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Incidência de javalis é ameaça para suinocultura

A alta incidência de javalis no Paraná e em outros estados brasileiros e a ameaça que esse animal selvagem representa para a pecuária, especialmente para os plantéis de suínos, foram temas do painel sobre Suinocultura nessa quarta-feira (07/10), na Semana da Produção e Sanidade Animal das Cooperativas Paranaenses, que está sendo realizada pelo Sistema Ocepar desde  terça-feira (06/10) e encerra nesta quinta-feira (08/10). 

O tema foi abordado pelo biólogo Júlio Daniel do Vale, mestre e doutor em biologia e ecologia. Segundo ele, um dos fatores que mais dificulta o controle do javali é a inexistência de um levantamento para saber exatamente a quantidade de animais e onde estão. “Sem saber quantos são, não se sabe o que fazer porque a estratégia de abordagem muda totalmente conforme a densidade da espécie”, explica.

O biólogo defende um rastreamento e o fechamento de áreas onde se constate que não há incidência de população de javalis para evitar que o animal entre ali, se reproduza e contamine o rebanho e ataque as lavouras. “Temos que decretar ‘áreas livres de javali’ como fizemos com a febre aftosa, por exemplo”, propõe. “Esse é o ideal que todos temos que buscar”, reforça. A partir desse levantamento, onde se constatar incidência pequena de javalis, os animais devem ser eliminados e, nas áreas onde a incidência for muito alta, a estratégia proposta é controlar os danos. 

Segundo o biólogo, pesquisas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que é preciso eliminar pelo menos 70% da população de javalis para que o controle seja efetivo. “Eliminar menos que isso representa apenas custo e não resolve o problema porque o animal se reproduz muito e rapidamente e, em pouco tempo, estará novamente ameaçando os rebanhos e as lavouras”, observa.

Como surgiu 

O javali é uma espécie exótica e foi introduzida no Brasil na década de 1960 para criação comercial e caça. Alguns animais escaparam ou foram soltos e houve o cruzamento com porcos domésticos, surgindo o chamado ‘javaporco’, um animal híbrido altamente resistente e prolífico. São animais que têm grande capacidade de reprodução, se multiplicam de forma acelerada e não têm predadores naturais nas matas brasileiras. Vale explica que por ser animal exótico e por ser considerada espécie invasora e nociva provocando danos ao meio ambiente, o abate do javali é autorizado pelo Ibama.

Ameaça

“O javali e o javaporco provocam impacto direto na saúde de animais e humanos, transmitem raiva e outras doenças, atacam e destroem lavouras e acabam com áreas de reflorestamento”, informa o biólogo. Ainda segundo o profissional, pesquisas indicam que a preferência alimentar dos javalis e javaporcos é pelo milho e cana de açúcar.

O palestrante alertou para a necessidade de ação imediata para o controle da espécie. Segundo ele, de um modo geral não vem se dando a devida atenção para o problema e as consequências podem ser muito graves. “Não dá para não fazer nada e ficar esperando o que vai acontecer”, adverte. Ele cita o exemplo de recentes surtos de peste suína africana e febre aftosa transmitidas por javalis na região da Catalunha, na Espanha, gerando prejuízos de bilhões de euros na pecuária.   

No Brasil, segundo dados oficiais do Ministério da Agricultura, a incidência maior de javalis e javaporcos ocorre nos estados do Paraná e Santa Catarina. No Paraná, estima-se que mais de 200 municípios já estejam ameaçados pela espécie exótica e em Santa Catarina a ocorrência maior é nas regiões serranas, no meio-oeste e no oeste. São Paulo e Minas Gerais são outros estados onde há grande ocorrência da espécie. 

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