Cocamar e Embrapa Agropecuária Oeste apresentam resultados de cooperação técnica em Anaurilândia (MS)
Numa iniciativa da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, a Fazenda Agropecuária Cerrado 3 A, situada em Anaurilândia (MS), recepcionou produtores, pecuaristas e técnicos, na manhã de quinta-feira (18/06),para um dia de campo em que foram apresentados trabalhos que vêm sendo conduzidos em cooperação técnica com a Embrapa Agropecuária Oeste.
Duas Unidades de Referência Tecnológica (URT) foram estruturadas no local: uma voltada ao sistema de integração lavoura-pecuária e, outra, a alternativas para a entressafra da soja.
A Cocamar construiu uma unidade de recebimento de grãos no município, em operação desde o início deste ano.
Primeira parte
A programação, conduzida pelo engenheiro agrônomo Luis Clóvis de Oliveira, gerente técnico de culturas anuais da Cocamar, foi dividida em duas partes: a primeira com palestras e, a segunda, demonstrações técnicas a campo.
Falando em nome dos proprietários, o sócio da Agropecuária Cerrado 3 A, Luiz Henrique Pedroni, comentou que os trabalhos com a Cocamar e a Embrapa Agropecuária Oeste começaram no ciclo 2020/21, logo após a aquisição da área. “Temos como principal objetivo ajudar a desenvolver a região”, disse, ao enfatizar o investimento realizado ao longo dos anos no perfil do solo.
“Como é um solo muito manchado, entendemos que não é só chegar aqui e plantar. E somente neste ano, quando avaliamos que o solo estava pronto, é que iniciamos o cultivo de milho na entressafra, que tem potencial para 250 sacas por alqueire”, detalhou, completando: o manejo do solo é tão importante quanto ter umidade. Em relação à soja, as médias de produtividade têm sido praticamente iguais às do Paraná.
Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração da Cocamar, Luiz Lourenço, destacou a histórica parceria entre a cooperativa e a Embrapa Agropecuária Oeste e lembrou, entre outras realizações, que no início da última década, sob a orientação da instituição, a Cocamar introduziu uma prática revolucionária e de excelentes resultados em sua região: o cultivo da braquiária em consórcio com o milho de inverno, que conferiu mais sustentabilidade.
Falando também como presidente da Associação Rede ILPF, Lourenço destacou a união ainda no começo da última década entre Cocamar, Embrapa e empresas para o fomento a esse modelo produtivo no país, frisando que a pecuária conduzida com técnicas modernas e sob mentalidade empresarial, vem crescendo com produtividade.
“Temos muito a evoluir sem degradar o solo”, citou, ao orientar que os projetos de integração sejam implementados pelos produtores mediante assessoramento técnico especializado. “A Cocamar é pioneira nesse sistema, em que atua desde 1996. Temos muita experiência e nossa recomendação, para que os produtores tenham êxito, é fazer tudo muito bem-feito”, finalizou.
Potencial de crescimento
O chefe adjunto do Centro de Pesquisa da Embrapa Agropecuária Oeste, Auro Akio Otsubo, também fez menção à parceria entre a Cocamar e a instituição, que “trabalham juntas para desbravar a região, a qual apresenta potencial de crescimento”.
Otsubo falou, ainda, que o Sistema São Mateus, desenvolvido pela instituição, é o ponto de partida para a introdução de práticas que integram pecuária e agricultura, especialmente em solos arenosos deficientes em nutrientes.
Palestraram também, na primeira parte do dia de campo, o coordenador do Grupo Mais de Consultoria Especializada da Cocamar, engenheiro agrônomo José Eduardo Marcon, que destacou a importância desse assessoramento para que os produtores tenham mais assertividade, enquanto o engenheiro agrônomo Jorge Vecchi, também da cooperativa, deu detalhes sobre o lançamento de Force, um organo-mineral, que passa a integrar a linha de fertilizantes Viridian.
