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TRIGO IV: O controle estatal e a baguete francesa

Para produzir as 7,5 milhões de toneladas de farinha de trigo demandadas pelo mercado brasileiro a cada ano, a indústria moageira precisa de 10 milhões de toneladas de trigo. Metade desse volume é do tipo "pão", que, como o próprio nome diz, é usado largamente na panificação. "É um trigo com força de glúten que rende uma farinha que se 'faz sozinha', ou seja, com adição de sal, fermento e água dá um bom pão", diz Reino Pécala Rae, assessor institucional da associação que representa as indústrias moageiras de trigo do Brasil, a Abitrigo.

Diferença - Mas, a diferença entre a baguete francesa e o pãozinho brasileiro está no tempo em que a produção nacional ficou controlada pelo governo sem preocupações com qualidade e classificação, condição que perdurou até o começo dos anos 90, segundo Rae. "Depois dessa fase, houve muito progresso, mas o atraso em relação ao trigo do Canadá, dos EUA, e o argentino ainda é grande".

Tipo brando - Os cereais de menor força de glúten (tipo brando ou tipo pão fraco) dividem a outra metade do bolo que atende o mercado brasileiro. Com um pouco menos de glúten, ensina Rae, dá para produzir massa para macarrão, demanda que representa 20% do mercado brasileiro, e também farinha doméstica que equivale a 15% do consumo de trigo pela indústria nacional. O trigo brando é usado largamente na produção de biscoito e representa 10% da demanda nacional dos moinhos pelo cereal. Mas não é só porque é usado para biscoitos, que não há exigências. "O trigo precisa ter, por exemplo, coloração bem clara", diz Rae. (Valor Econômico)

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