PARANÁ: Produtores defendem zoneamento agroclimático
Zoneamento - Ao final do encontro houve consenso entre os participantes que o atual zoneamento agroclimático definido pelo Ministério da Agricultura, que serve de base para concessão de financiamentos de custeio, Proagro e seguro, está distante da realidade climática atual e das variedades de soja e milho plantadas e mais produtivas. Na prática, existe uma contradição entre os critérios do zoneamento agroclimático oficial e a realidade em termos de cultivares. Com isto, quando o produtor, por experiência e recomendação técnica, opta por cultivares cujas datas de plantio não coincidem com a recomendação oficial, eles ficam alijados do crédito de custeio. Correm, ainda, riscos financeiros enormes se houver frustração de safra provocada por problema climático ou por doenças nas lavouras. O problema maior está na cultura de soja, o carro-chefe da economia regional e do agronegócio paranaense.
Problemas - Além do insuficiente número de estações climatológicas, o Noroeste enfrenta outro problema: é uma região atípica. Por estar localizada em faixa climática de transição, apresenta comportamento inconstante entre frio e calor e entre chuva e sol. As variações do clima são tão acentuadas que, nos últimos três anos, a região acumulou grandes prejuízos na produção provocados por intempéries. Os participantes querem uma revisão no atual zoneamento agroclimático do Ministério da Agricultura para permitir, por exemplo, a antecipação de plantio de culturas anuais e com variedades precoces. Assim, seriam evitadas a floração e a formação de grãos entre janeiro e fevereiro, meses de acentuada instabilidade climática, conforme demonstram os últimos sete anos.
Calendário - Na prática, a antecipação no calendário agrícola vem garantindo maior produtividade à soja em comparação à época preconizada pelo zoneamento agrícola oficial. Só que antecipando-se o plantio com cultivares não indicadas oficialmente, todos os riscos correm por conta do produtor, segundo afirma José Antônio Borghi, presidente do Sindicato Rural de Maringá. Em resumo, a readequação do modelo atual para uma realidade de campo - e comprovada por experimentos locais - é a melhor alternativa para garantia de direitos e tranqüilidade dos produtores. Esta posição, em documento aprovado no simpósio, é defendida pelas seguintes instituições: Sindicato Rural de Maringá, Cocamar, Unicampo, Emater, Banco do Brasil e Sociedade Rural de Maringá. (Com informações da Folha de Londrina)