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Sanidade animal é requisito para exportação de lácteos

Se o Brasil quer avançar na exportação de leite e produtos lácteos, não pode mais negligenciar a questão sanitária do rebanho.  Sem a sanidade, as portas se fecham. Se não conseguirmos mostrar a segurança sanitária dos produtos, não conseguiremos acessar o mercado. O alerta é do consultor Airton Spies, engenheiro agrônomo com mestrado em produção leiteira e doutor em economia dos recursos naturais. Spies, que foi secretário de Agricultura e Pesca de Santa Catarina, foi o primeiro palestrante da 3ª Semana da Produção e Sanidade Animal das Cooperativas do Paraná, aberta nesta terça-feira (06/10), numa promoção do Sistema Ocepar. O evento, totalmente online, tem cerca de 500 inscritos e prossegue até esta quinta-feira (08/10).   

Spies chamou a atenção especialmente para a brucelose, a tuberculose e a mastite, doenças infecciosas ou inflamatórias comuns na pecuária que afetam não só a produção, mas também, a qualidade dos produtos de origem animal. O consultor informou que alguns mercados importantes restringem a importação de lácteos de países onde essas doenças ainda não são controladas. É o caso da União Europeia, da Inglaterra, do Japão e da China.

Custo de produção e rendimento industrial

O custo de produção e o impacto que essas doenças provocam no rendimento e no valor industrial do leite foi outro ponto destacado pelo palestrante. “Não podemos ter um custo de produção acima de US$ 0,40 por litro, que é o custo médio no Brasil. Isso tira a nossa competitividade”, disse. O custo de referência internacional é de US$ 0,30 por litro.

Além disso, segundo Spies, a mastite afeta diretamente o teor de sólidos no leite   - proteína e gordura, que são determinantes no rendimento industrial, também impactando no custo.  “Precisamos de leite com um maior teor de sólidos. Atualmente, no Brasil esse teor é de 7%, o que é baixo. Na Nova Zelândia, por exemplo é de 9,22%”, comparou. A Nova Zelândia é a maior exportadora mundial de derivados lácteos e referência global em eficiência na pecuária leiteira devido ao seu modelo de produção altamente tecnificado, com um dos controles sanitários e de biossegurança mais rígidos do mundo.

Clientes potenciais

Airton Spies falou sobre a perspectiva de mercado para o leite e derivados. Atualmente, o Brasil não exporta esses produtos, mas há um grande mercado consumidor que pode consumir a produção brasileira, vencidas as barreiras sanitárias e de custo. Ele citou como exemplo os países da África, do Sudeste Asiático, do Oriente Médio e da América Central e Caribe. “São mercados para os quais podemos exportar leite em pó, manteiga, entre outros derivados”, informou.   

Excelência sanitária e eficiência em custo

Na abertura da 3ª Semana da Produção e Sanidade Animal das Cooperativas do Paraná, o presidente-executivo do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, enfatizou a necessidade de avançar na pecuária leiteira. “Com excelência sanitária e eficiência em custo é possível transformar o leite brasileiro em mais uma estrela do nosso agronegócio e acessar novos mercados. É preciso tirar o leite da estagnação da mesma forma que vocês fizeram recentemente com o peixe”, disse, direcionando a mensagem aos representantes de cooperativas presentes ao evento.

Ricken fez referência às regiões dos Campos Gerais e Sudoeste paranaenses onde já há excelência sanitária, mas o custo ainda é alto. “É preciso resolver a questão sanitária em todo o rebanho paranaense e melhorar o rendimento industrial para conseguirmos competitividade global”, frisou.

Não vendemos produto, vendemos sanidade

Também presente na abertura do evento, o médico veterinário e diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Martins, enfatizou a importância da questão sanitária para a produção pecuária. “Não vendemos produto, vendemos sanidade”, declarou. Martins citou a brucelose e a tuberculose como as grandes vilãs da bovinocultura leiteira e reforçou que medidas de biosseguridade não podem deixar de acontecer. O diretor-presidente da Adapar fez referência à parceria que existe no Paraná entre o governo e a iniciativa privada e, em especial, as cooperativas, o que, segundo ele,  tem sido decisivo para o controle sanitário e os avanços na produção pecuária.

Programação

O médico veterinário e analista de Desenvolvimento Técnico do Sistema Ocepar, Alexandre Amorim Monteiro, está conduzindo o evento e detalhou a programação. Segundo ele, ao longo de três dias serão quatro painéis destinados às principais cadeias da pecuária do Paraná - bovinocultura, piscicultura, suinocultura e avicultura. Estão participando gestores, técnicos e produtores rurais ligados às cooperativas paranaenses e, também, estudantes de medicina veterinária, agronomia, zootecnia e áreas ligadas à gestão do agronegócio.

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