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Fórum de TI discute presença da inteligência artificial na vida das cooperativas, retenção de talentos e modernização de sistemas

A presença cada vez mais constante da inteligência artificial no dia a dia das empresas, a atração e retenção de talentos e a modernização de sistemas legados foram alguns dos temas tratados no Fórum de Profissionais de TI, que aconteceu nessa quinta-feira (22/10), em Curitiba, reunindo cerca de 90 profissionais de cooperativas. O evento é uma iniciativa do Sistema Ocepar para fomentar o intercâmbio de informações, promover discussões sobre temas atuais e antecipar tendências na área de Tecnologia da Informação.

Na abertura, o superintendente da Fecoopar, Nelson Costa, destacou a importância que o Sistema Ocepar tem dado à atualização tecnológica com a realização de dois fóruns anuais. Para ele, além de ter contato com as novidades, esses momentos são fundamentais para a integração entre os profissionais, a troca de ideias e a análise de tendências nas cooperativas. “Nós precisamos cada vez mais nos inteirar do que está acontecendo, ver as demandas e necessidades para que possamos levar informações e trazer especialistas para esse debate”, disse. O Sistema Ocepar está criando um grupo interno para discutir principalmente a aplicabilidade da inteligência artificial no dia a dia.

O superintendente do Sescoop/PR, José Ronkoski, também compareceu ao evento. “A tecnologia não para, e devemos destacar aqui que se trata de tecnologia da informação, pois hoje o artigo mais precioso, o bem mais rico é a informação em nossas empresas”, afirmou. Ele alertou sobre a necessidade de se manter sempre a visão positiva e buscar o bem-estar das pessoas. “É preciso aproveitar esses momentos, trazer experiências, porque seremos mais fortes se estivermos juntos, e este é um momento para fazer isso.”

Segundo o coordenador de TI do Sistema Ocepar, Diego Porfírio, o objetivo foi cumprido e os participantes estiveram bastante engajados. “Esses encontros são importantes para conhecermos as tendências do mercado. Neste último, foi bastante acentuado o fortalecimento da IA, o que se apresenta como desafio no Sistema Ocepar e para as cooperativas”, avaliou o coordenador de TI do Sistema Ocepar, Diego Porfirio. “Mas saímos com bastante bagagem para continuarmos no processo de integrar a IA às nossas atividades, de forma que seja uma ferramenta de auxílio aos profissionais.”

Prevenção e LGPD

Durante o Fórum, a diretora jurídica, DPO & Compliance da Valeo, Paula Scandiuzzi Bichuete, falou sobre a privacidade como ativo que garante uma boa governança, detalhando um pouco mais a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Uma pesquisa da ISH Tecnologia, especializada em cibersegurança, que apontou o setor do agronegócio como o 3.º mais visado para invasões cibernéticas. Afinal, os ativos e transações sob custódia direta das cooperativas somam R$ 487 bilhões. Em 2025 foram 39 mil incidentes de tentativa de invasão.

“Eu fiquei impressionada, vocês têm papel fundamental para ajudar que isso seja uma realidade calma e não realidade de crise. Em governança corporativa a gente busca sempre a continuidade do negócio e a TI precisa estar envolvida para dar sustentabilidade no negócio, maior rentabilidade e retorno financeiro”, afirmou. Segundo ela, os sistemas de proteção de dados são tendência mundial, o que exige ainda mais vigor no tratamento das informações. “Treinem as pessoas e gerenciem o ciclo de dados”, orientou.

Talentos

A psicóloga Gabriela Lopes, da Positivo Tecnologia, palestrou sobre a retenção de talentos de TI na corporação. Segundo ela, é importante manter-se a cultura criada dentro da empresa, e para isso o prestígio às lideranças deve se sobressair. “Um olhar sobre o time, sistemas e processos é um exercício muito forte que a gente tem feito”, afirmou. “Então, quando você olha criticamente, especialmente para a cultura e para a liderança, entende qual é a dor do negócio, qual é o passo que ela tem que dar de evolução e como que você monta caminhos para isso.”

