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Movimento Agroportos é lançado em evento no Sistema Ocepar

O Sistema Ocepar sediou nessa quinta-feira (25/06), em Curitiba, o lançamento do Movimento Agroportos para o Sul do Brasil. Iniciativa do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), o movimento une a Frente Parlamentar dos Portos e Aeroportos (FPPA) e a do Congresso Nacional, que, juntas, estruturaram uma agenda comum para destravar os gargalos logísticos que elevam o chamado custo Brasil e limitam a competitividade do agronegócio brasileiro.

“Depois do lançamento nacional, realizado em Brasília, hoje chegamos a Curitiba para um novo capítulo do movimento agroportos que tem por objetivo maximizar a energia de quem produz no campo e de quem escoa a produção pelos terminais portuários transformando logística em competitividade para o Brasil”, declarou na abertura o presidente do IBI, Mário Povia.

Povia apresentou um dado divulgado recentemente pelo Departamento de Agricultura  dos Estados Unidos (USDA) segundo o qual, apenas no ano de 2025 a insuficiência de infraestrutura custou ao agronegócio brasileiro cerca de US$ 14 bilhões. “Todo esse volume de recurso poderia ser revertido em melhorias no setor”, declarou acrescentando que “todos perdem com a ineficiência”.

Os participantes do evento destacaram, principalmente, a necessidade de os investimentos em infraestrutura serem uma política de estado e não de governo, tendo em vista que as obras no setor demandam grandes investimentos e longo prazo.

A força do cooperativismo

O deputado federal paranaense Tião Medeiros, que integra a Frente Parlamentar dos Portos e Aeroportos e coordenou o evento, saudou o presidente-executivo do Sistema Ocepar e anfitrião José Roberto Ricken. “Não por acaso decidimos fazer o lançamento desse movimento aqui neste ambiente, que é a casa do cooperativismo do Paraná. Decidimos vir aqui falar desses dois temas – agronegócios e logística - que muitas vezes são tratados em caixas separadas, mas são interdependentes. E o cooperativismo, embora represente sete ramos distintos, o agronegócio é, de maneira inequívoca, o principal deles, é o eixo principal. Se o agronegócio do Paraná é o que é, a gente deve muito às cooperativas”, declarou o parlamentar.

Pedro Lupion, deputado federal paranaense que coordena a FPA, também destacou a importância do cooperativismo no agronegócio e na infraestrutura. “As nossas cooperativas têm um destaque absoluto com terminais portuários próprios e investimentos significativos nos portos do Paraná”, declarou. Lupion acrescentou que não tem como separar o setor agropecuário do setor portuário. “Demorou muito pra gente ter esse dia e eu estou muito feliz, não dá pra separar, temos que planejar juntos. Agora estamos na mesma mesa, na mesma sala pensando juntos as soluções”, disse referindo-se à união das duas frentes parlamentares.

Armazenagem

O presidente-executivo do Sistema Ocepar participou painel sobre Gargalos Logísticos, Armazenagem e Expansão da Infraestrutura. Ele falou principalmente sobre o déficit de armazenagem, um dos principais problemas enfrentados pelo setor atualmente. “A questão da armazenagem é fundamental e hoje nós vimos os dados aqui: a estrutura de armazenagem atende a apenas 62% da produção. No cooperativismo é um pouco maior, chega a 67%. Mas é insuficiente. Nós recebemos 2/3 da safra do Paraná e 40% da safra do Mato Grosso do Sul. Isso, somado, ultrapassa 40 milhões de toneladas. E nós temos uma capacidade estática de armazenagem para cerca de 20 milhões de toneladas. E fazemos duas safras por anos e, às vezes, até três”, informou.

Ricken seguiu falando sobre a necessidade de lançar mão de armazéns improvisados para dar conta de armazenar toda a safra. “Temos que improvisar armazéns usando lonas plásticas e até caminhões e isso é um risco muito grande. Nossa atividade tem margens mínimas temos que trabalhar com custo alto de logística, armazenamento e energia”, pontuou. O presidente do Sistema Ocepar frisou a necessidade de ter recurso para armazenagem. “Isso chegou a um ponto que não dá mais pra tolerar. Então, é um pleito que a gente sempre faz, é um apelo que a gente faz principalmente pro governo:  disponibilizar recursos compatíveis para armazenamento. Com isso nós vamos ter condição pra dar uma garantia melhor para o produtor”, reforçou.

Acesso portuário

O secretário nacional de Portos e Aeroportos, Alex Ávila, participou do evento. Ele chamou a atenção para a questão do acesso aos portos, destacando que esse é um problema enfrentado por muitos portos do país. “O Porto de Paranaguá (PR), por exemplo, fez a lição de casa com muitos investimentos, o Porto de São Francisco (SC) também investiu, especialmente em dragagem”, disse. Apesar disso, segundo Ávila, um dos maiores problemas em Paranaguá é o fato de contar com um único acesso rodoviário. “Recentemente, uma grande quantidade de chuvas, deixou o porto praticamente sem operar por quase uma semana pela impossibilidade de acesso”, lembrou. Segundo ele, isso se resolve com planejamento de longo prazo.

Sobre esse mesmo tema, falou o presidente da Associação Brasileira dos Terminais de Contineres (Abratec), Caio Morel. Ele chamou a atenção para o fato de os acessos portuários que estão sendo usados hoje terem sido construídos há 50 anos. “O que falta nos portos é infraestrutura de acesso. E, para isso, o estado precisa ter capacidade de investir. Precisa destinar um percentual do PIB para esse tipo de investimento”, defendeu. E acrescentou: “todos os nossos concorrentes estão investindo fortemente em infraestrutura”. 

Outros painéis

Outros painéis realizados durante o evento trataram de Governança, Regulação e terminais portuários. Também participaram do evento o diretor-presidente dos Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia; o presidente do Porto de São Francisco do Sul (SC), Cleverton Elias Vieira; a deputada federal Daniella Reinehr (SC); o gerente de Curitiba da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Thiago Bonetti; o superintendente jurídico do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), Rafael Santos; o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, entre outros profissionais e lideranças que atuam no setor portuário e do agronegócio.  

Carta compromisso

O lançamento do Movimento Agroportos marcou o lançamento da Carta Compromisso com o Brasil, um documento assinado pelos parlamentares da FPPA e da FPA com ações integradas que visam melhorar as questões de infraestrutura e logística para tornar o país mais eficiente e competitivo. Alguns dos tópicos da carta referem-se à ampliação das áreas portuárias, melhorias dos acessos aos portos, integração multimodal e segurança jurídica nas operações.

Protocolo de intenções

Ao final do evento, foi assinado um protocolo de intenções entre o Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) e o Sistema Ocepar. O documento tem por objeto estabelecer cooperação técnica e institucional entre as duas entidades, visando promover o intercâmbio de conhecimentos, informações, estudos, pesquisas, experiências e boas práticas relacionadas aos setores de infraestrutura, logística, transportes, agronegócio, cooperativismo, inovação e desenvolvimento sustentável, fortalecendo iniciativas de interesse comum. Assinaram o protocolo, Mario Póvia, diretor-presidente do IBI e José Roberto Ricken, presidente-executivo do Sistema Ocepar.    

FOTOS: Samuel Milléo Filho e Júlia Duda / Gerência de Comunicação e Marketing Sistema Ocepar

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