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AGROTÓXICOS: PF prende acusados de contrabando no Paraná


A Polícia Federal prendeu hoje 21 pessoas acusadas de participar de uma quadrilha de contrabandistas de agrotóxicos no Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Segundo as investigações, o produto é de origem chinesa e entra no Brasil pelo lago de Itaipu, na divisa com o Paraguai. A base das operações seria a cidade de Guaíra, no oeste do Paraná, a cerca de 640 quilômetros de Curitiba. Apenas no período de seis meses, em que foram realizadas as investigações, a PF apreendeu mais de 10 toneladas do produto. A operação mobilizou 120 policiais. As provas contra as pessoas presas hoje foram levantadas pela polícia a partir da detenção de caminhoneiros que transportavam os produtos ilegais. O agrotóxico era camuflado em caminhões no meio de móveis usados ou sob toneladas de adubos. As investigações apontaram que pelo menos 26 pessoas estão envolvidas. A Justiça expediu mandado de prisão para 22 delas e outros 18 mandados de busca e apreensão. Foram recolhidos vários documentos, embalagens e rótulos, além de automóveis, caminhonetes blindadas e lanchas de luxo. Segundo a polícia, o agrotóxico era comprado no comércio paraguaio e colocado em embalagens fabricadas em Maringá, no norte do Paraná.

Rótulos falsos - Os rótulos eram feitos por uma gráfica de Guaíra. Depois entrava clandestinamente por meio de barcos que cruzavam o lago de Itaipu. Para conseguir maior lucratividade, o agrotóxico era misturado a outros produtos químicos mais baratos. A distribuição era feita para vários Estados, sobretudo Mato Grosso. Os nomes dos presos não foram divulgado pela polícia, que disse apenas que um dos principais articuladores mora em Guaíra. Em sua residência eram feitas as reuniões para tratar de detalhes do contrabando e da distribuição do produto.

Notas frias - O agrotóxico ficava armazenado em galpões de empresas e insumos agrícolas, cujos proprietários forneciam notas "frias" para que os caminhões pudessem circular. Os donos desses galpões também foram presos. De acordo com a polícia, a quadrilha mantinha "veículos batedores", que iam à frente dos caminhões para alertar caso houvesse policiamento nas estradas. A polícia descobriu ainda que muitos compradores pagavam o produto ilegal com automóveis, tratores, máquinas e implementos agrícolas. Um despachante de Guaíra também foi preso, sob acusação de usar "laranjas" para que os carros pudessem ser vendidos sem que o dinheiro passasse pela conta dos membros da quadrilha. Os investigados foram acusados pelos crimes de formação de quadrilha, contrabando, transporte e uso de agrotóxico e embalagens irregulares, sonegação tributária e lavagem de dinheiro. A Justiça determinou a apreensão de bens de cada um no valor individual de até R$ 630 mil para pagamento de possíveis multas. (Agência Estado)

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