Sistema Ocepar promove palestra sobre o Agosto Lilás
Cerca de 450 pessoas participaram, nesta sexta-feira (14/08), da palestra “A dor que nos une”, com a consultora e palestrante Larissa Hack. Promovido pelo Sistema Ocepar para empregados de cooperativas, o evento marca o Agosto Lilás, instituído pela Lei nº 14.448/2022 para estimular ações de conscientização e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher em todo o país.
A palestra abordou temas a identificação e os ciclos da violência, estratégias de enfrentamento, redes de apoio e cultura de solidariedade. “Estamos felizes em compartilhar essa palestra sobre um tema tão importante”, disse a analista técnica do Sistema Ocepar Maria Fernanda Reis.
Larissa Hack trabalha com temas relacionados aos direitos e protagonismo das mulheres há mais de oito anos, e integra o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, acompanhando de perto os debates sobre políticas públicas. No início da palestra, ela explicou que o Agosto Lilás celebra a Lei Maria da Penha, criada em agosto de 2006 e reconhecida internacionalmente como um marco na proteção de mulheres.
A palestrante recuperou a linha do tempo da legislação brasileira relacionadas aos direitos das mulheres, e os ajustes que foram necessários mesmo após a Lei Maria da Penha, para garantir ferramentas de segurança mais efetivas. Um exemplo foi a aprovação, em 2019, da Lei de Notificação Compulsória da Violência Doméstica (lei nº13.931), que prevê a obrigatoriedade para os profissionais de saúde de fazer a denúncia quando identificam situações de violência.
Hack explicou que a Lei Maria da Penha prevê cinco tipos de violência (física, psicológica, moral, patrimonial e sexual), mas, atualmente, inclui a violência vicária (quando filhos ou familiares são agredidos para causar sofrimento à mulher). A legislação prevê ferramentas como a medida protetiva e a Patrulha Maria da Penha. “As vítimas de feminicídio dão sinais. Demonstram tensão, medo, são hipervigilantes e às vezes não têm autonomia econômica para sair da situação”, detalhou.
Como buscar ajuda
Para prestar auxílio a uma vítima de violência, a consultora orienta uma escuta empática e sigilosa, com respeito à autonomia da mulher e, sobretudo, sem julgamentos. “Deixe que ela compartilhe apenas o que se sentir confortável para falar, evite perguntas que soem como interrogatório”, disse. O Brasil possui o serviço Ligue 180 para esclarecer dúvidas e fazer denúncias anônimas de violência contra as mulheres. Em casos de urgência, o 190 é recomendado.
Hack lembrou ainda que o sinal universal de pedido de ajuda – quando se dobra o polegar para dentro da mão -, que recentemente ajudou a elucidar dois casos de violência no Paraná. “Isso é possível porque estamos fazendo campanhas de letramento, e tem tantas instituições, como o Sistema Ocepar, investindo nisso”, finalizou.
Agosto Lilás
A palestra integra as ações do Comitê de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres do Sistema Ocepar e busca ampliar a conscientização sobre a importância da prevenção e do combate à violência contra as mulheres. Além disso, durante todo o mês, a sede da instituição, em Curitiba, estará iluminada na cor lilás, em referência à campanha.
A adesão ao Agosto Lilás também está alinhada ao compromisso firmado pelo Sistema Ocepar com a Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (Semipi), em julho de 2025, para a promoção de ambientes seguros para as mulheres. Como parte dessa iniciativa, o Sistema Ocepar participa do processo de certificação do Selo Nós Por Elas, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que reconhece organizações que adotam boas práticas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.