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Cooperativas de Trabalho, Produção de Bens e Serviços querem investir em intercooperação

O Sistema Ocepar realizou nessa quinta-feira (10/09), em Curitiba, o Fórum das Cooperativas do Ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços (TPBS). Participaram dez cooperativas, das 15 que integram o ramo. O evento promoveu uma aproximação entre elas e serviu para troca de experiência. A proposta de intercooperação foi recorrente nos debates entre o grupo. A programação incluiu também esclarecimentos sobre a reforma tributária e o impacto no setor e o programa de Educação Política, que propõe o voto consciente como forma de ampliar a representação do cooperativismo no Congresso Nacional. E ainda palestra sobre o futuro do mundo do trabalho.

O representante do ramo, Luciano Ferreira Lopes, da Cooperativa dos Profissionais de Agronomia (Unicampo), abriu o evento, destacando a importância da união das cooperativas para a definição dos principais pontos a serem trabalhados nos próximos meses para o avanço do setor.

Os superintendentes das instituições que formam o Sistema Ocepar – Ocepar, Fecoopar e Sescoop/PR – participaram da abertura. Nelson Costa, superintendente da Fecoopar, convidou os presentes para participarem da reunião dos Encontros de Núcleos Cooperativos de 2026. Será de 16 a 18 de setembro, em Arapoti, Maringá e Laranjeiras do Sul. Costa frisou que nestes encontros um dos principais pontos a serem debatidos é a eleição que se aproxima.

“Hoje temos a Frente Parlamentar do Cooperativismo, formada por cerca de 250 deputados federais e senadores de todo o Brasil que defendem as causas das cooperativas e nos representam no Congresso Nacional. Vinte e seis parlamentares paranaenses integram essa Frente nacional. Queremos fortalecer essa representação”, frisou Costa. Além disso, o superintendente informou que a intenção, na próxima legislatura, é criar uma Frente Parlamentar do Cooperativismo no Paraná, com deputados estaduais, buscando aproximar o setor da Assembleia Legislativa.

O superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti, reforçou o convite para o Encontro de Núcleos. “A Ocepar não tem lado partidário, não nos envolvemos na política partidária, mas trabalhamos para ter uma grande representação em defesa do cooperativismo”, destacou, acrescentando que “temas que impactam diretamente as cooperativas, como a reforma tributária e o crédito rural, são definidos no âmbito do legislativo. Por isso temos que ter o apoio do Congresso Nacional”.

O papel do Sescoop e como ele pode ajudar na qualificação profissional dos integrantes das cooperativas do ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços, foi destacado pelo superintendente José Ronkoski. “O Sescoop atua no desenvolvimento das pessoas. O nosso propósito é profissionalizar as pessoas para que elas possam fazer a gestão dos seus recursos e crescer”, frisou.

Números do ramo

Das 15 cooperativas que integram o ramo no Paraná, nove estão na região Centro-Sul, quatro no Norte e Noroeste e duas no Oeste e Sudoeste. As regiões Norte e Noroeste concentram o maior faturamento do setor, 86,6%. As cooperativas do Centro-Sul respondem por 13,1% do faturamento do ramo enquanto 0,4% do faturamento vem das cooperativas do Oeste e Sudoeste. Os dados são da gerência de Monitoramento e Consultoria do Sistema Ocepar e foram apresentados no evento por Jessé Rodrigues, coordenador da área que conduziu o evento.

“É um ramo que reúne cooperativas que têm atuações bastante diversificadas. Temos cooperativas que prestam serviços de assistência técnica, de mão de obra especializada, de TI, de idiomas, de turismo, de comunicação, de enfermagem, entre outras atuações.  Apesar disso, elas têm demandas bastante parecidas e desafios comuns”, destacou Rodrigues.

Ele avaliou o evento como muito positivo, especialmente pela troca entre as cooperativas que participaram e a discussão sobre as demandas do ramo. “O Sistema Ocepar pode contribuir no encaminhamento das demandas e no desenvolvimento de projetos para fortalecer as cooperativas”, declarou.  

Principais demandas

Entre as principais demandas apresentadas pelo grupo, destacam-se: avançar na pauta da educação política com os cooperados, programando um evento virtual antes das eleições; incentivar a intercooperação entre os ramos do cooperativismo e oportunizar acesso das cooperativas do ramo às maiores cooperativas de outros ramos; criar um portfólio de serviços virtual e atualizável para apresentação das principais atividades executadas pelas cooperativas, como um banco de serviços; atuar junto à prefeitura de Curitiba, para buscar redução no ISS para cooperativas (ato cooperativo); e trabalhar para ampliar o conhecimento referente ao cooperativismo de trabalho no poder judiciário e ministério do trabalho.

