Curso de Crédito Rural reúne 230 profissionais de cooperativas
Aproximadamente 230 profissionais de cooperativas agropecuárias e de crédito do Paraná participaram, nesta quarta (28/10) e quinta-feira (29/10), do curso online Crédito Rural, promovido pelo Sistema Ocepar. Tendo como base o Manual de Crédito Rural (MCR), a operacionalização do crédito e as atualizações normativas, o curso, realizado periodicamente, tem como objetivo capacitar cada vez mais os profissionais para prestarem bom atendimento aos produtores rurais do Estado. Entre os temas abordados estiveram as fontes de recursos, documentação e fiscalização para o crédito rural, Plano Safra, regularização ambiental, Proagro e seguro agrícola.
“Vivemos em um cenário econômico cada vez mais complexo e difícil, envolvendo taxas de juros, macroeconomia, questões políticas que interferem no crédito e no seguro, por isso a necessidade de nos mantermos permanentemente bem-informados e atualizados”, disse o analista de Desenvolvimento Técnico do Sistema Ocepar, Anderson Sartorelli. Segundo ele, esses temas já foram discutidos anteriormente em outros cursos e continuarão no radar da organização.
O curso foi ministrado pelo professor da Academia de Negócios Agro, Alex Müller. “O profissional que atua na área do crédito rural precisa deixar esse papel passivo de apenas fazer uma operação de crédito, ele precisa ser um consultor, ele tem a missão de entender o produtor para melhor atender”, afirmou. Por isso reforçou a necessidade de se estreitar ainda mais o relacionamento das cooperativas com seus cooperados.
Tamanho do agro
O professor destacou que o setor agropecuário teve um Valor Bruto de Produção (VBP) da agricultura e pecuária de R$ 1,4 trilhão em junho deste ano. Desse montante, de 60% a 70% é consumido pelo custo de produção, o que significa que são gastos cerca de R$ 1 trilhão em financiamento por safra. Em razão desses volumes, Müller acentuou a necessidade da profissionalização. “Se o produtor não souber administrar o negócio poderá perdê-lo”, alertou. “A propriedade passa a ser um negócio e o produtor rural, um empresário rural, por isso, profissionalizar é questão de sobrevivência.”
Os recursos são captados no mercado bancário, no mercado não bancário (financiamento privado) ou pelo capital do próprio produtor. “O risco no agro tem ficado cada dia maior. O mercado está preocupado e exigindo mais garantias”, ponderou. Por isso, o crédito rural tem sido levado cada vez mais a sério pelas instituições financiadoras. Um dos conselhos do professor foi que os profissionais das cooperativas conheçam em profundidade o Manual do Crédito Rural. “É preciso explorar para entender”, disse.
Plano Safra
Müller falou das dificuldades enfrentadas na elaboração do Plano Safra pelo fato de o ano civil não coincidir com o ano agrícola. Dessa forma, os recursos para o Plano Safra, que vigora a partir de 1.º de julho, precisa ser pensado no ano anterior para se incluir na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA), atravessando dois anos civis.
Segundo ele, há necessidade urgente de se pensar e começar a praticar um Plano Safra plurianual. De acordo com o analista econômico do Sistema Ocepar, Anderson Sartorelli, essa questão tem sido discutida pela entidade. O Sistema Ocepar é uma das entidades que contribuem com sugestões anuais para a elaboração do Plano Safra.
Regularidade ambiental
Ele destacou também a questão da regularidade ambiental como condição de acesso ao crédito. “O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é o documento mais importante e é inegociável”, disse Alex Müller. “Por isso, tem cooperativa criando grupos de compliance ambiental, pois a conformidade socioambiental precisa existir antes da liberação do crédito e permanecer durante toda a vigência do financiamento.” O professor reforçou que irregularidades podem impedir ou desclassificar operação de crédito rural.
Além disso, ele acentuou que o governo tem trabalhado intensamente na interligação de todos os dados da propriedade – Incra; Funai; Ministérios da Fazenda, Agricultura, Meio ambiente; Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e Ibama - para concessão de benefícios. “É preciso sentar com o produtor rural e orientar, pois deve arrochar a partir do próximo ano, o cenário é de mais aperto fiscal”, salientou.
Zarc
Müller acentuou inicialmente a seriedade que o seguro rural e o Proagro têm sido tratados pelo governo e pelas seguradoras. “O produtor tem que estar ciente que se tiver qualquer diferença ou alteração tem de comunicar a seguradora imediatamente”, reforçou. Entre os conselhos está o respeito ao zoneamento agrícola (Zarc). “Se não respeitar, obviamente que o seguro não vai pagar, por isso é preciso pedir que o produtor tenha atenção especial”, afirmou. “Hoje, o Zarc não é apenas ‘calendário de plantio’, ele caminha para avaliar a resiliência do sistema de produção.”