Curso de crédito rural ofertado pela Ocepar atende 120 profissionais de cooperativas
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Cerca de 120 profissionais das cooperativas agropecuárias e de crédito iniciaram, nesta segunda-feira (11/05), o curso online Crédito Rural, ofertado pelo Sistema Ocepar. O curso prossegue nesta terça-feira até às 12 horas. Ministrado pelo professor da Academia de Negócio Agro, Alex Muller, o objetivo é capacitar os profissionais nos principais conceitos, normas e práticas relacionadas ao crédito rural, com enfoque nas diretrizes do Manual de Crédito Rural (MCR), operacionalização, linhas de financiamento e atualizações normativas.
O professor chamou a atenção para a análise prévia das operações de crédito rural. “O crédito rural precisa ser bem-feito. Muitas vezes a operação começa malfeita. O profissional que atua nessa área deve deixar o papel passivo de gerente que faz a operação de crédito e passar a atuar como um consultor. Nem sempre o crédito é a melhor solução. É preciso entender a situação do produtor para melhor atendê-lo”, contextualizou o professor. Para Muller, é fundamental a proximidade, o relacionamento e o entendimento na relação das cooperativas com os cooperados para atender de forma adequada.
Regularidade ambiental
Foi destacada também a questão da regularidade ambiental como condição de acesso ao crédito. Alex Muller enfatizou que a partir de abril de 2026, bancos e cooperativas precisam verificar se houve desmatamento após julho de 2019 em imóveis acima de quatro módulos fiscais. “Irregularidades podem impedir a concessão ou desclassificar operações de crédito rural. A leitura ambiental passa a ser etapa obrigatória na análise de crédito”, alertou.
Inadimplência
Muller também trouxe dados do Banco Central sobre a inadimplência no crédito rural. “A inadimplência da pessoa física rural avançou de 7,4% para 8,3% no 3º trimestre de 2025 em relação ao período anterior”, informou acrescentando que “nunca foi tão urgente analisar a capacidade de pagamento”. Segundo o professor, por conta dessa inadimplência alta os critérios de análise estão mais rígidos porque se consta que, em muitos casos, a inadimplência é consequência do desvio de finalidade do recurso. Por conta desse cenário, o professor enfatizou o tripé proximidade, relacionamento e entendimento como o grande diferencial no atendimento aos cooperados.
Seguro Rural
“O seguro rural passa a ser peça central da gestão de risco do negócio”, advertiu. Segundo o professor, o seguro rural ganha ainda mais importância em 2026. “Além do debate sobre o novo modelo de cobertura, a contratação passou a exigir critérios socioambientais rigorosos. A regularidade ambiental passa a influenciar não apenas o crédito, mas também o acesso à proteção da produção”. Muller alertou que o Cadastro Ambiental Rural (CAR) em situação regular é pré-requisito para o seguro. Ainda sobre essa temática, o professor esclareceu que o Proagro foi desenhado para a agricultura familiar, enquanto o Seguro Rural para o médio e grande produtor.
Mercado não-bancário
O professor falou também sobre a restrição das fontes tradicionais de financiamento. “O crescimento do agro exige busca por várias fontes. O mercado bancário não atende mais a toda a demanda”, pontuou. Como alternativas, ele apontou o Mercado de Capitais, as Fintechs e o Barter (operação de troca no agronegócio onde produtores rurais pagam por insumos ou máquinas com sua própria produção futura sem o uso imediato de dinheiro).
O curso prossegue na manhã desta terça-feira. Estão sendo abordados também o Plano Safra e as modalidades de crédito de custeio, comercialização, investimento e industrialização), os programas Pronaf, Pronamp e InvestAgro; e a aplicação e fiscalização do crédito rural.
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