Cooperativas compartilham ações de enfrentamento à violência contra mulheres
O Comitê Interno de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, que reúne representantes do Sistema Ocepar e de cooperativas paranaenses, realizou seu segundo encontro nessa quarta-feira (09/09), de forma online, com a participação de 32 representantes de todo o Paraná. O encontro teve como foco o compartilhamento de experiências e práticas adotadas pelas cooperativas Agrária e Unimed Curitiba para prevenir e enfrentar situações de violência contra as mulheres e ampliar as redes de apoio.
A Agrária foi a primeira cooperativa do país a conquistar o Selo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) de Boas Práticas no Combate à Violência Contra a Mulher, em junho deste ano. Sua trajetória para a conquista da certificação foi compartilhada durante a reunião pela coordenadora de Gestão da Qualidade da cooperativa, Andreia Ramos Partata. O selo é ofertado com a parceria do Instituto Nós Por Elas e reconhece organizações que adotam medidas voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência contra as mulheres.
Partata explicou que a Agrária se preparou para a certificação por meio do envolvimento de diferentes áreas da cooperativa e de referências do mercado, como da Versátil Andaimes, primeira empresa do Brasil a receber o selo da ABNT em fevereiro de 2025.
Como iniciativas, ela mencionou palestras de conscientização, campanhas educativas e ações de comunicação interna, como o uso de cartazes em murais, banheiros e vestiários, informações na intranet e no site da cooperativa. As primeiras ações tiveram início ainda em novembro de 2025, durante uma programação especial do Novembro Azul, com uma ação voltada ao público masculino. Na ocasião, o superintendente da Agrária André Spitzner realizou o lançamento oficial da pleiteação da Certificação Nós por Elas aos colaboradores da cooperativa, reforçando a importância do engajamento masculino na construção de um ambiente mais respeitoso, seguro e consciente.
O momento também contou com a parceria da Polícia Militar, que conduziu a palestra “Papo de Homem”, promovendo reflexões sobre respeito, comportamento e responsabilidade coletiva.
Outro destaque foi o evento Golpes de Liberdade, com a condução da atleta Maira Bandeira. Medalhista de artes marciais, ela compartilhou sua experiência, abordou os cinco tipos de violência previstos na legislação e fez demonstrações de práticas de defesa pessoal.
Segundo Partata, as ações contribuíram para que colaboradoras identificassem situações de violência que, muitas vezes, não eram físicas. Para ampliar a informação, a Agrária produziu materiais educativos e os distribuiu entre as colaboradoras, além de registrar as iniciativas em matérias, fotografias e redes sociais.
Rede de acolhimento
A criação de uma equipe de acolhimento foi outra medida adotada pela Agrária. Uma psicóloga com experiência na área passou a integrar o grupo, que conta com 21 colaboradores capacitados para oferecer uma primeira escuta às mulheres que buscarem ajuda. A orientação é que os integrantes atuem com sigilo e discrição e, quando necessário, acionem as autoridades competentes.
A formação da equipe é contínua, com reuniões periódicas para atualização e alinhamento. A cooperativa também trabalha para que todos os colaboradores saibam, de maneira simples, como agir diante de uma situação de violência e conheçam os integrantes da equipe de acolhimento. Os nomes e as áreas de atuação dos membros são divulgados em murais e outros espaços de circulação.
Informações sobre os canais de atendimento também são disseminadas nas atividades de rotina. A Agrária aproveitou os Diálogos Diários de Segurança (DDS), realizados todas as manhãs, para orientar as equipes e divulgar serviços como o telefone de denúncia 180.
A cooperativa também estabeleceu parceria com a Secretaria da Mulher da Prefeitura, ampliando sua articulação com instituições públicas, conforme previsto em requisitos para a conquista do selo. O processo de auditoria para o Selo Prata incluiu a apresentação das evidências das ações, inclusive o acesso aos canais de comunicação da cooperativa, além de entrevistas com três colaboradoras.
“Nem sempre temos todas as respostas. O importante é a manutenção do processo contínuo. Não há uma resposta pronta”, destacou Andreia Partata, ao falar sobre a construção das ações de enfrentamento à violência.
Apoio para além das colaboradoras
A coordenadora de Educação e Cultura da Unimed Curitiba, Leticia de Oliveira Dib Baby, apresentou a experiência do programa “Mulheres Determinadas, Oportunidades Futuras”, voltado a mulheres em situação de vulnerabilidade social.
A cooperativa já conta, desde 2023, com um núcleo de apoio e acolhimento ao colaborador, que oferece escuta qualificada, acolhimento e apoio emocional. A partir dessa experiência, surgiu uma reflexão sobre como ampliar as iniciativas para alcançar também mulheres em situação de vulnerabilidade que não fazem parte do quadro de colaboradores.
A resposta foi a criação de um programa de desenvolvimento com foco na capacitação e na preparação para o mercado de trabalho. A Unimed Curitiba estabeleceu parceria com o projeto Beleza Escondida para oferecer cursos a colaboradoras e mulheres da comunidade do entorno.
O programa foi estruturado a partir de diferentes módulos, combinando formação e desenvolvimento. Ao todo, 17 mulheres se inscreveram. Como parte da iniciativa, as participantes foram preparadas para o mercado de trabalho e tiveram a oportunidade de concorrer a vagas na própria Unimed Curitiba. Quatro delas foram admitidas pela cooperativa.
Próximo encontro
O encontro realizado na quarta-feira integra a agenda permanente do Grupo de Trabalho de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, que busca promover a troca de experiências entre as cooperativas paranaenses e estimular a adoção de ações concretas de prevenção, acolhimento e proteção.
O próximo encontro do grupo com as cooperativas está previsto para o dia 13 de novembro.