Mostra em Londrina evidencia avanço do uso de inteligência artificial no cooperativismo
A inteligência artificial já começa a ocupar um espaço mais concreto na rotina das cooperativas paranaenses. Em vez de permanecer restrita às discussões sobre o futuro da tecnologia, a ferramenta passou a ser explorada para responder a demandas específicas das organizações.
Esse movimento esteve no centro da Mostra de Projetos da Residência em Inteligência Artificial – Turma Sescoop, realizada em 25 de setembro, em Londrina (PR), no Hub Senai Paraná Cooperativo, iniciativa que surgiu, em 2023, de uma parceria entre o Sistema Fiep, por meio do Senai Paraná, e o Sistema Ocepar, por meio do Sescoop/PR, para aproximar tecnologia, inovação e conhecimento das necessidades do setor cooperativista, com a participação do UniSenai PR na formação e no desenvolvimento de pessoas.
O encontro reuniu participantes da primeira turma do programa para apresentar os projetos desenvolvidos ao longo da formação e compartilhar experiências sobre a aplicação da IA em diferentes contextos. A iniciativa envolveu 38 cooperativas ao longo de dois anos, em uma jornada que combinou capacitação, experimentação e desenvolvimento de soluções.
Mais do que apresentar os trabalhos produzidos durante a residência, a mostra evidenciou uma mudança de perspectiva: a inteligência artificial passa a ser compreendida não apenas como uma tecnologia a ser conhecida, mas como um recurso que pode ser incorporado à estratégia e aos processos das cooperativas quando conectado a necessidades concretas.
Conhecimento conectado aos desafios das cooperativas
Para o Sescoop/PR, a participação na residência surgiu justamente da necessidade de entender como a inteligência artificial poderia gerar valor para o cooperativismo. A formação buscou ampliar as competências internas e, ao mesmo tempo, aproximar o conhecimento tecnológico de situações encontradas no dia a dia das organizações.
Segundo Maria Fernanda Reis, analista de desenvolvimento humano no Sescoop/PR, um dos principais ganhos da experiência foi criar condições para que o conhecimento pudesse sair do campo conceitual e avançar para aplicações alinhadas à realidade das cooperativas.
“A participação do Sescoop/PR na Residência em Inteligência Artificial foi motivada pela necessidade de compreender, na prática, como a IA pode gerar valor para o cooperativismo paranaense. Percebemos que a inteligência artificial deixava de ser uma tendência futura para se tornar uma ferramenta estratégica, capaz de apoiar a inovação, aumentar a produtividade e aprimorar a tomada de decisão”, afirma.
A experiência também trouxe desafios relacionados à adoção responsável da tecnologia. Para além de aprender a utilizar novas ferramentas, os participantes precisaram considerar aspectos como segurança, confiabilidade, sustentabilidade e aderência às necessidades de cada organização.
Essa aproximação entre conhecimento e realidade empresarial foi um dos diferenciais da iniciativa. Ao longo da trajetória, profissionais puderam trocar experiências com especialistas e colegas de outras cooperativas, ampliando a compreensão sobre diferentes possibilidades de uso da IA e identificando desafios que podem ser compartilhados pelo setor.
Na avaliação de Maria Fernanda, esse ambiente colaborativo é fundamental para acelerar a transformação do conhecimento em soluções.
“Iniciativas como a Residência em IA são fundamentais porque criam uma ponte entre o conhecimento acadêmico, o desenvolvimento tecnológico e as necessidades concretas das cooperativas. Esse ambiente de colaboração permite que pesquisas e metodologias avançadas sejam aplicadas a desafios reais, acelerando a inovação e reduzindo a distância entre teoria e prática”, destaca.
Formação para uma nova etapa de inovação
A realização da mostra também representa um marco para o Hub Senai Paraná Cooperativo e para o processo de formação da primeira turma. Ao longo dos dois anos, os participantes tiveram contato com conceitos, ferramentas e metodologias relacionadas à inteligência artificial, mas, principalmente, foram estimulados a experimentar possibilidades de aplicação dentro de suas próprias realidades.
Para Silvana Mali Kumura, coordenadora do Instituto Senai de Tecnologias da Informação e Comunicação e do Hub de IA, esse aspecto torna a formação especialmente relevante. A proposta, segundo ela, foi criar um ambiente em que o aprendizado pudesse ser acompanhado pela experimentação e pela resolução de problemas.
“A primeira turma da Residência em Inteligência Artificial representa um passo importante na construção de uma cultura de inovação dentro das cooperativas. Ao longo desses dois anos, conseguimos unir formação, desenvolvimento de projetos e desafios reais, permitindo que os participantes não apenas conhecessem a inteligência artificial, mas experimentassem como ela pode gerar soluções aplicáveis aos seus negócios”, explica.
A mostra, nesse sentido, funcionou também como espaço de compartilhamento. Ao apresentar os projetos desenvolvidos, os participantes puderam tornar visíveis os aprendizados acumulados durante a residência e ampliar a circulação de experiências entre organizações com diferentes perfis.
Próximos passos
A apresentação dos projetos em Londrina marca uma das etapas de encerramento da primeira turma, mas não representa o fim da jornada. A programação terá continuidade em 16 de outubro, com o encerramento formal da turma 1, a premiação dos 5 projetos melhor avaliados dessa turma e o lançamento da turma 2 da Residência em Inteligência Artificial.
A continuidade do programa amplia a possibilidade de levar para novas cooperativas os conhecimentos e aprendizados acumulados na primeira edição. Ao mesmo tempo, a experiência da turma pioneira contribui para consolidar uma rede de profissionais que já vivenciou, na prática, os desafios e as possibilidades de incorporar a IA às organizações.
Para o cooperativismo paranaense, o movimento sinaliza uma agenda que combina desenvolvimento de pessoas, inovação e aplicação tecnológica. A partir dos projetos apresentados na mostra, a inteligência artificial deixa de ser apenas tema de capacitação e passa a integrar uma trajetória de experimentação e construção de soluções conectadas às necessidades do setor. (Assessoria de Imprensa Senai/PR)