Cooperativas paranaenses participam de exercício de integração e proteção cibernética do Hemisfério Sul
Representantes de cooperativas paranaenses participaram, entre 21 e 25 de setembro, do Exercício Guardião Cibernético (EGC), maior treinamento de defesa cibernética do Hemisfério Sul. Organizado pelo Exército Brasileiro, o evento aconteceu simultaneamente em Brasília, onde ficou o comando, e seis hubs, entre eles o de Curitiba, que teve como local o Centro de Realidade Estendida da PUCPR.
"Atualmente, com o surgimento das IAs e outras tecnologias, há tendência de aumento de ataques cibernéticos com vistas a acessar informações sensíveis, por isso a necessidade da atuação conjunta e massiva para prever eventuais brechas e estar preparado para barrar possíveis ataques”, disse o coordenador de Tecnologia da Informação do Sistema Ocepar, Diego Alves Porfírio. “O sistema cooperativista paranaense tem hoje uma relevância muito grande para a economia, sendo um setor sensível que precisa estar protegido, por isso fomos convidados a participar do exercício”.
O gestor de Tecnologia da Informação da Coopavel Cooperativa Agroindustrial, Rogério Aver, foi um dos participantes. “A paralisação das atividades de uma cooperativa, advinda de ataques cibernéticos, pode comprometer a cadeia de produção, em especial quando falamos da produção de proteínas animais, as quais têm um ciclo de vida curto e sensível. Dessa forma, a participação nesse evento é importante para buscar a mitigação de riscos inerentes à cadeia produtiva, desde a produção em campo até o processamento efetivo em nossas agroindústrias, passando por uma cadeia de valor complexa e interdependente”, ponderou.
Segundo ele, o exercício possibilitou entender melhor a complexidade em atuar na defesa da infraestrutura de TI frente a um ataque cibernético. “Observamos processos e procedimentos a serem adotados para que, em momento de tensão, quando há necessidade de um retorno rápido das operações, não sejam desprezadas informações importantes para uma defesa segura e eficaz”, afirmou. “Fazer parte desse treinamento gera um compromisso junto ao sistema de segurança cibernética nacional, de forma a colaborarmos efetivamente com ações que possam auxiliar empresas a manter a continuidade do negócio frente a possíveis ataques.”
Vicente Ribeiro, gerente de Negócios da Constel Tecnologia, empresa subsidiária criada e controlada pela Cooperativa Agroindustrial Copacol, classificou como de enorme importância a participação no Guardião Cibernético. “Estar inseridos em uma iniciativa conduzida pelo Centro de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro reforça nosso compromisso com a segurança nacional e com o desenvolvimento de soluções que elevam o nível de proteção das infraestruturas críticas do país”, afirmou.
Ribeiro destacou como importante a combinação de diversos fatores: cooperação institucional, infraestrutura de excelência, integração entre setores, aprimoramento técnico e aplicação prática de conhecimento avançado. “Participar de um exercício dessa magnitude nos permite testar nossas soluções, validar metodologias, aperfeiçoar processos internos e ampliar a experiência prática da equipe em cenários de alta pressão. Todo esse aprendizado se traduz diretamente na entrega de serviços de excelência aos nossos clientes, que passam a contar com uma empresa ainda mais preparada, atualizada e alinhada às melhores práticas de defesa cibernética”, disse. Além deles, estiveram realizando os exercícios representantes da Lar e da Coamo.
Guardião cibernético
Na oitava edição, o evento reuniu mais de 1.300 participantes no Brasil, com 300 organizações governamentais, entidades reguladoras e operadores de infraestrutura críticas dos setores de energia, abastecimento, telecomunicações, comunicações, finanças e outros, e representantes de 14 nações. O Exercício Guardião Cibernético tem o objetivo de criar um ambiente de cooperação preparando instituições públicas e privadas para situações capazes de afetar serviços essenciais à população.
A programação incluiu palestras reforçando a disseminação de conhecimentos e a conscientização de que a segurança do ambiente digital depende da atuação coordenada de diferentes setores da sociedade. Na atividade prática, foi simulado um cenário em que um grupo de militares do Exército atuou como atacante, reproduzindo ações e ameaças cibernéticas em larga escala que poderiam comprometer sistemas e serviços essenciais.
Do outro lado, um grupo de especialistas das diversas instituições participantes trabalhou para identificar, conter e responder aos ataques simulados. A dinâmica permitiu colocar à prova procedimentos técnicos e planos de contingência, além de estimular a comunicação e a cooperação entre os diferentes atores envolvidos na proteção de infraestruturas críticas. Dessa forma, o exercício transformou um cenário de crise simulada em oportunidade concreta de aprendizado, aperfeiçoamento e fortalecimento da resiliência das infraestruturas críticas do País.
Pela primeira vez Curitiba foi um dos hubs para a realização do Exercício. A experiência na capital paranaense foi viabilizada pelo Projeto Córtex, que visa promover a pesquisa e o desenvolvimento de soluções para o fortalecimento da soberania tecnológica brasileira, por meio de parceria com a PUCPR e o Instituto Synapse.
FOTOS: Cabo Marcos CCOMSEx e Cooperativa Coopavel