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Agricultura regenerativa: do conceito à prática

embrapa II 15 06 2026O conceito de agricultura regenerativa ainda está em construção, mas já existe consenso científico de que a regeneração dos sistemas produtivos começa pela recuperação da saúde do solo, afirma Rodrigo Mendes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente. O debate permeou as discussões na Reunião de Pesquisa de Soja, promovida pela Embrapa Soja, nos dias 10 e 11 de junho, em Londrina (PR).

Mendes afirma que entre os principais indicadores utilizados para avaliar a agricultura regenerativa estão a atividade microbiológica, a análise de enzimas produzidas por microrganismos e estudos avançados sobre o sequenciamento do microbioma do solo, capaz de revelar mudanças na diversidade microbiana ao longo do tempo. “A regeneração vai além de indicadores isolados e deve ser observada na capacidade do sistema agrícola responder aos desafios do ambiente”, diz. “Essa agricultura apresenta maior resiliência aos estresses bióticos e abióticos, como ataques de doenças e períodos de seca. Nesse contexto, solos mais saudáveis contribuem para a estabilidade dos sistemas de produção”, diz.

Outro tema abordado é o avanço dos bioinsumos na agricultura brasileira. “A substituição dos defensivos químicos ainda é um desafio, mas considero os bioinsumos uma oportunidade para reduzir a dependência dos químicos”, avalia Mendes. De acordo com o pesquisador, a transição para sistemas menos dependentes de defensivos químicos deve começar pela recuperação do solo e pela reconstrução da biodiversidade microbiana. “Entre os benefícios observados na agricultura regenerativa estão a redução dos custos de produção e o aumento da resistência das lavouras a condições adversas”, diz. “Em períodos de estiagem, por exemplo, propriedades que adotam práticas regenerativas tendem a apresentar menor impacto produtivo em comparação aos sistemas mais convencionais”, pontua.

Segundo ele, os avanços científicos permitiram compreender melhor como comunidades complexas de microrganismos interagem com as plantas e influenciam o desempenho das lavouras. “Esse conhecimento abre novas perspectivas para a construção de sistemas agrícolas mais produtivos, resilientes e sustentáveis, capazes de atender às demandas futuras da agricultura brasileira”, diz.

Projeto Regenera Cerrado

Durante o evento, também foi apresentado o Projeto Regenera Cerrado que reúne produtores rurais e pesquisadores de algumas das principais instituições de pesquisa do Brasil com o objetivo de monitorar e validar práticas de agricultura regenerativa já adotadas por agricultores do sudoeste de Goiás. Para Priscila Terrazan, do Instituto Biosistêmico, a iniciativa busca avaliar, em condições reais de campo, se essas práticas são economicamente viáveis e capazes de gerar benefícios para a produção agrícola. “A partir dos resultados obtidos, o projeto pretende disseminar conhecimentos e incentivar a adoção dessas estratégias por produtores de diferentes regiões do país”, defende.

Priscila diz que os primeiros três anos de monitoramento permitiram avaliar os impactos econômicos da agricultura regenerativa. “Em propriedades familiares de até 400 hectares, os resultados apontam ganhos em comparação aos sistemas convencionais”, calcula. “A expectativa é que os próximos anos de pesquisa permitam compreender melhor esses sistemas e aprimorar sua eficiência econômica”, diz Priscila.

Na sua avaliação, um dos diferenciais do Regenera Cerrado é a integração entre ciência e prática agrícola. “Nesse modelo, o agricultor deixa de ser apenas receptor de tecnologia e passa a atuar como protagonista na construção do conhecimento”, ressalta.

Agricultura regenerativa na prática

Durante evento do setor, o produtor rural Erik Van Den Broek, da Fazenda Tropical, em Rio Verde (GO), apresentou a experiência de mais de dez anos da propriedade com esse modelo de produção. Atualmente, a fazenda cultiva cerca de 4 mil hectares de grãos por ano, com foco principalmente em soja e milho, além de integrar atividades de pecuária, hortaliças e piscicultura.

Segundo Broek, a agricultura regenerativa busca promover o equilíbrio do sistema produtivo por meio de práticas como o uso de biológicos, a produção de compostos orgânicos na própria fazenda e o manejo sustentável do solo e das plantas. “O modelo não elimina o uso de defensivos químicos, mas prioriza a tomada de decisão baseada em monitoramento constante, análise de campo e critérios técnicos que permitam reduzir impactos ambientais sem comprometer a produtividade”, destaca.

Broek afirma que a agricultura regenerativa exige uma nova forma de pensar o manejo das lavouras, abandonando práticas baseadas em aplicações preventivas e adotando decisões fundamentadas na observação dos processos naturais. “O objetivo é encontrar um ponto de equilíbrio em que não haja prejuízo econômico, ao mesmo tempo em que se preserva a biologia do solo e a sustentabilidade da produção”, diz. (Assessoria de Imprensa Embrapa Soja)

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