Debates entre cooperativas e palestra com jornalista Carlos Sardenberg encerram I Fórum de Agroindustrialização
Representantes de oito cooperativas paranaenses palestraram durante o I Fórum de Agroindustrialização, promovido pelo Sistema Ocepar na última quinta-feira (121/06). Os profissionais apontaram os principais desafios de seus negócios, bem como os investimentos programados em cada área.
O primeiro Painel Temático ocorreu ainda pela manhã e discutiu o cenário de Proteína Vegetal. Participaram o Superintendente de Negócios da Agrária, Jeferson Caus, que falou sobre o mercado da cevada e os investimentos na Maltaria (intercooperação entre Agrária, Bom Jesus, Capal, Castrolanda e Frísia), o Diretor Industrial da Coamo, Divaldo Corrêa, falando sobre os investimentos em etanol, e a Gerente de Produção de insumos pecuários da Cocamar, Jessica Cremonezi, pontuando sobre o mercado de soja. A condução do painel foi realizada pelo economista da Gerência de Desenvolvimento Técnico da Ocepar, Salatiel Turra.
No período da tarde, as atividades começaram com o I Painel Temático de Proteína Animal, com o tema “Desafios e Oportunidades para as Agroindústrias das Cooperativas”. Participaram o Gerente de Integração de Peixes da Copacol, Nestor José Braun, falando sobre piscicultura, o Vice-presidente da Coasul, Paulo Roberto Fachin, abordando o mercado do frango, e o Gerente do departamento de Produção Animal da C.Vale, Fernando Varolo, também comentando sobre a produção avícola. O painel foi coordenado pelo Gerente Técnico e Econômico do Sistema OCB, João José Prieto.
O terceiro painel também teve como tema a Proteína Animal. Com a condução do médico veterinário da Gerência de Desenvolvimento Técnico da Ocepar, Alexandre Monteiro, o momento foi de ouvir o Presidente Executivo da Frimesa, Elias Zydek, que falou sobre o cenário de suínos, e o Vice-Presidente da Castrolanda, Armando Carvalho, comentando sobre a cadeia do leite e a Unium, que surgiu da união entre Frísia, Castrolanda e Capal.
Agroindustrialização no Paraná
Após os painéis, o superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti, apresentou o cenário da agroindustrialização nas cooperativas paranaenses. Segundo ele, hoje são 161 agroindústrias em operação no Paraná, de vários tamanhos. “Atualmente, temos 10 novos projetos agroindustriais, basicamente para soja, biodiesel, etanol de milho, maltaria, lácteos, rações, frangos e peixes. Hoje, 100% da nossa proteína animal é industrializada, além de lácteos, sucro-alcooleiro e cevada. Nas cadeiras produtivas da soja, milho e trigo, temos cerca de 55% industrializadas e 30% trigo. Pelo planejamento de investimentos, para 2028 vamos ter 65% de industrialização para soja e milho e 40% para o trigo recebido pelas cooperativas”, observou.
Desafios da Agroindustrialização
O âncora da rádio CBN, Carlos Sardenberg, finalizou o evento com a palestra “Cenário brasileiro, mundial e os desafios da agroindustrialização cooperativista do Paraná”. O jornalista começou falando sobre as condições macroeconômicas atuais. “Até três, quatro meses, tínhamos expectativa razoavelmente positiva para 2026, com inflação perto de 4%, que permitiria a redução da taxa básica de juros (Selic). Mas saiu diferente disso e uma das causas foi a guerra do Oriente Médio, que gerou inflação não apenas no petróleo, mas de todas as atividades que têm a ver com combustível, como transporte por navio, frete, produtos derivados, como alguns tipos de fertilizantes.”
Sardenberg afirmou que uma das principais estratégias do Brasil deve ser buscar parcerias comerciais com outros países, um trabalho que exige política externa competente para fechar acordos satisfatórios. Para ele, a atuação do governo é necessária para acompanhar o crescimento do agronegócio brasileiro. “Em 2025, o PIB do Brasil cresceu 2,3%, segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas). Já o PIB do Agro cresceu 11,8%. Nos anos 2000, a exportação do agro chegava a US$ 20 bilhões. Atualmente, são US$ 170 bilhões para mais de 200 países”.
Para finalizar, o palestrante pontuou que o Brasil precisa encarar problemas antigos e que os produtores não podem ficar alheios aos avanços tecnológicos. “Como país, precisamos resolver o problema da mão de obra e questões regulatórias, principalmente. Nossa próxima revolução será produzir mais com menos. Para isso, é preciso aderir ao uso de Inteligência Artificial (IA), agricultura de precisão, big data e nanotecnologia”, concluiu.
Ao final do evento, o presidente executivo do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, agradeceu os presentes e afirmou que os debates vão continuar com as cooperativas paranaenses, com o objetivo de incentivar a intercooperação e os investimentos. Ricken pontuou que outros eventos serão organizados pelo Sistema Ocepar para promover o crescimento da agroindustrialização e a agregação de valor ao que é produzido por milhares de cooperados no estado do Paraná.
Confira como foi a programação da manhã do I Fórum de Agroindustrialização do Sistema Ocepar. https://paranacooperativo.coop.br/noticias-cooperativismo/sistema-ocepar-realiza-i-forum-de-agroindustrializacao-das-cooperativas-paranaenses
(Comunicação Sistema Ocepar).