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DIA DA MULHER II: Mulheres perfeitamente possíveis

Pesquisas descobrem que as mulheres dedicam mais tempo aos estudos e executivos avaliam que o trabalho feminino é mais produtivo. À função da mulher associa-se até mesmo características como habilidade relacional, sensibilidade, intuição e humanização do trabalho. Artifícios cada vez mais imperativos às grandes corporações e singulares ao perfil feminino de atuar. Valores legítimos da mulher, hoje refletidos no mercado de trabalho desdobram-se num revés, cuja sobreposição feminina em cargos de comando já se faz iminente.

Diploma - Dados do Ministério do Trabalho do Paraná mostram que, de 2003 a 2008, dos trabalhadores com diploma de ensino superior, 63% são mulheres. Em decorrência, a pesquisa também evidencia que no mesmo período houve um aumento de 21% de mulheres em cargos de chefia, que envolve membros superiores e dirigentes do poder público, dirigentes de empresas e organizações, diretores de empresas de serviço de saúde e educação e gerentes.

Renda - Apesar de o salário masculino ainda estar, em média, 55% acima do feminino, já se observa alguns casos em que a renda da mulher ultrapassa a do companheiro. É o caso da executiva Ivone Macedo, gerente da filial do Paraná da Zurich Brasil Seguros e diretora do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef). Natural de Maringá (Região Noroeste), Ivone integra o restrito grupo de mulheres que contribuem com a parcela mais expressiva para o sustento da casa. ‘‘Isso aconteceu porque comecei a trabalhar muito cedo. Aos 20 já estava no mercado de seguradora'', explica.

Evolução social - Para o headhunter De Bernt Enchev, a mulher promoveu uma evolução social das empresas e de seus empregados. As áreas de marketing, moda, cosméticos, agências de publicidade, varejo e perfumaria já são predominantemente femininas. A variante, segundo o especialista, é o destaque da mulher nas áreas até então masculinas como engenharia e finanças. ‘‘Ao contrário do que muita gente pensa, a intuição faz bastante diferença no mundo corporativo. A mulher consegue ver uma única situação por perspectivas diferentes''.

Habilidades - Do ponto de vista sociológico, o conjunto de habilidades observado pelas empresas como privilégio feminino é na verdade um dividendo cultural que trouxe vantagens à mulher nas organizações. ‘‘A mulher praticou a criatividade nos afazeres domésticos por uma necessidade imposta pela cultura'', esclarece a socióloga Benilde Motim, da Universidade Federal do Paraná. ‘‘É uma questão de preparo. Se o homem quiser desenvolver essa capacidade basta começar'', diz.

Sensibilidade - A presidente da Associação Comercial do Paraná, Avani Slomp Rodrigues, compartilha que recorre à sensibilidade feminina quando está prestes a encarar a sua diretoria, na maior parte masculina. ‘‘Numa reunião com 30 líderes é a mulher que vai para a fogueira. Eu me sinto constantemente testada por eles. Posso perceber no jeito de olhar'', afirma. Empresária e mãe de dois filhos, Avani procura quebrar a barreira do preconceito e tratar todo mundo igual. Admite que já pensou em desistir por conta da pressão que sofre, mas leva em conta que outras mulheres se espelham no seu exemplo, e isso seria uma atitude frustrante para elas. ‘‘Fico sabendo dos ti-ti-tis dos homens, eles ficam boquiabertos quando finalizo um projeto. Aí ficam especulando: ‘Mas como ela conseguiu? Quem apoiou?'. Por isso a mulher precisa provar duas vezes que é boa. Não pode deixar nada pela metade porque vai ser criticada. Os homens não, mas nós sim'', conclui. (Folha de Londrina)

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