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OFERTA ESCASSA: Com novos moinhos, Paraná terá de driblar ociosidade da indústria de trigo

Moinho da Coopavel 04 09 12Dois novos moinhos em construção no Paraná, cada um com capacidade para moagem de 120 mil toneladas ao ano, vão aumentar a disputar pelo trigo de qualidade ao elevar em 7,3% a capacidade de moagem do estado. A Coopavel, com sede em Cascavel, deve iniciar a operação de uma nova planta neste mês.

Moinho da Coopavel 04 09 12Em um cenário de diminuição da oferta de trigo – causada no Paraná pela redução de 28% na área plantada –, o estado tende a ampliar a importação do produto, que cresceu 70% neste ano. Dois novos moinhos em construção, cada um com capacidade para moagem de 120 mil toneladas ao ano, vão aumentar a disputar pelo produto de qualidade ao elevar em 7,3% a capacidade de moagem do estado.

Coopavel - A Coopavel, com sede em Cascavel, deve iniciar a operação de uma nova planta neste mês e, mesmo com uma produção menor, Dilvo Grolli, presidente da cooperativa, acredita que terá de recorrer a fornecedores externos somente “se a qualidade da colheita [que começou a entrar no mercado neste mês] não for satisfatória”. Por enquanto, ele ameniza a situação de escassez de matéria-prima lembrando que a Região Oeste é uma das maiores produtoras de trigo do estado.

Campos Gerais - Na região dos Campos Gerais, as cooperativas Batavo, Castrolanda e Capal devem concluir as obras de um moinho em Ponta Grossa em dezembro de 2013. Com uma produção de 300 mil toneladas de trigo por ano, o grupo já planeja trabalhar com cerca de 20% do consumo total usando matéria-prima importada.

Aquém do potencial - Estudos sobre o setor apontam que a cadeia trabalha aquém do seu potencial. A escassez do cereal ocorre tanto em termos de quantidade quanto de qualidade, e como parte da produção paranaense é também exportada, o déficit acaba sendo intensificado.

Safra - De acordo com projeções da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), a safra 2011/12 de trigo no Paraná deve totalizar 2,2 milhões de toneladas, 10% menos do que no ano anterior (2,4 milhões). No mesmo período a área caiu 28%, ocupando cerca de 760 mil hectares. Além de consolidar o menor plantio nos últimos cinco anos, a mudança concede ao Rio Grande do Sul o posto de maior produtor brasileiro da cultura.

Dependência externa - Para suprir o abastecimento interno e compor as misturas de cada tipo de farinha, o Paraná teve de aumentar suas compras externas no primeiro semestre deste ano. O volume de cereal importado foi de 364 mil toneladas no período. Enquanto isso, as exportações somaram 358 mil toneladas, com queda de 49,6%, aponta levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). “Ainda que o trigo de algumas regiões apresente alta qualidade, as importações ocorrem frente a uma necessidade de compor o blend [mistura] entre os tipos de trigo, atendendo as diferentes exigências do mercado”, explica Everson de Almeida Leão, da gerência de fomento e desenvolvimento da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

Novos agentes - A reduzida oferta de matéria-prima dificulta a entrada de novos agentes no mercado, explica o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná (Sinditrigo), Marcelo Vosnika. “O estado é o maior produtor de farinha, o que já caracteriza a existência de um excedente. E como na média há ociosidade na indústria, não cabem muito mais moageiras no setor”, afirma. Atualmente, cerca de 70 moinhos estão em atividade no Paraná, indica a Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo).

Capacidade da indústria - Dados da Fiep apontam que a capacidade total da indústria ligada ao trigo é de 3,3 milhões de toneladas/ano, enquanto a moagem efetiva é de 2,65 milhões de toneladas. Como consequência, o setor trabalha com uma ociosidade média de 20%, puxada principalmente nas grandes unidades, destaca Leão. “Além disso, deve se considerar que existe um ciclo de moagem anual de 300 dias, havendo paradas obrigatórias nos moinhos para limpeza, manutenção e outros”.

Segregar será problema com a nova classificação - Mais rígidos, os novos critérios de qualificação do trigo, que passaram a vigorar em julho deste ano e ampliam de três para quatro os níveis de classificação do cereal, causam certa apreensão entre o setor produtivo. Uma das principais dificuldades é a segregação do produto, avalia Ivo Arnt Filho, triticultor e presidente da Comissão de Trigo na Federação da Agricultura do Paraná (Faep). Segundo ele, a necessidade de investimento em infraestrutura, incluindo equipamentos e pessoal para trabalhar, colaborou para que a área no estado fosse a menor em cinco anos no estado. Mesmo com uma tendência de valorização nos preços do cereal, que são sustentados também pela soja e milho, Arnt Filho acredita que a cultura deve continuar perdendo espaço nas lavouras paranaenses. “Com o milho em alta muitos produtores podem optar por trocar de cultura”, explica.

Preço - Hoje a saca de 60 quilos de trigo é avaliada em mais de R$ 33, em média, no estado. O valor está cerca 30% acima da média registrada em agosto do ano passado. Além da expectativa de oferta interna menor, a pressão de alta é provocada pelo cenário externo. A Rússia, um dos maiores produtores e exportadores mundiais, deve ter uma grande quebra de safra nesta temporada.

Incremento - A nova classificação atende, por outro lado, a uma reivindicação da indústria. Para Everson de Almeida Leão, da gerência de fomento e desenvolvimento da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), as exigências poderiam contribuir para o incremento na produção do estado, porque desta forma “produtores e indústrias teriam ganhos”, afirma.

Separação - No caso da Coopavel, o presidente Dilvo Grolli assegura que é possível fazer a segregação. “Temos 27 pontos de recepção, que permitem fazer a separação e o envio de acordo com a necessidade”, pontua. A estrutura, que vai industrializar 120 mil toneladas de trigo por ano, deve ser inaugurada no próximo mês. (Caminhos do Campo / Gazeta do Povo)

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