Fórum FIC destaca a importância do autocuidado e da saúde mental no trabalho
Cerca de 120 profissionais de cooperativas de todo o Paraná participaram, nesta quinta-feira (08/10) do IV Fórum FIC, evento promovido pelo Sistema Ocepar por meio do Sescoop/PR, com foco no Programa Felicidade Interna do Cooperativismo (FIC). O programa é inspirado no conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB), originário do Reino do Butão, e funciona como uma ferramenta de gestão para medir e aprimorar o clima organizacional e o bem-estar dos funcionários e colaboradores dentro das cooperativas.
O evento teve como palestrantes o mestre em Psicologia Positiva pela University of East London, Henrique Bueno, e o médico, advogado e autor do livro “O que ninguém te contou sobre Burnout”, Marcos Medanha.
Bueno conversou com os participantes sobre a ciência aplicada da felicidade. De acordo com o palestrante, a felicidade consiste em uma habilidade praticada e desenvolvida no dia a dia e explicou que, assim como treinamos músculos com atividades físicas, podemos treinar a mente e as emoções para atravessar crises.
O especialista explicou que o cérebro busca eficiência em seu funcionamento e, para isso, recorre ao hiperfoco, ignorando até 98% das informações que chegam pelos sentidos. Em busca dessa eficiência, o cérebro se apega àquilo que pode dar errado, na tentativa de evitar problemas.
Ele apresentou uma perspectiva diferente sobre resiliência, a partir de referências do Oriente. Ele substituiu o conceito mais tradicional, associado à flexibilidade do bambu, que pode ser envergado sem sofrer avarias, pela arte japonesa de emendar cerâmicas quebradas com laca e pó de ouro, Kintsugi. “Não me convence, essa ideia de que você perde uma pessoa querida da sua vida e, depois de alguns meses, tudo volta a seu lugar como se nada tivesse acontecido. Faz mais sentido pensar nessa situação como algo que deixa, sim, suas marcas, mas com as mais incríveis lembranças”. Ele explicou que a resiliência é uma importante aliada no enfrentamento das dificuldades diárias. “Eu escolho aceitar e me permitir estar cansado hoje e, ao invés de ceder, escolher colocar toda a dedicação no trabalho que eu amo tanto. Esse ‘e’ faz toda a diferença”, concluiu.
Marcos Mendanha apresentou aos participantes a palestra “O autocuidado com a saúde mental e a felicidade no trabalho (e fora dele!). Mendanha é diretor do Cosmo, Congresso de Saúde Mental Ocupacional, realizado periodicamente em São Paulo, e abriu sua fala destacando que quando um líder mostra que cuidado é valor para ele, os liderados se sentem a mais à vontade pra praticar o cuidado também. “Como vocês, como felicitadores, se cuidam para serem felizes? Não estou me referindo à felicidade tóxica, que não reconhece altos e baixos, mas ao que faz sentido em sua rotina”.
Para apoiar os participantes em sua jornada de autocuidado, Mendanha compartilhou estratégias como lazer e ócio sem culpa, controlar o neuroticismo e exercer gratidão, e estabelecer e fomentar vínculos saudáveis e alegradores. “Dieta equilibrada, cuidados com a higiene do sono, exercícios físicos estão entre as recomendações permanentes, são fundamentais para o equilíbrio e o bem-estar”, pontuou.
Sobre o ócio, ele apresentou o conceito contrário, o workaholismo, paralelo ao alcoolismo. “Quando nos deparamos com uma pessoa com alcoolismo, entendemos que há ali um problema. Mas ainda temos pessoas que aplaudem os
O palestrante destacou ainda a importância de ser grato e de formar vínculos para a saúde mental, apresentando um estudo que apontou que o isolamento social pode ser pior para a saúde do que fumar 15 cigarros por dia. “No trabalho, há a construção de laços, que são importantes estruturadores da saúde mental.”