Presidente do BNDES reforça interesse em firmar parceria com o setor do cooperativismo
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, desde 2023, cerca de R$ 84,9 bilhões em investimentos para o Paraná. Os números foram apresentados nessa terça-feira (25/08) pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a representantes do setor produtivo do Estado, durante evento na sede do Sistema Ocepar. Mercadante também acentuou o desejo de reforçar a parceria com as entidades. “Recebemos algumas boas sugestões para reflexão, para continuar trabalhando fortemente com o cooperativismo, que é a forma de chegarmos na ponta”, disse. “Somos simpáticos à proposta de sentar e reestudar a configuração dos modelos de financiamento.”
Para o presidente-executivo do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, é importante a abertura dada por Mercadante com vistas a aprimorar o financiamento. “O BNDES é fundamental, é o principal agente financeiro especialmente para a agroindustrialização”, afirmou. Uma das propostas é destinar R$ 10 bilhões ao ano, em condições favoráveis, que também atendam armazenagem, tecnologia e energia. O mesmo pedido se estende para agregação de valor aos serviços prestados pelas cooperativas de saúde, infraestrutura e transportes
O sistema cooperativista entregou documento com pedido de ajustes no Plano Safra, como a redução de 75% para 60% no percentual mínimo de associados com CAF para acesso das cooperativas aos programas Pronaf destinados à agroindústria e cotas-partes, além de adequar a disponibilidade de crédito à escala dos investimentos e à demanda das cooperativas. No seguro rural, foi sugerido R$ 4 bilhões/ano de subvenção, com liberação alinhada ao calendário agrícola. A proposta inclui ainda subvenção diferenciada para culturas de maior risco climático. “É um momento delicado e a questão do clima nos preocupa, por isso queremos apoio do governo para modernizar o processo de seguro”, ponderou Ricken.
Brasil Soberano
O presidente do BNDES disse que as mudanças estruturais no clima também preocupam a instituição, até porque, segundo ele, o Brasil deve ocupar o primeiro lugar em exportação de alimentos este ano. “O BNDES está pronto para responder com brevidade e eficiência como fizemos em passado recente no Rio Grande do Sul. Espero que não tenha a mesma intensidade, mas temos de estar muito atentos e muito presentes”, salientou.
Ele também reforçou o apoio do BNDES para a inovação. “Há total prioridade, porque não tem como ser competitivo sem inovar”, afirmou. “A inovação é o carro-chefe da nova economia, principalmente porque vamos ser muito impactados pela inteligência artificial.”
Outro desafio citado por Mercadante relaciona-se ao abastecimento nacional de fertilizantes, pois a produção foi afetada pela guerra entre Ucrânia e Rússia e pelo conflito no Irã, encarecendo a produção agrícola. Segundo ele, o programa Brasil Soberano já disponibilizou R$ 40 bilhões para socorrer empresas atingidas pelo tarifaço norte-americano. Agora, uma terceira etapa deve dispor de volume superior a R$ 20 bilhões, atendendo as empresas impactadas pelas guerras, pelo tarifaço e pela crise de fertilizantes. “Outra preocupação é com armazenagem, queremos acompanhar para não perder safra e poder gerar mais valor agregado para a indústria”, disse.
Investimento
No primeiro semestre de 2026, o BNDES aprovou R$ 13,28 bilhões em investimentos no Paraná, com desembolso já efetuado de R$ 7,62 bilhões. Segundo os dados, o setor de infraestrutura teve aprovação de R$ 4,98 bilhões, seguido pelo agropecuário, com R$ 4,05 bilhões, indústria, com R$ 2,52 bilhões, e comércio e serviços, com R$ 1,73 bilhões. O presidente do banco salientou que, dos valores desembolsados no primeiro semestre, R$ 4,93 bilhões foram destinados a micro, pequenas e médias empresas.
No período compreendido entre janeiro de 2023 e junho de 2026, os recursos aprovados atenderam vários setores da economia, como infraestrutura (R$ 31,94 bilhões), agropecuária (R$ 27,76 bilhões), indústria (R$ 14,2 bilhões) e comércio e serviços (R$ 10,88 bilhão). Micro, pequenas e médias empresas foram responsáveis por R$ 40,62 bilhões do total de crédito aprovado. Os desembolsos alcançaram R$ 49,9 bilhões, dos quais R$ 28,91 bilhões (58%) foram destinados às MPMEs.
Especificamente em relação às cooperativas brasileiras, Mercadante destacou que, nos últimos três anos e meio, foram aprovados R$ 18,6 bilhões em investimentos. Desse total, R$ 7,04 bilhões (38%) foram para cooperativas paranaenses. Somente no primeiro semestre deste ano, o volume é de R$ 1,3 bilhões. Em apoio indireto a cooperativas, o volume no Brasil foi de R$ 13,5 bilhões entre 2023 e 2026, com 2.098 operações. O Paraná foi o Estado mais beneficiado, com R$ 3,96 bilhões em 556 operações.
Entre os principais projetos citados está R$ 500 milhões, de um total de R$ 1,667 bilhão, investidos pela Coamo na planta de etanol, em Campo Mourão. Também foram financiados R$ 37 milhões, de um total de R$ 38,9 milhões, no projeto de ampliação da capacidade de armazenagem e secagem de grãos na Copacol, em Assis Chateaubriand. A Aurora também modernizou o sistema de geração de frios na unidade de Castro, com investimento de R$ 74,5 milhões, dos quais R$ 50 milhões do BNDES, assim como a Cocamar utilizou R$ 25 milhões do banco para implantar o armazém de farelo de soja em Maringá, com investimento total de R$ 51,5 milhões.
Entre os investimentos de infraestrutura aprovados no Estado, estão as melhorias na EPR Iguaçu. Serão R$ 9,2 bilhões para 662 km das regiões Oeste e Sudoeste (BR-163, BR-277, PR-158, PR-180, PR-182, PR-280 e PR-483). Já a EPR Litoral Pioneiro terá R$ 6,3 bilhões de apoio do BNDES. A rodovia atende cerca de 42 milhões de usuários/ano e terá 350 km de duplicação, 139 km de faixas adicionais, 74 km de vias marginais, entre outras melhorias. Também foram financiados R$ 3,6 bilhões para aeroportos na região Sul.
O evento lotou o auditório da Ocepar e foi acompanhado online pelas cooperativas no interior do Estado, ao todo foram mais de 180 participações. Entre os presentes estavam o presidente do Conselho Deliberativo do Sistema Ocepar, Luiz Roberto Baggio, o presidente-executivo da Ocepar, José Roberto Ricken, os diretores, Divanir Higino, Clemente Renosto, Jean Rodrigues, Jaime Basso ,os superintendentes da Ocepar, Robson Mafioletti, do Sescoop/PR, José Ronkoski, e da Fecoopar, Nelson Costa, a gerente-geral de Negócios da OCB, Clara Maffia, o superintendente da Fiep, João Arthur Mohr, o diretor-geral da Itaipu Binacional, Ênio Verri, o presidente da Copel, Daniel Slaviero, o ex-secretário da Agricultura do Paraná, Eugênio Stefanelo, o presidente da Agepar, Rubens Bueno, superintendente do Mapa, Almir Gnoatto, os deputados federais Gleisi Hoffmann e Zeca Dirceu e o vereador de Curitiba, Angelo Vanhoni.
FOTOS: Reinaldo Reginato