Agroindustrialização, preço e condições da safra são temas de webinar no Sistema Ocepar
A agroindustrialização como uma das alternativas para as cooperativas crescerem ainda mais e as tendências de safra, preço e mercado são assuntos frequentemente tratados no Sistema Ocepar. Nessa segunda-feira (26/10), uma webinar reforçou novamente os conceitos.
“A avaliação que temos é que as cooperativas agro que estão indo bem no Paraná é porque investiram em agroindústria no momento certo e continuam investindo, pois isso dá uma estabilidade de renda ao longo do tempo”, disse o superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti, na abertura do evento. “A indústria permite um planejamento, um olhar de longo prazo, uma relação mais estável e próxima com o cooperado.”
O analista técnico do Sistema Ocepar Anderson Sartorelli reforçou a mesma ideia. “A agroindustrialização é dos principais caminhos para a sobrevivência da cooperativa no mercado”, afirmou. “Os eventos promovidos pelo Sistema tendem a reforçar os argumentos e trazer subsídios para que continuemos pensando na agroindustrialização como agregação de valor nas cooperativas.”
Professor e diretor administrativo-financeiro no Grupo Germânica, Haroldo Torres foi o palestrante sobre o tema. Segundo ele, a decisão pela agroindustrialização precisa nascer do questionamento sobre como transformar oportunidade de mercado em resultado para a organização e benefício para o associado.
Torres acentuou que é preciso enxergar uma vantagem concreta. “A vantagem competitiva é o que importa, é onde tem de atuar e fortalecer, e ela pode estar em uma agroindústria”, salientou. “É preciso responder à pergunta: onde, de fato, se agrega valor?” Para ele, a resposta a esse questionamento ajuda a não comprometer o patrimônio.
Novas perguntas fizeram parte da apresentação do professor. No caso de agregação de valor, ele sugeriu pensar antes: com qual mecanismo? Para qual cliente? Com qual indicador? “Agregar valor não é um slogan, é uma mudança mensurável na margem, no risco ou no benefício ao associado”, afirmou.
Ele também reforçou que agroindustrializar não significa manter toda a atividade para sempre. “A cooperativa pode vender uma marca ou um ativo e redirecionar o capital quando entende que outra posição pode ser melhor para receber os recursos e trazer mais rentabilidade para o cooperado. A pergunta é: que atividades merecem continuar recebendo capital e quais já cumpriram seu papel?”, disse.
Safra e mercado
O economista e diretor técnico da consultoria Safras&Mercado, Paulo Molinari, destacou algumas condicionantes que tendem a influenciar na safra e no preço dos produtos agrícolas. Na questão climática, a mais importante é o El Niño que já está estabelecido com previsão de permanecer pelo menos até abril de 2027.
No Paraná, a principal consequência são as fortes chuvas que já fizeram os rios Paraná e Ivaí transbordarem. No entanto, ainda não há registros vultosos sobre a produção agrícola no Brasil ou na Argentina. “Mas não dá para baixar a guarda em relação ao clima”, afirmou. “A transição da primavera para o verão será com emoções.”
Segundo ele, também é motivo de apreensão a decisão a ser tomada nesta quarta-feira (28/10) pelo Federal Reserve (Fed) em relação à taxa de juros norte-americana. Atualmente está na faixa de 3,75% a 4%. Na sequência, entre 3 e 4 de novembro, o Banco Central brasileiro deve analisar a taxa de juros Selic, hoje em 13,75%.
O movimento de capitais, o câmbio e os preços de commodities também são influenciados por essa variável. “A sorte nossa é que a China está valorizando a sua moeda, o Yuan, isso é importante porque reflete em tudo o que o Brasil vende para a China”, ponderou o economista.
Entre as principais culturas analisadas pelo consultor, ele vê boas perspectivas para o milho brasileiro, principalmente porque há um reforço na indústria interna de etanol e a Europa prevê maiores perdas da história. A soja continua sendo a principal commodity brasileira, mas a produção chinesa precisa ser olhada com atenção.
O sorgo surpreende na atual safra, com exportação de 3 milhões de toneladas, tendo a China como o principal comprador. Em trigo, a trégua entre Rússia e Ucrânia possibilitou acomodamento no preço, mas o Brasil ainda precisa estar atento devido à má qualidade do produto nacional.
O superintendente da Ocepar acentuou a necessidade de se realizar mais eventos semelhantes durante o período da safra, com vistas a monitorar o andamento das culturas e o mercado. Também reforçou a visão de longo prazo que o Sistema Ocepar adotou, com os Planos Paraná Cooperativo 300 e 500. “Vamos continuar no processo de agroindustrialização e tentar fazer mais parcerias, pois pode agregar e dar mais confiança nos negócios”, disse Robson Mafioletti.