estudar áreas onde, hoje, a logística não torna atraentes os investimentos, como a África. Se, por um lado, esse movimento tem o efeito positivo de estimular a produção em áreas hoje pouco desenvolvidas, os produtores brasileiros podem se ver sem condições de lidar com a entrada de novos concorrentes no mercado.
Previsível - A rápida chegada da nova concorrência é um movimento previsível, como aconteceu nos anos 80, quando a invasão do Afeganistão pela Rússia levou os EUA a decretarem embargo nas exportações de grãos e o Japão, temeroso do uso dos alimentos como arma política, investiu para desenvolver o plantio de soja no Cerrado brasileiro. Adotando o tom de confiança nas autoridades brasileiras que foi uma constante em Davos - apesar dos alertas de economistas para a necessidade de controle nas contas públicas -,Weisser disse acreditar que "a presidente Dilma (Rousseff) sabe o que fazer, está atenta à questão".
Preço dos alimentos - O aumento no preço dos alimentos foi um dos principais tópicos das discussões dispersas por painéis de especialistas, almoços e conversas informais no encontro em Davos. Já em um dos primeiros painéis do fórum, o economista Nouriel Roubini alertou para a instabilidade política causada pela alta nos alimentos, demonstrada por crescente agitação política na África. "É algo que pode realmente derrubar regimes, como vimos no Oriente Médio", disse.
Inflação - O temor da inflação provocada pelos preços agrícolas deu fôlego à campanha por mecanismos regulatórios no mercado de commodities, que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, vem fazendo como presidente do G20, o grupo das economias mais influentes no mundo - uma campanha que o governo brasileira teme ser pretexto para justificar a política de subsídios agrícolas europeia. Sarkozy, em sua aparição no fórum, neste ano, assumiu a frente da campanha contra a especulação com commodities, que acusou de alimentar a escassez de alimentos e ser alimentada por ela.
Fundos especulativos - Empresários e banqueiros que participaram do encontro de parte da elite mundial no refúgio suíço de Davos atribuem papel relativamente pequeno aos fundos especulativos, na alta dos preços mundiais de commodities, porém. "É uma questão de oferta e demanda, inclusive de estoques em governos preocupados em assegurar abastecimento", disse o presidente do grupo dinamarquês de transporte marítimo AP Moller Maesk, Nils Andersen. (Valor Econômico)
O Porto de Paranaguá inicia amanhã a dragagem de seus 14 berços de atracação, algo que não ocorre há pelo menos seis anos. A retirada dos 110 mil metros cúbicos de detritos que se acumularam junto ao cais - e impedem os navios de seguir viagem totalmente carregados - representa apenas o primeiro passo para resgatar a capacidade operacional e a própria credibilidade do terminal, que vinha afundando sob o peso de deficiências e irregularidades como as que motivaram a Operação Dallas, da Polícia Federal.
Retrocesso - O retrocesso sofrido pelo porto nos últimos anos fica evidente em diferentes números e rankings. De acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Paranaguá já não ocupa o histórico posto de segundo maior porto brasileiro. Perdeu sua posição para Itaguaí (RJ), terminal que escoa principalmente petróleo e minérios e que hoje responde por quase 20% de todas as cargas movimentadas nos portos públicos do país.
Lista - Em 2009 (dados mais recentes), Paranaguá ocupava o terceiro lugar na lista, com participação de 11,8% no total nacional, menos que os 13,5% alcançados dois anos antes. Esse recuo, de 1,7 ponto porcentual, parece pequeno. Mas, se não tivesse ocorrido, o movimento de cargas no porto teria sido 13% maior em 2009 - ou seja, em vez de 30,6 milhões de toneladas, o terminal teria embarcado e desembarcado 34,8 milhões de toneladas.
Semelhante - Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) indicam fenômeno semelhante. Em 2001, 10,4% de todas as importações e exportações por via marítima do país passavam por Paranaguá. Em 2009, essa fatia era de 8,9% e, no ano passado, caiu a 8,1%, a menor desde 1996.
