Geopolítica global, mercado asiático e gestão de riscos pautam debate sobre o agronegócio
FOTO: Júlia Duda / Gerência de Comunicação e Marketing Sistema OceparO encerramento do Workshop do Comitê Consultivo do Planejamento Estratégico do Cooperativismo Paranaense (PRC300), realizado nessa quarta-feira (26/08), contou com a participação do professor sênior do Insper e coordenador do Núcleo Insper Agro Brasil, Marcos Sawaya Jank, que apresentou dados sobre o cenário geopolítico mundial no século XXI e perspectivas para o cooperativismo.
A reconfiguração do comércio internacional e os impactos diretos na cadeia produtiva agropecuária foram os temas centrais da análise apresentada pelo professor Marcos Jank. O especialista traçou a evolução do cenário internacional desde o fim da Guerra Fria até o modelo contemporâneo de fragmentação econômica e disputa de influência entre Estados Unidos e China.
Segundo o especialista, “após as décadas de 1990 e 2000, marcadas pela expansão da internet, pela entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) e pelo fortalecimento do livre-comércio multilateral, o comércio global passou por mudanças estruturais. O cenário atual registra o avanço do protecionismo, o retorno de tarifas e cotas de importação e tensões em pontos estratégicos de navegação, como os estreitos de Ormuz, Suez, Bab-el-Mandeb e de Taiwan. As nações importadoras passaram a priorizar a segurança alimentar e o abastecimento interno como elementos de segurança de Estado, em substituição à interdependência comercial”, frisou.
Na sua apresentação, Jank destacou que o Brasil mantém participação expressiva no fornecimento global de alimentos e energia, sustentada pela produção agropecuária tropical:
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Exportações de commodities: Das exportações brasileiras (US$ 260 bilhões), as commodities formam a maior fatia, com 50% originados no agronegócio, 16% em energia e petróleo e 12% na mineração.
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Modelo produtivo: A produção nacional apoia-se em sistemas como o plantio direto, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), a consolidação da segunda safra de milho e os biocombustíveis (etanol de cana e de milho, biodiesel e biometano).
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Demanda asiática: O mercado asiático é o principal destino das exportações brasileiras. O país destina 45% das calorias geradas internamente ao comércio exterior, índice superior à média mundial de exportação, fixada em 20%.
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Estratégia chinesa: A China busca reduzir a dependência externa com investimentos em biotecnologia, irrigação e automação, embora enfrente restrições de água, área agricultável e envelhecimento no campo.
Fatores de risco e diretrizes estratégicas
O cenário operacional do setor produtivo enfrenta variáveis internas e externas que demandam monitoramento:
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Insumos e logística: O país importa de 85% a 90% dos fertilizantes utilizados (nitrogênio, fósforo e potássio), além de apresentar dependência em defensivos e combustíveis e déficit na capacidade estática de armazenagem.
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Economia e mercado: O ambiente de negócios é condicionado por taxas de juros, oscilações cambiais, carga tributária, inflação de custos e recuo nos preços internacionais de grãos e carnes em relação a 2022. O quadro tem reflexos no aumento de pedidos de recuperação judicial e renegociação de dívidas no setor produtivo.
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Fatores climáticos: A ocorrência de eventos climáticos, como o fenômeno El Niño, afeta o rendimento das safras.
Diante desse contexto, Marcos Jank afirmou que “a formulação de estratégias exige a implementação de políticas públicas de médio e longo prazo para seguro rural, agregação de valor e internacionalização da bioenergia. Para as cooperativas e produtores rurais, a administração integrada de riscos — nas frentes de produção, mercado, segurança jurídica e gestão financeira — constitui o eixo necessário para a sustentação dos planos de crescimento”, finalizou.