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Programa de Educação Política fomenta participação e voto consciente

O cooperativismo paranaense entra em mais um ciclo eleitoral com um objetivo claro: fortalecer sua representatividade política de forma organizada, técnica e apartidária. Para o presidente-executivo do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, a defesa dos interesses do cooperativismo exige participação ativa dos cooperados na vida pública, sem abrir mão dos princípios de neutralidade política que caracterizam o movimento. Ricken foi entrevistado por Ilivaldo Duarte no Momento Coamo de 22 de setembro, no canal da cooperativa no Youtube, no programa semanal de entrevistas que está no ar regularmente às terças-feiras, com temas de interesse do cooperativismo e agronegócio.

Segundo Ricken, o Programa de Educação Política do Cooperativismo nasceu em 2018, após decisão tomada em assembleia pelas cooperativas paranaenses. A iniciativa surgiu da necessidade de organizar melhor o setor para acompanhar os debates e decisões que impactam diretamente a atividade econômica e social das cooperativas. “O ser humano é um ser político. E isso no bom sentido, não da politicagem. As cooperativas decidiram incluir no planejamento um programa de educação política para que pudéssemos nos organizar melhor e defender os interesses do cooperativismo nos níveis nacional, estadual e local”, afirma Ricken.

Entre os principais objetivos está o estímulo à participação eleitoral. O dirigente destaca que a elevada abstenção registrada nas eleições preocupa o setor. “Nosso primeiro objetivo é diminuir a abstenção e incentivar que as pessoas votem de forma consciente. Quem não participa acaba abrindo mão de contribuir com as decisões que afetam a sociedade.”

Além de incentivar o exercício da cidadania, o programa busca fortalecer a atuação institucional junto aos parlamentares que defendem pautas ligadas ao cooperativismo e ao agronegócio. Nesse contexto, Ricken ressalta a importância da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Congresso Nacional. “Eu não saberia dizer o que seria de nós hoje sem a Frente Parlamentar do Cooperativismo e sem a Frente Parlamentar da Agropecuária. Basta acompanhar as decisões que estão ocorrendo. Precisamos saber nos proteger e defender os interesses do setor.”

Para o presidente-executivo da Ocepar, essas frentes parlamentares funcionam como instrumentos legítimos de interlocução entre os diversos segmentos produtivos e os representantes eleitos. “São parlamentares que conhecem o setor, entendem nossas pautas e ajudam a construir soluções. Temos com quem dialogar e apresentar as demandas das cooperativas.”

Neutralidade partidária e protagonismo

Ricken reforça que o cooperativismo mantém posição apartidária, mas entende que neutralidade não significa omissão. “Nós somos neutros politicamente. Isso não nos dá o direito de sermos omissos em relação à política. Temos cooperados de todas as tendências e partidos. O que nos une é a defesa das cooperativas.”

O dirigente observa que a política defendida pelo movimento cooperativista está relacionada à representação institucional e à construção de um ambiente favorável ao desenvolvimento econômico e social. “Se a gente não cuidar do que é nosso, alguém vai cuidar por nós. E nem sempre atenderá às nossas necessidades. Por isso, precisamos apoiar quem compreende a importância do cooperativismo.”

Resultados de conscientização

A mobilização iniciada em 2018 ganhou maior estrutura a partir de 2022, quando a Ocepar criou uma área especializada em ciência política e relações institucionais. Naquele ano, 34 candidatos ao Congresso Nacional procuraram espontaneamente o sistema cooperativista para participar do programa de educação política. “Desses 34 candidatos, 15 foram eleitos. Evidentemente não apenas com os votos do cooperativismo, mas eles reconhecem que esse trabalho de conscientização foi importante e assumiram compromissos com as pautas do cooperativismo e do agronegócio.”

Segundo Ricken, a iniciativa permitiu construir uma rede de relacionamento que hoje facilita a mobilização em torno de temas estratégicos para o setor. “Quando precisamos defender alguma pauta, conseguimos mobilizar esses parlamentares, que por sua vez também articulam apoio de outros congressistas.”

Preparação

Para este próximo processo eleitoral, o Sistema Ocepar ampliou sua estrutura de capacitação e acompanhamento político. Uma das iniciativas foi oferecer uma pós-graduação em Ciência Política voltada a lideranças e profissionais ligados ao cooperativismo.
O trabalho também inclui um comitê permanente de estudos, parcerias com o Tribunal Regional Eleitoral e diálogo com o Ministério Público Eleitoral para garantir que todas as ações ocorram dentro dos limites estabelecidos pela legislação. “Queremos seguir rigorosamente a lei. Não queremos ferir a legislação em momento algum. Todo o trabalho está sendo construído de forma técnica, transparente e responsável.”

Por meio de uma rede de comunicação com cooperados e lideranças, o Sistema Ocepar pretende ampliar o alcance das ações de conscientização política. Em 2018, cerca de um milhão de pessoas tiveram acesso aos conteúdos do programa. Em 2022, esse número chegou a dois milhões. A meta agora é alcançar três milhões de pessoas. “Não vamos fazer campanha para candidatos. Nossa função é divulgar a importância do voto consciente e a necessidade de apoiar quem apoia o cooperativismo.”

A força econômica do cooperativismo

Ricken destaca que o crescimento da representação política acompanha a relevância econômica alcançada pelas cooperativas paranaenses. Atualmente, cerca de 66% da produção de grãos do Paraná e aproximadamente 50% da produção de carnes passam pelo sistema cooperativista.

Além disso, o setor reúne milhões de cooperados, gera mais de 160 mil empregos e está presente em sete ramos de atividade: agropecuário, crédito, saúde, transporte, consumo, infraestrutura e trabalho. “O cooperativismo pertence à sociedade. Hoje é um dos setores mais organizados da economia paranaense e exerce papel fundamental no desenvolvimento do Estado.”

O presidente da Ocepar também ressalta a capacidade das cooperativas de agregar valor à produção por meio da industrialização e da presença em diferentes mercados. “Hoje contamos com mais de 160 agroindústrias distribuídas pelo Paraná. Essa estrutura gera renda, segurança e confiança ao cooperado.”

Ricken reforça também a importância da união e da participação dos cooperados na construção do futuro do setor. “Sozinho você pode até ir mais rápido, mas em conjunto e organizado você vai muito mais longe e com muito mais segurança. Pratique, participe, apoie e viva o cooperativismo, porque essa é a melhor solução.”

Para assistir ao Momento Coamo com Ricken, acesse https://www.youtube.com/watch?v=suv7oMEIlB4. (Assessoria de Imprensa Coamo)

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