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Relevância do Programa de Educação Política do Cooperativismo Paranaense

destaque educacao politica 05 01 26*Profissionais do Sistema Ocepar

A evolução do cooperativismo paranaense tem ganhado uma nova dinâmica a partir da maior inserção no mercado e da melhoria dos processos, da governança e da gestão. Isso foi demonstrado com um marco histórico, a partir do início dos anos 2000, com a inserção da China na OMC – Organização Mundial do Comércio e com apetite para importação de volumes significativos de diversos produtos que o agronegócio brasileiro e as cooperativas produzem, com destaque para o complexo soja, algodão, açúcar, carnes e, mais recentemente, café e milho.

Neste mesmo período, especificamente entre os anos de 1998 e 1999, as cooperativas passaram por processos complexos de securitização e renegociação das dívidas por meio do Recoop - Programa de Revitalização de Cooperativas de Produção Agropecuária (Medida Provisória 1.715/1998), além da criação do Sescoop, que foi um marco no desenvolvimento do cooperativismo.

No Paraná, as cooperativas seguiram as normas estabelecidas pelo Recoop e as renegociações comandadas pelos Ministérios da Fazenda, Planejamento e Agricultura, com o apoio da OCB e Ocepar, tornaram possível a prorrogação e a redução dos custos das dívidas, com o  pagamento das parcelas até o fechamento deste ciclo que se encerrou em 2023.

Em paralelo, o S do Cooperativismo, Sescoop/PR, trouxe uma oportunidade de ampliar e otimizar os investimentos na formação de lideranças e profissionais para o comando e a gestão do cooperativismo. Em 2000, o setor movimentava R$ 6,5 bilhões por ano no Paraná e, em 2026, tem a perspectiva de alcançar R$ 250 bilhões, com previsão de chegar a R$ 300 bilhões em 2027.

A partir de 2015, um marco relevante comandado pelo Sistema Ocepar, em conjunto com as cooperativas, foi a elaboração de ciclos de planejamento orientados pelo cumprimento de metas econômicas, e não por metas temporais. Assim surgiram os Planos Paraná Cooperativo – PRC100, PRC200 e, atualmente, o PRC300, que visa, no conjunto das 260 cooperativas registradas na Ocepar, atingir R$ 300 bilhões de movimentação econômica com 5% de margem liquida por ano, e na sequência implementar o PRC500 até 2032.

Neste período também ocorreram mudanças nas legislações eleitorais e de financiamentos de campanhas, assim como no próprio funcionamento do sistema político, destacando a importância do Poder Legislativo e a atuação das Frentes Parlamentares, a exemplo da Frencoop e FPA – frentes parlamentares do cooperativismo e agropecuária, contexto que levou  os Sistemas OCB e Ocepar  a pensar em formas de atuação e fortalecimento da representação política do cooperativismo tanto em âmbito federal como estadual, observando a neutralidade política, conforme prevê a Lei Federal nº 5.764/1971, com ação suprapartidária e organizada para  garantir a representatividade do cooperativismo no Congresso Nacional.

Inicialmente, o plano era reconhecer as ações de defesa e representação em favor do cooperativismo, nomeadamente identificadas na agenda institucional do setor, além de incentivar o voto livre e consciente por todo o público cooperativista. Em 2026, o programa tomou uma proporção ainda maior com a efetiva ação junto ao Parlamento Federal e Estadual com a perspectiva de montarmos uma Frencoop na Alep no início de 2027.

Desta forma, o Sistema Ocepar se preparou e se qualificou com profissionais especializados, além de investir em um  MBA em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), para aprofundar o conhecimento deste assunto que, para muitos, ainda é um tabu. Também fizemos acordo de cooperação com o TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná) para promover ações de cidadania e promoção da democracia, a exemplo da divulgação da cartilha de boas práticas nas eleições. Também dialogamos com o Ministério Público Eleitoral e realizados ações de orientação sobre compliance eleitoral, buscando o envolvimento das cooperativas com o programa em conformidade com as normas e a legislação, sem prejuízo para as cooperativas e seus dirigentes.

O trabalho é contínuo e, atualmente, já alcança mais de 25 estados brasileiros. A expectativa é ampliar cada vez mais a discussão sobre um tema que ainda precisa avançar no Brasil: a importância da participação política consciente e responsável.

De um lado, buscamos fortalecer o engajamento dos cooperativistas e de toda a sociedade na participação política, de forma técnica, consciente e suprapartidária, por meio do exercício do voto e do acompanhamento dos mandatos.

Acreditamos que ações de educação política contribuem para o fortalecimento da democracia, estimulam o diálogo e ajudam a traduzir a verdadeira essência da representação do povo.

Estamos semeando conhecimento, participação e cidadania para construir um Brasil e um Paraná cada vez mais cooperativos. 

*Artigo de autoria dos profissionais do Sistema Ocepar José Roberto Ricken, Robson Mafioletti, Daniely A. Silva, Diogo Tavares, Isabelle Felisbino, Thaine Czelusniak, Marlon Tecchio Dreher, Mariângela de Souza, Samuel Zanello Milleo Filho, Denise Morini e Flávio Turra

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