Impostos

Um dos temas de maior interesse do grupo foi a questão tributária. O coordenador de consultoria técnica contábil do Sistema Ocepar, Devair Mem, apresentou as atualizações sobre a reforma tributária. Ele detalhou como a questão tributária, com a reforma, impacta as cooperativas do ramo.  Segundo Mem, para um profissional é muito mais vantajoso, sob o ponto de vista tributário, prestar serviço como cooperado de uma cooperativa do que individualmente como autônomo.

Intercooperação

Todas as cooperativas presentes ao Fórum tiveram a oportunidade de se apresentar e falar sobre o trabalho que oferecem. O momento de troca foi importante e serviu para dar início a conversações com vistas a futuras parcerias, por meio da intercooperação. Algumas já têm experiências bem-sucedidas de intercooperação, como é o caso da Coopersergem – Cooperativa de Trabalho dos Prestadores de Serviços em Geral. Com sede em Maringá, a Coopersergem já atende as cooperativas Cocari e Cocamar, fornecendo mão de obra para a movimentação de cargas. “Temos crescido. Estamos atendendo mais de 50 parceiros na região de Maringá, entre eles algumas cooperativas”, informou Cláudio Roberto de Oliveira, presidente da Coopersergem.

Outra que aposta na intercooperação é a Cooperativa Academia de Línguas (Ceilin). O presidente da cooperativa, André Luiz Galor, informou que atende as cooperativas Coamo, Lar, Agrária, Cocamar, Sicredi e Sicoob. “A intercooperação no nosso caso acontece muito e posso dizer que a nossa cooperativa só está viva até hoje por conta disso”, disse Galor. Ele informou, inclusive, que as cooperativas podem utilizar recursos do Sescoop para oferecer cursos de idiomas para os seus profissionais por meio da cooperativa.

A TICoop Brasil, cooperativa de profissionais em tecnologia da informação, com sede em Curitiba e escritório também em São Paulo, também aposta na intercooperação, tendo a cooperativa Coamo como uma de suas principais clientes, conforme informou durante o evento a superintendente Patrícia Kolecha.

Desafios

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelas cooperativas do ramo é disseminar o conceito do cooperativismo. Várias delas relataram que é comum profissionais manifestarem o interesse de ingressar na cooperativa acreditando que terão salário e benefícios quando, na verdade, não há vínculo empregatício e, sim, uma oportunidade de prestar serviço por meio de uma cooperativa de trabalho.  

“É um desafio para nós fazer as pessoas entenderem o que é uma cooperativa de trabalho, explicar que é diferente de um posto de serviço”, disse Denise Scoparo, advogada que participa da Copelcooper, cooperativa formada por ex-funcionários da Copel. O mesmo problema foi relatado por Karin Schellmann, diretora-secretária da Agrociência Cooperativa, que atua principalmente na prestação de serviços na área ambiental. “Para nós também é um desafio fazer as pessoas quebrarem o vínculo do trabalho formal”, disse.

Patrícia Kolecha, da TICoop, relatou que para evitar esse tipo de mal-entendido, a cooperativa adota um ‘filtro’ na seleção de seus cooperados. “Antes de o profissional se tornar um cooperado explicamos detalhadamente o que é uma cooperativa de trabalho e como funciona”, pontuou.

Palestra

Os presentes também acompanharam a palestra do economista, com especialização em liderança e cultura organizacional, Adeildo Nascimento.  O palestrante trouxe provocações sobre o mundo do trabalho do futuro que, segundo ele, tem que ser reconstruído. Para Nascimento, o que vai prevalecer é a sociocracia, um sistema de governança e organização em que o poder é distribuído de forma igualitária entre os membros de um grupo ou empresa.

“O sistema cooperativo, por essência, é um sistema sociocrático, o que é hoje uma das formas mais avançadas de gerenciamento do mundo do trabalho. Por isso, as cooperativas estão com a faca e o queijo na mão. É o modelo de trabalho do futuro”, frisou.

Participaram do evento as seguintes cooperativas:

Agecoop Consultoria Cooperativa de Trabalho

Cooperativa Biolabore

Cooperativa de Trabalho de Enfermagem do Paraná (Cooenf PR)

Coopelcooper Consultoria no Setor Elétrico

Coletiv Cooperativa de Comunicação e Marketing

TICoop Cooperativa de Profissionais de TI

Unicampo Cooperativa dos Profissionais de Agronomia

Coopersergem Cooperativa de Serviços Gerais do Paraná

Agrociência Cooperativa

Cooperativa de Trabalho de Educadores e Instrutores de Línguas (Ceilin)

FOTOS: Júlia Duda / Gerência de Comunicação e Marketing Sistema Ocepar

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