Gabriela ressaltou que a grande estratégia é atrair talentos e ter uma boa gestão das lideranças internas. “Estamos saindo de um RH mais operacional e indo para um que tem muito a ver com a atração de talentos e como manter a liderança alinhada”, afirmou. “Olhando para uma empresa de tecnologia, o que mais a gente tem percebido e que tem engajado o nosso time é oferecer o espaço para o novo, para a tendência, para exercitar e construir. Estamos falando das gerações mais novas que querem um espaço de construção.”

Luiz Carlos Portes, responsável pela Tecnologia da Informação na Ibema, destacou que a competição hoje por talentos de TI é muito grande no mercado mundial. “O tema de talentos é efervescente, há competição grande no mercado e os talentos precisam ser cada vez mais bem valorizados internamente, para que as pessoas queiram ficar, escolham ficar para trazer os resultados que as empresas precisam”, afirmou.

Mas a boa convivência também foi ressaltada. “Quando falamos de impacto nos negócios e talentos há duas vertentes: a tecnologia e as relações. Entender os momentos dos profissionais e oferecer ambiente saudável e psicologicamente seguro é importante”, reforçou. Ao final, Portes aconselhou: “Estejam abertos para o novo continuamente, abram os horizontes e fiquem sempre atentos, porque as novas tecnologias e as mudanças na forma de conhecimento são rápidas e não têm volta.”

Bruno Luiz Assaf, diretor do Grupo de Soluções de Infraestrutura (ISG) da Dell Technologies no Brasil, destacou a rapidez com que as mudanças têm acontecido, particularmente com o advento da inteligência artificial. “Agora já estamos entrando na inteligência artificial agêntica, que consegue planejar e tomar decisões com mínima interferência humana, estamos saindo do digital para o físico”, disse. Esse sistema já está no campo com drones, agricultura de precisão, novos defensivos agrícolas, sementes e variedades. “Há oportunidades gigantes para o país, para as cooperativas estrem à frente nesse panorama.”

Segundo ele, a produtividade e a inovação precisam caminhar de forma simultânea. “A IA tem de estar na agenda de negócio, tem de sair da TI, tem de estar na agenda do presidente, do conselho, é ferramenta essencial para que a gente continue a liderar no campo”, enfatizou. Assaf propôs ainda que cada um avance no conhecimento pessoal para entender a IA e como elas têm se desenvolvido. “E trazer isso rapidamente para os conselhos, para as empresas, começando a ver onde isso faz a diferença, qual será a prioridade. É preciso ter governança e segurança, mas que aconteça rápido.”

Para encerrar o fórum, Ronaldo Ribeiro, executivo de Tecnologia da Cenibra, em videoconferência, apresentou dados sobre como a empresa de celulose fez a modernização de sistemas legados e automação de processos com low-code, um método de desenvolvimento de software que permite criar aplicativos e sistemas com o mínimo de programação manual. “Pegamos tudo o que tínhamos do passado e fomos migrando de um portal corporativo, até hoje em desenvolvimento”, disse.

Projeto

O Projeto Fórum dos Profissionais de TI, uma iniciativa do Sistema Ocepar, foi inaugurado no Estado do Paraná em 2006, com a finalidade de fomentar um intercâmbio contínuo de informações, promover discussões sobre temas atuais e antecipar tendências na área de Tecnologia da Informação. Seu escopo se estende a atender todos os segmentos do cooperativismo. Desde o lançamento, foram conduzidos 16 fóruns técnicos e sete encontros regionais.

Entre os objetivos estão aprimorar a gestão de Tecnologia da Informação nas cooperativas; facilitar o acesso a informações relacionadas a tecnologias emergentes e disruptivas; promover a troca de experiências e fortalecer a rede de contatos entre os profissionais; e mapear o cenário de Tecnologia da Informação no cooperativismo paranaense.

 FOTOS: Evandro Fadel / Gerência de Comunicação e Marketing Sistema Ocepar e Hrec Curitiba

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