CAMPO: \"Carro zero, só em consórcio\"
Apesar da produção recorde, a rentabilidade da safra de 2007 não irá superar a de anos como 2003 e 2004, avaliam produtores de soja da região de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. O produtor João Conrado Schmidt, que tem 1.200 hectares de área plantada e vem aproveitando os dias de sol para a colheita, não se mostra animado. “A coisa não é tão boa como está sendo pintada.” Ele plantou a soja com o dólar a R$ 2,25 e colhe com cotação de R$ 2,07. Da mesma forma que os custos diminuíram em relação a anos anteriores, a renda também é afetada. Segundo Schmidt, não será possível fazer investimentos na propriedade ou em maquinários. “Carro zero, só em sorteio de consórcio”, afirma, referindo-se à sua nova aquisição. Schmidt reclama que o dinheiro terá de ser usado no pagamento dos financiamentos dos dois anos anteriores. “Precisamos de duas a três safras boas para podermos pagar algo do passivo deixado pelas duas safras passadas”, aponta.
Combustível - O produtor Johannes R. Kassies, de Carambeí, lembra que a alta do combustível neste ano impediu maiores projetos de investimentos. “Além do dólar baixo, o combustível está muito caro e nos prejudica”, considera. Outro ponto negativo, segundo ele, foi a ferrugem asiática, que exigiu mais aplicações de fungicida. Ele e mais dois sócios plantaram 220 hectares de soja. A maioria das áreas recebeu duas aplicações de fungicida. “Mas, teve área que precisou receber três”, acrescenta. No caso de Kassies, o dinheiro da safra também será usado no pagamento dos financiamentos de safras passadas.
Sem investir - “Não vou fazer nada de investimento”, diz o produtor Rubens Selski, que trabalha na colheita de 1.500 hectares de soja plantados em Ponta Grossa. “Pode ser que nas próximas safras nós possamos voltar ao normal. Mas, por enquanto, o dólar está castigando muito o produtor e os preços das sacas não condizem com a realidade”, argumenta. (Tudo Paraná)