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PAP 2010/11 IV: Recurso para safra é recorde, mas dívida do produtor também

O sistema de crédito oficial vai oferecer 7,5% mais recursos para a agricultura comercial na safra 2010/11 na comparação com o último ano. O orçamento é de R$ 100 bilhões, um valor recorde, que foi multiplicado por quatro desde a safra 2002/03. A cifra foi confirmada nesta segunda-feira (07/06) pelo ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto o Plano Agrícola e Pecuário - o plano safra - era anunciado em Brasília, o setor produtivo fazia contas Brasil afora. Os representantes do agricultores e pecuaristas do Paraná chegaram à conclusão que faltarão recursos a juros controlados para financiar a produção.

Valores - Além dos R$ 100 bilhões oferecidos à agricultura comercial, outros R$ 16 bilhões devem ser direcionados à agricultura familiar. Esse valor teve acréscimo de 6,7%, a ser confirmado nos próximos dias pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Ao todo, R$ 116 bilhões poderão ser acessados para cultivo e investimento. O juro padrão foi mantido em 6,75%. A estimativa é que o Paraná, responsável por 20% da produção nacional de grãos, seja o destino de 13% dos recursos.

Pleito - Os sindicatos e organizações do agronegócio haviam reivindicado R$ 130 bilhões. "Esperávamos mais pelas necessidades do setor. A expectativa era de que os recursos para subvenção de seguro agrícola, por exemplo, chegassem a R$ 600 milhões, mas só R$ 238 milhões estão no orçamento. Além disso, a parcela de recursos a juros livres (de mercado) aumentou (de 13% para 15%)", disse o gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra.

Necessidade - Os R$ 100 bilhões vão suprir cerca de 25% da necessidade de crédito do ciclo 2010/11, estimou o economista Pedro Loyola, da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). Segundo ele, produtores continuarão tendo de buscar dois terços dos recursos nos bancos e nas tradings (incluindo sistemas de troca de produto por insumo).

Produção recorde - A necessidade de crédito teria crescido num ano de produção recorde. "O problema é que o câmbio desfavorável reduziu a renda dos produtores", aponta Loyola. Um estudo da Faep mostra que a cotação média do dólar ante o real entre janeiro e maio caiu 19,8% de 2009 para 2010 e que isso fez com que as cotações internas dos grãos fossem reduzidas bem mais do que as internacionais. A soja recuou 4% na Bolsa de Chicago e 27% no Paraná. No milho a diferença foi de 5% para 18% e no trigo, de 10% para 17%, aponta o relatório da Faep.

Dívidas - O produtor está arrecadando menos e enfrenta problemas para quitar as dívidas que se acumulam desde 2004, afirma Loyola. O endividamento do setor está aumentando também na percepção de Turra. Os últimos números oficiais, divulgados ano passado, indicavam dívida acumulada de R$ 70 bilhões.

Etanol - Do total do plano, R$ 2,4 bilhões serão destinados para que produtores de etanol invistam em estocagem de álcool, em uma linha de crédito operada pelo BNDES com juros de 9% ao ano. O ministro da Agricultura lembrou que os recursos a juros menores para o setor devem contribuir para diminuir as oscilações de preços do produto nas bombas dos postos.

Armazenagem - Rossi argumentou ainda que há recursos para ampliação do sistema de armazenagem de grãos, através do programa Moderinfra, cujo orçamento passou de R$ 500 milhões para R$ 1 bilhão. "Esta¬mos dando uma oportunidade real de se construir armazéns nas fazendas com condições extraordinárias de viabilização", disse. (Gazeta do Povo, com agências)

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