Rally: produtor não pode deixar de lado cuidados com o solo
Uma visita à Embrapa Soja, em Londrina (PR), marcou o primeiro dia do Rally Cocamar de Produtividade 2026/27, nessa terça-feira (15/09) pela manhã. A equipe foi recebida por dois pesquisadores para uma abordagem sobre sustentabilidade: Henrique Debiasi, renomado especialista em solos, e Mariângela Hungria, referência internacional em insumos biológicos e ganhadora em 2025 do Prêmio Mundial da Agricultura e Alimentação, equivalente ao Nobel.
Em sua 12ª edição consecutiva, o Rally foi acompanhado nessa viagem de abertura de temporada pelo jornalista Sérgio Mendes e o repórter cinematográfico Renato Pesarini, do programa de TV RIC Rural (apresentado aos domingos, a partir das 8h, na Rede RIC/Record em todo o Paraná), a jornalista Giovana Campanha e o engenheiro agrônomo Leandro Quaglio, da Sicredi Dexis. Nesta primeira matéria, a entrevista foi com Henrique Debiasi.
Toda atenção ao solo
Em uma safra de verão que promete ser chuvosa, devido à incidência do fenômeno climático El Niño de forte intensidade, Debiasi comentou que o principal risco é a intensificação dos processos erosivos. “Estamos num cenário em que aumenta a probabilidade de eventos extremos, com chuvas fortes, o que afeta a qualidade do principal patrimônio do produtor, que é o solo”, começou dizendo o pesquisador.
Ele lembrou que a colheita do milho de inverno ocorreu já em solo úmido, com o tráfego de máquinas pesadas, causando compactação. “Então, temos um solo já com problemas, como a baixa infiltração de água. Diante da possibilidade de ocorrência de chuvas intensas, isso traz um risco muito grande de erosão”, afirmou.
Outro problema, observou Debiasi, é o encharcamento, que afeta o desenvolvimento inicial da cultura da soja. “Em um solo encharcado, os poros estão ocupados por água e não por oxigênio. Como as raízes precisam de oxigênio, as plantas travam o crescimento e isto gera toda uma condição favorável ao surgimento de doenças radiculares. Em resumo, o cenário é bem complexo”, pontuou.
O que fazer no curso prazo
Se de um lado os produtores não têm mais tempo hábil para um planejamento da safra, de outro eles ainda podem diminuir as chances de risco daquelas intempéries, desde que tomem todo o cuidado possível na operação de semeadura.
Segundo o pesquisador, os produtores estão ansiosos para semear e pressionados pelas condições climáticas, mas alertou: é preciso pensar, antes de tudo, nos riscos para o solo e na produtividade da soja - a cultura que oferece a melhor remuneração dentro do sistema.
Evitar o revolvimento
Para tanto, deve ser evitado o revolvimento excessivo do sulco de semeadura e, da mesma maneira, fazer uma distribuição uniforme das sementes, tanto no cumprimento quanto em profundidade: “É fundamental que as plantas nasçam de maneira uniforme, sem defasagem temporal. Se houver essa defasagem, com uma planta nascendo antes e outra depois, haverá na lavoura com plantas dominantes e dominadas e todo o problema de encharcamento e fungos de solo tende a ficar pior”.
Não semear em solo úmido
Para uma semeadura bem-feita, o cenário ideal – explicou - é entrar com a máquina dois ou três dias após uma chuva. “Evitar fazer a semeadura com solo muito úmido é fundamental, pois com umidade haverá mais revolvimento e pulverização, além de diminuir a cobertura. Não havendo esse cuidado, e se ocorrer uma chuva forte, a tendência é a formação de uma camada compactada na superfície, aumentando o risco de erosão e dificultando a emergência das plantas, podendo, inclusive, levar a operações de replantio”, orientou.
Velocidade ideal
Outro aspecto importante a observar, ressaltou Debiasi, é a velocidade da semeadura: “Hoje as semeadoras, com seus dosadores, permitem velocidade até acima de 8 quilômetros por hora, o que pode prejudicar a qualidade do sulco de semeadura. Quando se passa de 5 ou de 6 quilômetros por hora, há um revolvimento maior do solo, o que significa menos cobertura de palha, mais risco de selamento superficial, bem como de erosão, e de um estabelecimento não adequado da lavoura”.
Regulagem do disco
Por fim, atenção especial deve ser dada à regulagem do disco de corte da palha, que deve ser de no máximo 2 centímetros de profundidade: “Quanto mais profundo o disco de corte, mais revolvimento haverá e um risco maior de espelhamento. O espelhamento vai fazer com que a água infiltre dentro do sulco, o que pode levar ao apodrecimento de raízes e comprometer o desenvolvimento inicial da soja”.
Sobre o Rally
O Rally conta com o patrocínio da Corteva, Sicredi Dexis, Fertilizantes Viridian, concessionária GWM e-Brun Motors Maringá e Cocamar Máquinas/John Deere, com apoio da Unicampo e Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb).
Como acompanhar
O Rally de Produtividade mantém perfil no Instagram e as visitas são publicadas nas redes sociais da Cocamar e da Sicredi Dexis. No próximo domingo (20/9) às 8h, no programa RIC Rural, apresentado em toda a rede RIC/Record no Paraná, será veiculada a reportagem sobre a visita à Embrapa Soja. (Assessoria de Imprensa Cocamar)