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EXPANSÃO: Embrapa terá operações na Venezuela

Em um novo gesto de reaproximação política com o mandatário venezuelano Hugo Chávez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia hoje, durante sua visita oficial a Caracas, a criação de um escritório virtual da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para a América Latina com sede na Venezuela. Em troca da melhoria das relações diplomáticas com o vizinho, o Brasil oferecerá como deferência a Chávez a instalação da grife Embrapa em território venezuelano como aposta para abrir um importante canal de cooperação com um país com sérias dificuldades para aperfeiçoar sua estrutura rural e garantir o abastecimento do mercado interno.

Projeto de internacionalização - A nova representação no exterior faz parte do projeto de internacionalização da Embrapa, que já conta com laboratórios e escritórios nos Estados Unidos, Europa, África e está em fase de negociação com China, Coréia e Japão. Mas a Venezuela não era a primeira opção para a instalação inédita da Embrapa nas Américas. A base preferida dos pesquisadores para a primeira experiência americana era o Panamá, considerado plataforma ideal para fazer negócios com os mercados da América Central e do Caribe, além do México. Mesmo na América do Sul, os países mais cotados eram Colômbia e Paraguai.

Agronegócio - Em junho deste ano, o presidente da estatal, o físico Silvio Crestana, chegou a cancelar uma visita técnica a Caracas por causa dos ataques de Hugo Chávez ao Congresso brasileiro. Na ocasião, Chávez acusou os parlamentares de servir a interesses dos Estados Unidos ao postergar a análise sobre a inclusão da Venezuela como membro pleno do Mercosul. Agora, para defender a escolha do país vizinho, o Brasil deve dizer que o parceiro comercial saltou de 18º para 15º colocado no ranking dos maiores importadores de produtos do agronegócio brasileiro. Até outubro deste ano, a Venezuela comprou US$ 860 milhões em carnes, leite, soja, frutas e derivados, um resultado 54,3% superior ao de igual período de 2006 - em todo o ano passado, os venezuelanos compraram US$ 668 milhões do Brasil.

Tecnologia - O projeto de reaproximação começará com a transferência de tecnologia para a adaptação de cultivares de pastagens e de algumas raças de gado leiteiro às condições climáticas da Venezuela. O país sofre com a escassez de lácteos. Recentemente, importaram gado europeu da Argentina que acabou morrendo justamente pela inadequação climática.

Pesquisa - A parceria também incluirá pesquisas para o desenvolvimento de variedades de soja destinada à ração animal e de sistemas de criação para aves. A empresa também planeja treinar e a capacitar pesquisadores locais, além da gerar negócios como a venda de sementes certificadas e processos de produção específicos. No Cerrado venezuelano, na fronteira com Roraima, há 500 mil hectares para plantio de grãos e frutas. O processamento agroalimentar, como tratamento termo-químico de frutas para agricultura familiar, também estão nos planos. Pelo acordo preliminar, a Venezuela deve pagar experimentos, viagens e custos operacionais da Embrapa no país, cuja sede deve ficar no Instituto Nacional de Pesquisa Agropecuária (Inia). (Valor Econômico)

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