Modelo de saúde cooperativa recebe destaque em evento em Nairobi
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O Sistema OCB participou, na quinta-feira (30/04), de um workshop internacional em Nairobi, no Quênia, voltado ao fortalecimento de sistemas de saúde cooperativos no continente africano. O evento foi promovido pela Aliança Cooperativa Internacional para a África, para discutir soluções sustentáveis de acesso à saúde.
A entidade foi representada pelo coordenador de Relações Internacionais, João Penna, que apresentou a experiência brasileira no desenvolvimento de cooperativas de saúde e sua contribuição para ampliar o acesso a serviços e fortalecer a organização dos profissionais da área.
O foco do encontro foi o papel das cooperativas na promoção do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 (ODS), que trata de saúde e bem-estar. Segundo a organização, países africanos ainda enfrentam desafios como financiamento limitado, alto custo para pacientes e dificuldades na estruturação de sistemas de cobertura universal, especialmente para trabalhadores informais.
Durante sua apresentação, João destacou que o cooperativismo de saúde no Brasil surgiu como resposta direta às necessidades dos profissionais, especialmente médicos, que buscavam mais autonomia, melhores condições de trabalho e maior capacidade de organização dos serviços. Esse movimento deu origem a sistemas consolidados, como o modelo Unimed, que hoje integra uma ampla rede nacional.
Ele também apresentou dados que demonstram a escala do setor no país, com 699 cooperativas, cerca de 270 mil cooperados e presença em mais de 90% do território nacional. Para o coordenador, esses números mostram que o cooperativismo não é apenas uma alternativa local, mas uma estrutura relevante dentro da organização da saúde no Brasil.
Outro ponto enfatizado foi a capacidade do modelo brasileiro de combinar alcance territorial com organização profissional. Segundo o coordenador, o sucesso está na formação de redes cooperativas que crescem localmente, mas se conectam nacionalmente. “O cooperativismo de saúde no Brasil mostra que é possível estruturar sistemas robustos a partir da organização dos próprios profissionais, com governança, escala e compromisso com a qualidade do atendimento”, destacou.
Além da experiência brasileira, o evento trouxe iniciativas de países como Etiópia, Quênia, Uganda, Zimbábue e Espanha, e promoveu a troca de aprendizados e a construção de soluções adaptáveis às realidades locais. A programação incluiu debates sobre lacunas nos sistemas de saúde, estudos de caso e oficinas para desenvolvimento de modelos escaláveis.
Como resultado, a expectativa é avançar na formulação de políticas públicas, fortalecer parcerias e desenvolver projetos piloto que ampliem o uso do cooperativismo como instrumento de acesso à saúde no continente africano. (Sistema OCB)