Falha no fornecimento de energia é tema de debate no Senado, com participação da Ocepar

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As recorrentes interrupções no fornecimento de energia elétrica que têm causado prejuízos aos paranaenses, especialmente ao setor produtivo, foram tema de audiência pública nessa terça-feira (05/05) no Senado Federal. Organizada pela Comissão de Infraestrutura e conduzido pelo senador Sergio Moro (PL-PR), a audiência reuniu lideranças do G7, grupo que congrega as sete principais entidades representativas do setor produtivo paranaense, entre elas a Ocepar, Fiep e Faep. Participaram também representantes da Copel, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, além de outros parlamentares. 

A energia elétrica deixou de ser apenas um serviço básico para se consolidar como um insumo crítico de produção, especialmente no setor cooperativista. Atualmente, as 20 cooperativas mais agroindustrializadas do Paraná consomem 2,3 mil GWh/ano — volume que representa 6% de toda a energia do estado, o equivalente ao abastecimento de 1,1 milhão de residências. Esse perfil de uso é liderado pelas cadeias de carnes e leite, que concentram 49% da demanda, seguidas pela industrialização de produtos vegetais com 33%. Diante da expansão do setor, projeta-se um crescimento de 33% no consumo entre 2026 e 2032, patamar que deve atingir a marca de 3.019 GWh/ano. 

“É um problema real. Quando conversamos com as cooperativas e os produtores, eles relatam que quedas, oscilações e interrupções são constantes. Isso resulta em menor competitividade das nossas agroindústrias, aumenta o custo de produção que acaba sendo passado para o consumidor final com a majoração do preço dos alimentos e impacto na inflação”, destacou Silvio krinski, coordenador técnico da Ocepar, que representou a instituição na audiência.

Krinski relatou que as principais cadeias produtivas do Paraná são intensivas em consumo de energia e isso vai aumentar.  “Para o futuro, a demanda é crescente, com previsão de aumento de 33% até 2032. “As cooperativas dão escala aos pequenos e médios produtores, por meio da agroindustrialização, que agrega valor ao produto. E, isso só se faz com energia em quantidade e qualidade”, pontuou. Ele acrescentou que 15 minutos de interrupção no fornecimento de energia podem implicar na perda de lotes inteiros de frango e peixe, por exemplo. E, uma hora sem energia compromete toda a produção de leite e suínos.

Diálogo

O representante da Ocepar falou sobre a aproximação que está havendo com a Copel. “É importante destacar que estamos iniciando um diálogo entre concessionária e o setor produtivo. Aproximar a concessionária da realidade do campo é fundamental, isso melhora a comunicação entre os setores e podemos pensar de forma conjunta como resolver este problema”, disse.

Krinski falou também sobre o descompasso que está havendo entre os investimentos feitos pela concessionária e a percepção de melhorias por parte do usuário. “O usuário não percebe com a mesma magnitude. A qualidade da energia ainda é insuficiente porque os modelos de produção estão cada vez mais complexos e demandam não apenas quantidade, mas também qualidade de energia, sem oscilações e sem interrupções”, frisou. 

Além disso, o coordenador da Ocepar chamou a atenção para a contrapartida de todo o investimento feito pela concessionária. “A conta chegou e a revisão tarifária prevê aumento médio de 19,2% na tarifa, chegando a 50% em alguns setores”, alertou. Silvio Krinski apontou ainda algumas questões que considera essenciais para a solução do problema: os investimentos têm que trazer resultado, a qualidade da energia deve estar alinhada com a necessidade dos usuários, a comunicação entre a concessionária, a agência reguladora e o setor produtivo deve ser ampliada e o modelo de regulação deve evoluir para garantir confiabilidade ao sistema.

Ressarcimento e revisão tarifária 

O coordenador do G7 e presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette, criticou a falta de ressarcimento aos produtores que estão tendo prejuízo por conta das falhas no fornecimento de energia. Meneguette defendeu a criação de uma lei que obrigue a concessionária a ressarcir as vítimas de forma ágil já que hoje muitos pedidos de ressarcimento acabam sendo judicializados. O líder do G7 informou que todas as entidades que integram o grupo são contrárias à revisão tarifária da forma como está prevista, tendo em vista que os investimentos feitos pela concessionária não reverteram em melhorias para o consumidor.

Na mesma linha, João Arthur Mohr, superintendente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), propôs que alguns investimentos feitos pela Copel sejam desconsiderados no cálculo da nova tarifa. “Investimentos em medidores inteligentes e no Programa Paraná Trifásico ainda não trouxeram melhorias para os usuários e devem ser expurgados do cálculo enquanto não apresentarem resultados”, defendeu. Para ele, estes investimentos podem ser considerados num cálculo futuro, mas não agora sob pena de a nova tarifa se tornar impraticável. 

O senador Sergio Moro também se manifestou contrário ao ajuste proposto para a tarifa. “Num país com inflação de 4%, num cenário em que o investimento feito pela concessionária não está tendo impacto na qualidade do serviço, não há espaço para um reajuste de 26% [proposto inicialmente pela Aneel]”, disse. Moro propôs também mudanças no modelo regulatório.

Copel

Presente à audiência, o diretor-geral da Copel Distribuição, Marco Antonio Villela de Abreu, respondeu aos questionamentos, informando que a companhia está revisando seu planejamento de investimento para melhorar os serviços. Outro ponto importante, segundo ele, é a aproximação com o setor produtivo e os consumidores em geral para orientar sobre o melhor caminho.

“O antigo agricultor hoje é uma indústria. O nível de exigência cresceu. Por isso, estamos ouvindo a Faep e a Ocepar. Criamos o Copel Agro, que é uma estrutura dedicada ao produtor rural. É importante informar que nem todos os produtores pensaram em rever seu cadastro junto à Copel. Alguns ainda constam como consumidores residenciais e isso pode comprometer a qualidade do serviço”, alertou. “Atender em 15 minutos, como em alguns casos seria necessário, é impossível no meio rural. Por isso, se o setor é tão sensível é preciso ter gerador”, advertiu.    

Sobre as indenizações e ressarcimento de danos, o diretor disse que estão sendo pagos. “Quando a responsabilidade é da Copel, o prejuízo é pago”, informou.  E acrescentou que a concessionária está aberta ao diálogo e à cooperação.

Prazo 

Ao final da audiência, o senador Sergio Moro estabeleceu um prazo de 30 dias para a Copel e a Aneel apresentaram informações à Comissão de Infraestrutura do Senado. Para a Copel, o senador solicitou um plano de trabalho com informações de medidas que estão sendo tomadas para equacionar o problema e para a Aneel informações sobre as fiscalizações.

FOTOS: Andressa Anholete / Agência Senado e Divulgação

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