Sistema S promove Dia de Combate ao Assédio
O combate ao assédio foi tema de palestra realizada na manhã desta quarta-feira (24/06) pelo Grupo de Trabalho do Sistema S do Paraná. Com o título “Ambiente Seguro Começa com Atitudes”, o evento contou com apresentação das advogadas Juliana Bertholdi e Angélica Pavelski. A programação reuniu mais de 500 colaboradores do Sescoop/PR, Sesi, Senai, Sesc, Senac, Sest, Senat, Senar e Sebrae. A apresentação pôde ser acompanhada na modalidade presencial, na sede da Faep, e online, pelo Youtube do Sistema Faep.
O superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR), Renato Lage, deu boas-vindas a todos, citando o aumento no número de casos de assédio no Brasil. “Desde 2020, quando as entidades do Sistema S do Paraná criaram o grupo de trabalho de compliance, temos abordado e compartilhado temas relevantes para o dia a dia dos nossos colaboradores. Hoje, o tema proposto é muito atual. Os números comprovam isso. Em 2025, a Justiça do Trabalho recebeu 142,8 mil processos de assédio moral no trabalho, aumento de 22% em relação ao ano anterior. Quanto ao assédio sexual, o número atingiu 12,8 mil ações trabalhistas, 40% a mais do que em 2024.”
Apresentação
A advogada Juliana Bertoldi iniciou a palestra falando sobre os impactos negativos dos abusos. “O assédio pode tornar o ambiente de trabalho humilhante e degradante, desincentivando a assiduidade e a produtividade. Causa consequências danosas para a vítima, para o assediador e para a própria organização”. Ela reforçou que é importante compreender que o mundo mudou. “Hoje a gente tem que cuidar mais com o que fala. O fato de a gente ter a intenção de brincadeira não significa que não possa haver impacto negativo na pessoa que vai ouvir. Qual potencial impacto do meu comentário? O impacto tem sido mais considerado pela Justiça do Trabalho do que a intenção”, pontuou.
A advogada Angélica Pavelski esclareceu o que configura assédio. “É uma conduta que visa constranger ou humilhar, uma pessoa ou um grupo de pessoas. Para que assédio fique caracterizado é necessário que haja repetição de constrangimento, humilhação. Também existe a direcionalidade, ou seja, conduta direcionada para uma pessoa ou um grupo determinado. Ele pode ser vertical (de chefe para subordinado ou o contrário), horizontal (com pessoas da mesma hierarquia) ou misto (as duas coisas).”
As palestrantes mostraram a diferença entre assédio moral e sexual. Nesse último, não há necessidade de repetição, por exemplo. “A conduta pode ser verbal ou não verbal. Até mesmo gestos podem configurar assédio sexual. Não ocorre só quando há contato físico. Diferente do assédio moral, não precisa que se prolongue no tempo. Uma única vez já pode caracterizar assédio sexual. E ele também pode ocorrer no ambiente digital”, pontuou Pavelski.
Ao final da apresentação, foi realizada uma dinâmica com os participantes, para que eles analisassem exemplos de condutas inapropriadas. Bertoldi ainda reforçou qual o papel de cada agente ao presenciar casos de assédio. “A vítima deve documentar, buscar apoio, comunicar (pelos canais de denúncia anônima, por exemplo). O papel da testemunha é acolher, intervir, não normalizar a situação. Já a liderança deve ouvir, proteger e encaminhar os problemas relacionados a assédio. Não deve haver retaliação em casos de denúncia. Para a organização, é preciso informar e educar os colaboradores, com eventos como o de hoje, por exemplo, além de proporcionar canais para que as denúncias possam ser realizadas”, finalizou.