O poder dos juros compostos

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sisprime 29 08 2025* Cleomir Kuhnen

Neste artigo, vamos explicar o impacto dos juros compostos. Para contextualizar, os valores de um investimento podem ser corrigidos tanto pelo juro simples quanto pelo juro composto. No juro simples, o cálculo incide apenas sobre o valor inicial. Já no juro composto, os juros são aplicados sobre o valor inicial somado aos rendimentos acumulados dos períodos anteriores, o que amplia de forma progressiva o montante final.

Quando você realiza um investimento, como em uma aplicação financeira, na qual a sua remuneração será calculada pelo juro composto, o valor inicial aplicado é corrigido pela taxa de remuneração do seu investimento, e nos meses seguintes, a correção será aplicada sobre o valor inicial somado aos juros, e assim sucessivamente.

O Brasil possui um histórico de taxas de juros elevadas. Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano. Embora a alta dos juros aumente a rentabilidade para os investidores — que passam a obter maiores ganhos em suas aplicações financeiras —, ela tem efeito contrário para quem busca crédito. O custo dos financiamentos se eleva, desestimulando a abertura ou expansão de negócios. Nesse cenário, aplicar recursos no mercado financeiro torna-se mais atrativo, já que oferece elevada rentabilidade com baixo risco.

Quanto mais elevada a taxa de juros, melhores são os retornos sobre as aplicações financeiras, e é aqui que o juro composto exerce um papel fundamental na evolução do seu patrimônio financeiro, se usado a seu favor.

Apenas para uma questão didática, vou usar um valor de R$ 1.000,00 para exemplificar o poder dos juros compostos. Imagine que você invista mensalmente o valor de R$ 1.000,00 a uma taxa de 100% do CDI, com uma taxa média de 0,73% ao mês de rentabilidade. Embora o CDI atual esteja em torno de 1,16% a.m., vamos utilizar a taxa média do CDI dos últimos 10 anos, que foi 0,73% a.m.

Vamos ver como seria a projeção do montante futuro do valor investido e dos juros.

Nr. Meses

Valor investido

Valor Final

Valor Juros

% juros

12

12.000,00

12.494,00

494,00

4%

60

60.000,00

74.950,00

14.950,00

20%

120

120.000,00

190.910,00

70.910,00

37%

240

240.000,00

647.882,00

407.882,00

63%

360

360.000,00

1.741.714,00

1.381.714,00

79%

Olhando a simulação do primeiro ano não parece muito animador, após 12 meses investindo R$ 1.000,00 por mês, você teria acumulado apenas R$ 494,00 de juros.

Porém, quando olhamos o longo prazo, em 30 anos você teria atingido o montante de R$ 1.741.714,00, sendo que deste valor, você teria investido R$ 360.000,00 e R$ 1.381.714,00 seria o resultado dos juros compostos, ou seja, 79% do valor total conquistado seria resultado dos juros.

Com um montante de R$ 1.741.714,00 a uma taxa de 0,73% ao mês de rentabilidade, você teria um rendimento mensal de R$ 12.714,51.

Dois pontos são fundamentais para alcançar esse resultado: a constância nos aportes e o longo prazo. Manter o hábito de investir regularmente é essencial, pois os juros compostos revelam seu maior potencial justamente ao longo do tempo. Quanto maior o período de aplicação, maior será o efeito multiplicador, tornando a consistência indispensável para aproveitar ao máximo esse benefício.

Para algumas pessoas, investir o valor de R$ 1.000,00 mensal pode ser muito, outras, podem investir mais do que isso, o mais importante será a sua consistência no longo prazo, você precisa construir um plano de investimento que lhe trata bons frutos no futuro.

Para simplificar a comparação, não considerei a inflação e impostos nesta projeção, embora deva inserir esses fatores no seu planejamento financeiro.

Falando em inflação, é importante destacar que ela corrói o poder de compra da moeda. Em outras palavras, R$ 1.000,00 hoje não terão a mesma capacidade de aquisição daqui a um ano. Por isso, ao elaborar um plano de investimento, deve-se considerar a taxa de juro real, que corresponde aos juros descontados da inflação.

A inflação tende a impactar mais fortemente o pequeno investidor, que vê os ganhos adicionais

rapidamente consumidos pela alta dos preços. Já quem possui volumes maiores aplicados sofre menos com essa perda do poder de compra, pois consegue preservar e até ampliar seu patrimônio. Para deixar esse ponto mais claro, vejamos um exemplo:

O investidor A possui R$ 10.000,00 aplicados, a uma taxa de rentabilidade 0,60% ao mês, tendo um rendimento de R$ 60,00 mensal, se a taxa subir para 1% ao mês ele passará a ter um rendimento de R$ 100,00, esses R$ 40,00 adicionais seria consumido rapidamente devido a elevação dos preços, causados pela inflação.

Já o investidor B possui R$ 5.000.000,00 aplicados, a uma taxa de rentabilidade 0,60% ao mês, tendo um rendimento de R$ 30.000,00 mensal, se a taxa subir para 1% ao mês ele passará a ter um rendimento de R$ 50.000,00, esses R$ 20.000,00 adicionais não será totalmente consumido pela inflação, apenas uma pequena parte disso.

Fica evidente que a inflação afeta principalmente quem não investe ou quem possui valores reduzidos aplicados. Por isso, é fundamental construir um plano de investimento sólido, com aportes mensais consistentes. Essa disciplina permite formar uma reserva financeira capaz de gerar renda extra no futuro e proteger seu poder de compra.

* Cleomir Kuhnen é profissional da Sisprime do Brasil, com certificação CFP®

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