A empresa Massari/Horii, apoiadora do evento, representada por Cláudio Monteiro, apresentou uma inovação: a tecnologia de um calcário extremamente fino, que dispensa incorporação ao solo.
Por fim, o pesquisador Rodrigo Arroyo Garcia, da Embrapa, discorreu sobre características de solo e clima da região de Anaurilândia e apresentou mais detalhes a respeito do Sistema São Mateus. “Essa região é um desafio bastante grande”, comentou, ao frisar que a expansão da atividade agrícola vem ocorrendo em solos mais fracos e típicos de Anaurilândia, onde há histórico de veranicos.
Segundo ele, os desafios de solo e clima fazem parte da realidade do produtor, tanto que ali se observa o predomínio de pecuária extensiva, com pastagens degradadas. Por isso, a região oferece oportunidades, mas sob um risco maior. “Nosso trabalho visa a garantir mais sustentabilidade à soja, a cultura de maior retorno econômico”, citou.
Presenças
A Cocamar foi representada no evento, também, pelo superintendente de Relação com o Cooperado, Renato Watanabe, o gerente técnico de ILPF, Emerson Nunes, o coordenador de Agricultura Digital, Vitor Palaro, gerentes e técnicos de unidades no Mato Grosso do Sul.
Pela Embrapa Agropecuária Oeste participaram, ainda, os pesquisadores Luis Armando Zago Machado, César Silva, Laércio Piveta, Carlos Kurihara e Rafael Fontes.
Segunda parte
Na URT sobre integração lavoura-pecuária, que tem a presença de gado, é realizada a reforma da pastagem, começando pela correção química do solo com calcário e gesso, reposição de nutrientes e plantio de capim com vistas à safra de soja do ciclo 2026/27. Esse trabalho tem a finalidade de elevar o potencial da soja mediante um risco menor, além da receita antecipada obtida pela pecuária.
Segundo explicou o pesquisador Luis Armando Zago Machado, foi avaliado o desempenho animal, mas ainda num curto período, de outubro a fevereiro, “com resultados consideráveis da engorda, na média de 700 gramas/dia por animal”.
Zago observou que “dadas as restrições ambientais dessa região, não é possível reproduzir a sucessão soja/milho praticada em outras regiões. A soja pode produzir relativamente bem se forem melhoradas as condições de solo. Como já existe pecuária na região e as pastagens melhoram as condições do solo, é natural que essa atividade faça parte dos sistemas de produção integrada com a soja”.
Lavoura
Na outra URT, voltada exclusivamente à lavoura, estão sendo experimentadas opções para o período de safrinha com o intuito de melhorar o solo, o ambiente de produção, garantir uma renda adicional e potencializar a soja.
Nesse contexto, o milho entra para servir de comparação, ao lado de culturas mais tolerantes a condições menos favoráveis de solo e clima, entre as quais o sorgo e o gergelim, de mercado em expansão, o milheto, voltado a produzir grãos, e a carinata, matéria-prima utilizada para fabricação de biocombustível.
O trabalho compreende também um mix de espécies destinadas apenas à produção de massa, para cobertura do solo, além da própria braquiária.
Nessa segunda parte, o coordenador de Agricultura Digital da cooperativa, Vítor Palaro, apresentou como é feita a coleta do solo do programa Solo Forte, da Cocamar.
Integração
“O Mato Grosso do Sul é um dos estados que mais praticam a integração lavoura-pecuária, podendo-se dizer que é o berço do sistema. E com a expansão da soja para regiões de solos arenosos que antes eram ocupados pela pecuária de forma extensiva, a integração se torna uma ferramenta muito importante para a sustentabilidade da produção, dando viabilidade para a soja e agregando valor a uma pecuária mais produtiva”, afirmou o pesquisador da Embrapa, César Silva.
Segundo ele, “a dobradinha soja e pecuária entrega excelentes resultados”. (Assessoria de Imprensa Cocamar)