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CAFEICULTURA: Há 37 anos, geada negra destruiu cafezais no Paraná

1cafeicultura 20 07 2012O último dia 18 de julho marcou os 37 anos de um dos episódios mais impactantes da agricultura paranaense. Em 1975, essa data entrou para a história como a lembrança mais triste dos cafeicultores do Norte do Estado. Durante a fria madrugada daquele dia, quase todos os pés de café foram queimados pela geada negra, que causou mudanças econômicas e sociais no Paraná.

Lembrança - O assessor da Cooperativa Integrada, Ademar Ajimura, com 26 anos na época, trabalhava com o pai na fazenda da família que tinha 120 alqueires de café. Quase 40 colonos trabalhavam no plantio e na colheita da principal cultura paranaense na fazenda, localizada em Cambé. Ajimura lembra que a geada começou ainda na tarde anterior quando a temperatura chegou aos 0º C por volta das 15h. No mesmo dia, nevou em Curitiba. "Antes da geada negra, choveu três dias seguidos. No dia 17, o tempo abriu e a temperatura caiu drasticamente. Depois das 16h, já era possível sentir o cheiro de folha queimada no ar", relata.

Perda - Ele recorda que durante a madrugada a temperatura atingiu -6ºC na relva e que uma camada de gelo de aproximadamente 40 cm se formou sobre o solo. "Eu e meu pai vimos todos os pés de café pretos nas propriedades dos vizinhos, mas não conseguimos chegar até a fazenda por causa do gelo na estrada. Somente na parte tarde, chegamos ao local e verificamos que os 150 alqueires foram perdidos", disse.

Erradicação - Os agricultores foram obrigados a erradicar 100% dos pés de café, que foram substituídos pela soja. "Desde 1971, pequenas partes de terras eram reservadas para o milho e para soja que tinham dificuldades de escoamento e de mercado, o que mudou a partir de 1975", avaliou. "Até hoje, a região de Londrina não tem uma cultura definida. O café seria essa cultura se a geada negra não tivesse destruído os pés", opinou Ajimura, lembrando que a cidade era a capital mundial do café.

Mudanças - A tragédia da geada negra também acelerou algumas mudanças sociais no Paraná, entre elas, o êxodo rural dos colonos em busca de novas oportunidades na área urbana. O supervisor da Integrada, Ciro Ohara, responsável por um dos maiores acervo sobre a história do café em Londrina, ressalta a importância da monocultura naquela época para a economia local. "O café dava muita mão de obra e por isso várias casas eram construídas no campo para os colonos. Nos finais de semana, as pessoas se reuniam nas vendas para conversar com os amigos e familiares e para jogar bola na zona rural. Tudo isso acabou depois da geada. Ninguém mais morava no sítio", recorda.

Máquina - Ohara também lembrou que a maior máquina de café da América Latina para seleção e classificação de grãos estava em Londrina. Em 1958, os cafeicultores compraram a quadra entre a Rua São Jerônimo e Avenida Celso Garcia, onde funcionava um campo de futebol para instalação do equipamento, que empregava funcionários no setor. Atualmente no local, funciona a sede da cooperativa e a máquina ainda é conservada na área como relíquia da história londrinense. (Redação Bonde / Folha de Londrina)

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