Família comemora 70 anos no Paraná e 50 de Cocamar

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A família Mulati reside em Ourizona – município da região de Maringá – desde 1957. São praticamente 70 anos de uma história de união, incontáveis desafios e conquistas. Na quarta-feira, 19, o Rally Cocamar de Produtividade passou por lá, em sua última viagem da temporada 2025/26.

Como quase todas as outras famílias de agricultores que vieram para o norte do Paraná, o objetivo era cultivar café em terras próprias, conforme lembram os irmãos Décio e Nélson, respectivamente de 85 e 87 anos.

Música raiz

Quando ainda viviam em Batatais (SP), onde nasceram, ambos trabalhavam em uma fazenda e contam que desde jovens, nas horas vagas, iam até a casa do patrão só pelo prazer de ouvirem, no rádio, o programa Na Beira da Tuia, com a icônica dupla Tonico e Tinoco. Naquele tempo, só os mais abastados tinham um aparelho de rádio em casa.

Por isso, desde então, Décio sempre gostou de música raiz e se um violeiro animado aparecer, é garantia de muita cantoria e das boas.

A mudança para o Paraná

Quando começaram a ouvir as notícias de corria de boca em boca sobre o desbravamento do norte do Paraná, os Mulati se animaram diante da chance de prosperar, mesmo sabendo que encontrariam um lugar ainda desprovido de toda a infraestrutura necessária.

Trabalharam como empreiteiros em Arapongas e Alto Paraná e, após juntar um dinheiro, compraram 10 alqueires em Ourizona onde havia um cafezal bastante judiado por uma geada.

E foi assim que os pais, seu Alexandre e dona Maria, começaram a história como cafeicultores, ao lado de seus oito filhos. Além de Décio e Nelson, tiveram Basílio, Antônio, Osvaldo, Abigail, Aparecida e Marino.

Lembranças vivas

Já se passaram cinco gerações, desde então, mas as lembranças estão vivas. Décio e Nélson contam que o rancho onde viveram inicialmente havia sido levantado com troncos de palmito, coberto por tabuinhas e em chão de terra batida.

Como a casinha ficava do lado de fora, o penico era indispensável. E, sem condução, caminhavam a pé um longo trecho para assistirem à missa. Como todos os moradores, iluminação só à base de lampiões e lamparinas. Para o banho, duas opções: bacia e o balde com chuveiro na base, usando água quente recolhida do córrego.

“Eram tempos difíceis, mas a gente vivia bem e com fartura”, conta Décio, dizendo que, basicamente, só compravam farinha, açúcar, sal e querosene. E afirma ter saudades de quando abatiam um porco e a carne era distribuída junto aos vizinhos, e da também das confraternizações.

Os primos na gestão

Atualmente os primos José Aparecido Mulati, filho de Décio e dona Zelinda, e Antônio José Mulati, filho de Nélson e dona Zilda (em memória), estão à frente dos negócios.

Dona Zelinda conta que a mulher era muito exigida naqueles tempos. Tinha que fazer de tudo: ajudar na roça, preparar as refeições, cuidar dos filhos, esquentar água para o pessoal tomar banho, costurar e remendar roupas, fazer sabão...

Soja e milho

Depois da geada brava de 1975, que acabou com os cafezais, eles ainda insistiram por mais alguns anos com essa cultura, lidaram com gado, plantaram soja e trigo, mas, com o passar do tempo, seguiram a tendência dos demais produtores da região, de concentrar nos negócios no cultivo de grãos, soja em especial. O trigo perderia lugar para o milho no inverno.

Cooperado desde 1976, quando a Cocamar inaugurou a unidade na vizinha São Jorge do Ivaí, Décio completou neste ano 50 anos de ativa participação na cooperativa.

Um orgulho

Juntando toda a família, são cerca de 60 integrantes, muitos dos quais atuam em outros segmentos, enquanto alguns dos filhos de José Aparecido e Antônio estão já participam ou estão se preparando para dar continuidade ao trabalho na agropecuária.

É como diz dona Zelinda: “Nosso orgulho são os filhos e netos”.

Os Mulati são exemplos de produtores que, graças ao seu suor, venceram e têm motivos também para se orgulharem de sua história.

Essência

 Para o engenheiro agrônomo Alan Donel, responsável pelo atendimento técnico à família Mulati, “ela representa com orgulho a essência do cooperativismo no campo. Unidos pelo trabalho, pela dedicação e pela confiança, pai, filhos e tio conduzem a lavoura com comprometimento e responsabilidade, mostrando que os melhores resultados nascem da união familiar e da paixão pelo que fazem”.

Alan diz também que mais do que produzir, a família constrói diariamente uma história baseada em parceria, respeito e cooperação: “a relação de confiança fortalecida ao longo dos anos demonstra os valores de quem acredita na força do trabalho em conjunto e no crescimento coletivo”.

E completa: “famílias como os Mulati reforçam o verdadeiro espírito cooperativista: pessoas unidas por um propósito comum, cultivando não apenas a terra, mas também relações sólidas, tradição e desenvolvimento para o campo”.

Sobre o Rally

 O Rally Cocamar de Produtividade, realizado há 11 anos consecutivos, conta com o patrocínio da Corteva, Sicredi Dexis, Fertilizantes Viridian e Bonsai Nissan Motors, com o apoio da Unicampo, Aprosoja/PR e Cesb. (Assessoria de Imprensa Cocamar)

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