Milho: falta de capital de giro amplia pressão de oferta
Cássio Camargo, especialista em milho e secretário-executivo da Associação Paulista dos Produtores de Sementes (APPS), avalia que o produtor está tendo problemas por falta de capital de giro. "Os agricultores imobilizaram muito dinheiro na compra de máquinas e terras, e têm menos recursos para auto-financiamento", avalia. "Além disso, está sendo difícil obter recursos dos bancos e dos fornecedores de insumos."
Crédito
- Turra, da Ocepar, concorda que a obtenção de crédito
rural a preços subsidiados tem sido difícil. "Mas isso não
é novidade", afirma. "O que está acontecendo é
que foram prometidos mais recursos e os produtores estão conseguindo
levantar nas agências do Banco do Brasil o mesmo valor do ano passado."
Para o analista, se o produtor está com pouco capital de giro, isso em
parte é devido aos largos estoques que retém. No caso do milho,
os dados divulgados pelo Deral semana passada dispensam comentários.
O Estado ainda não havia negociado até fim de setembro 4,028 milhões
de toneladas da safra 2003/04. O volume é equivalente a 36,15% da produção
total de 11,14 milhões de toneladas. "É um volume maior do
que a média histórica do estado", observou. Turra destaca,
contudo, que o produtor ainda está capitalizado. "Vale lembrar que
não há uma enorme pressão de oferta; simplesmente, mas
o que o produtor optou por vender no momento é o milho, mas não
muito." (Estadão online)