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Soja: 5 anos de preços bons

Analistas da área de grãos estão estimando que qualquer quebra na produção de soja nos pró-ximos dois anos, na América do Sul ou nos Estados Unidos, poderá significar uma explosão nos preços da oleaginosa. Essa avaliação é confirmada por André Pessoa, da Agroconsult, especiali-zada em mercado agrícola, que esteve recentemente em Maringá fazendo palestra aos técnicos da Unicampo. Pessoa afirma que 2002 encerra o período de vacas magras no mercado de soja e nos próximos cinco anos, mesmo que não haja quebra de safra, as perspectivas são excelentes, com preços próximos aos atuais de US$ 5,6 o bushel. Os estoques mundiais do grão devem cair na próxima safra para um dos níveis mais baixos dos últimos 10 anos, afirma Pessoa.

Avaliação - No ano passado, os estoques eram de 17,9% e caíram para 16,6%. Isso, aliado À alta do dólar, fez com que os preços chegassem aos níveis atuais. Para o ano que vem, a expectativa é de que os estoques cheguem a níveis bem menores, 11,3%, onde qualquer quebra de safra no Brasil, na Argentina ou nos Estados Unidos pode significar um desequilíbrio total na oferta e demanda do produto. Na safra passada a produção mundial de soja foi de 175,1 milhões contra uma demanda de 172,2 milhões de toneladas. Nesta temporada serão 182,2 milhões de toneladas para um consumo de 184,2 milhões, desequilíbrio que tende a ser ainda maior na próxima safra, 183,3 milhões de grãos produzidos contra uma demanda de 190,6 milhões.

Limite americano - Pessoa afirmou que o principal produtor mundial, os Estados Uni-dos, já chegou ao seu limite, tanto que a área plantada este ano é menor, 29,5 milhões de hecta-res contra 30 milhões na safra anterior. Desde 1996 a área e produção de soja nos Estados Unidos eram crescentes. Além da redução de área, a estiagem nos Estados Unidos deve reduzir a safra americana este ano para 72,5 milhões de toneladas, contra os 80 milhões anteriores. O período mais crítico das lavouras já passou e a partir de agora não deve haver mudanças nos volumes de produção nem para mais, nem para menos, a não ser que haja problemas climáticos na colheita. Nesse mesmo período da safra passada, 15% das lavouras estavam ruins, índice que este ano é de 25%, comenta o especialista. Ele diz que nem mesmo o programa de subsídios norte-americano para as próximas safras deve incentivar o plantio de soja. Ao contrário, a ten-dência é de queda. As perspectivas de lucratividade no milho são bem superiores lá do que com a soja e os produtores norte-americanos devem investir no cereal.

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