A soja moderniza a produção pecuária no Noroeste
Cotação - O preço recebido pelos sojicultores, nos últimos anos, está animando os produtores para o plantio da soja, os quais estão expandindo a área da lavoura rapidamente, sem que o sistema lavoura-pecuária seja implantado, conforme recomendado tecnicamente. Isso preocupa pelo fato de que está havendo redução de áreas tradicionais de pastagem no Paraná, o que poderá elevar o preço do boi no curto prazo. Segundo a Coopermibra ? Cooperativa Mista Agropecuária do Brasil, um exemplo é o caso do associado Dionei Martins Pereira, que reduziu, no ano passado, os dez alqueires de pasto que mantinha para apenas dois alqueires. Segundo ele, a idéia é aumentar ainda mais a área de soja para a safra 2003/2004, quando deverá plantar 260 alqueires. O agricultor Albino Néspolo, que tem 100 alqueires para soja, ano a ano vem diminuindo a área de pasto para plantar cereais, deixando apenas meio alqueire para o gado. Ele afirma que a cultura tornou-se tão atrativa que o gado na região acabou sendo inviável.
Área de pastagem caiu 50% - De acordo com o engenheiro agrônomo Erikson Camargo Chandoha, chefe do Núcleo Regional da Secretaria de Agricultura do Paraná em Campo Mourão, a diminuição das áreas de pastagem em todo o estado é bastante significativa, principalmente, na região Noroeste, onde o arenito vem despertando a atenção de donos de propriedades rurais para o plantio da soja. ?50% do que era pasto até a década de 70, naquela região, acabou virando soja?, diz. No entanto, o rebanho do Paraná continua estável, em torno de 10 milhões de cabeças, fruto das melhorias introduzidas nas pastagens, o que permite manter mais cabeças por área. A Coopermibra, que atua na região no atendimento de seus 3.200 cooperados, na produção e comercialização de grãos e insumos, tendo faturado R$ 187 milhões, devendo chegar a R$ 300 milhões neste ano, a expansão da soja no arenito permite que a cooperativa aumente seus volumes de produção, com isso, os associados acabam ganhando com a redução de custos. Segundo Valdomiro Bognar, a cooperativa tem uma estrutura bem enxuta de pessoal (180 funcionários) para atender seus associados e sua idéia é partir para a agregação mais valor à produção.