Expansão lenta - Não que o movimento no principal porto do Paraná tenha caído (o valor das mercadorias que ali passaram em 2010, de US$ 24,4 bilhões, foi quase o triplo do de 2001); na verdade, sua expansão é que se deu em velocidade mais lenta que a da média de seus concorrentes em todo o país. Tanto que, se houvesse acompanhado o ritmo nacional e mantido sua participação na mesma taxa de 2001, Paranaguá teria movimentado US$ 2,5 bilhões a mais, cerca de 10%, no ano que passou.
Ranking - No ranking de movimentação de comércio exterior, o cais paranaense é hoje o quarto do país. Além de Santos, perde para Itaguaí e Vitória (ES), este também um grande embarcador de minério de ferro. É fato que petróleo e minérios não são, e nem poderiam ser, a especialidade de Paranaguá. Mas, mesmo tomando-se como exemplo as exportações de soja, principal commodity paranaense, o terminal ficou para trás. Em 2002, 32% das vendas da oleaginosa eram escoadas pelo porto; atualmente, a fração é de 19%, segundo o MDIC.
Concorrentes - Ao menos em um aspecto o Porto de Paranaguá saiu ganhando: na comparação com seus concorrentes da Região Sul, que também "encolheram" nos últimos tempos. Em 2007, de cada 100 toneladas movimentadas em portos sulistas, 46 passavam por Paranaguá; em 2009, a fatia parnanguara correspondia a 54 de cada 100 toneladas. Enquanto isso, o maior porto brasileiro ganhou um bom terreno. Enquanto a participação de todos os portos do Sul caiu de 29,5% para 22% do total nacional entre 2007 e 2009, a fração de Santos aumentou de 25,6% para 29,1%. (Gazeta do Povo)
"É particular ou convênio?" Responder "convênio" a essa pergunta na hora de marcar uma consulta ou exame médico pode representar um acréscimo de até três meses no tempo de espera para ir ao consultório. Isso porque alguns médicos credenciados às operadoras de planos de saúde trabalham com duas agendas distintas: uma para marcar consultas particulares, com prazo mais imediato, e outra, com um tempo de espera mais dilatado, para atender aos usuários de convênios.
Consulta pública - Para tentar inibir esse tipo de situação, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula e fiscaliza os planos de saúde do país, colocará em consulta pública na próxima quinta-feira (03/01) uma resolução normativa que estabelece prazos máximos para o atendimento aos pacientes de planos na rede de saúde particular.
Março - A intenção é de que a nova regra entre em vigor até o fim de março. Com isso, o prazo máximo para atendimento passará a ser de 7 dias para consultas básicas e de 21 dias para procedimentos de alta complexidade e internações eletivas. Já atendimentos de urgência e emergência deverão ser imediatos. A resolução prevê ainda que, na hipótese de ausência ou inexistência de um prestador credenciado em um município que pertença à área geográfica de abrangência do plano, a operadora deverá garantir o atendimento, responsabilizando-se pelo pagamento dos respectivos honorários de um prestador não credenciado.
Espera - Levantamento feito pela Gazeta do Povo em consultórios médicos de Curitiba mostra que a espera por uma consulta com um clínico geral pode chegar a 22 dias, três vezes acima do limite a ser estipulado pela ANS. Em um dos consultórios, a consulta particular poderia ser agendada já para o dia seguinte, mas, pelo plano, só seria possível agendá-la para a última semana de fevereiro. Já uma consulta com um oftalmologista chega a demorar 16 semanas. O limite para esse tipo de procedimento será de 14 dias.
Incômodo - A aposentada Catharina Judith d' Ávila, que periodicamente precisa realizar os exames solicitados por sua cardiologista, diz que se sente incomodada com o tempo de espera para marcar as consultas. Ela conta que, após fazer uma bateria de exames em outubro do ano passado, precisou esperar cerca de dois meses para apresentar os resultados à médica. Ela comemora a iniciativa de impor limites aos prazos. "A redução vai permitir que o paciente tenha um acompanhamento mais preciso."
Base - O tempo-limite estabelecido para cada tipo de procedimento foi fixado com base em uma pesquisa feita pela ANS entre junho e julho 2010, que foi respondida por 850 das 1061 operadoras de saúde suplementar que atuam no país (80%). Esses prazos constarão de instrução normativa e referem-se a uma expectativa de atendimento que, caso não seja cumprida, sujeitará a operadora às sanções administrativas previstas na regulamentação em vigor. (Gazeta do Povo)