Sistema Ocepar lança Programa de Desenvolvimento em Gestão Humanizada e Bem-Estar Organizacional
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Têm início, em junho, duas trilhas do Programa de Desenvolvimento em Gestão Humanizada e Bem-Estar Organizacional, lançado na tarde de sexta-feira (15/05), durante live promovida pelo Sistema Ocepar, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Paraná (Sescoop/PR), com a participação de mais de 40 profissionais da área de RH das cooperativas paranaenses. A iniciativa conta com a parceria da FAE Business School.
O professor da FAE, Edgar Pereira Júnior, apresentou a formação que, segundo ele, foi desenvolvida para além do cumprimento de leis, como a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece diretrizes gerais de saúde e segurança no trabalho, exigindo que as organizações incluam em suas ações o gerenciamento dos riscos psicossociais e cuja aplicação começa a ser fiscalizada agora no mês de maio.
“É um treinamento que tem uma perspectiva de prevenção e promoção da saúde mental no ambiente de trabalho. Nesse contexto, a NR-1 é apenas o ponto de partida e não é vista somente como cumprimento de uma obrigatoriedade, mas como uma ferramenta de gestão. Nossa proposta é capacitar pessoas para que elas tenham condições de identificar sinais de sofrimento nos trabalhadores e criar canais de escuta. E, a partir disso, as cooperativas possam ajustar processos de gestão, comunicação, entre outros, monitorar clima e indicadores de forma geral, e, assim, realizem ações contínuas, estratégicas e estruturadas. As duas trilhas têm uma perspectiva preventiva muito forte. Aliado a isso, a proposta é que essa ferramenta também seja utilizada como um elemento promotor de saúde, no sentido de transformar o trabalho em um local de qualidade de vida e de bem-estar”, afirmou o professor.
Saúde mental
Em sua apresentação, Edgar compartilhou números relevantes em relação à saúde mental, como os divulgados no relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2022, mostrando que há 1 bilhão de pessoas vivendo com algum tipo de sofrimento mental, o que corresponde a aproximadamente uma em cada oito pessoas no mundo. A OMS e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimam que 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos por ano devido à depressão e ansiedade, a um custo de um trilhão de dólares à economia global. No Brasil, foram registrados mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025, número recorde pela segunda vez em 10 anos. Ele ressaltou que a quantidade de benefícios concedidos pelo governo federal por afastamento causado temporariamente pelo burnout aumentou cinco vezes em dois anos, passando de 1.755 para 7.595 nesse período. A Síndrome de Burnout é um distúrbio emocional relacionado ao estresse frequente no ambiente de trabalho, reconhecida oficialmente como doença ocupacional pela OMS em 2022.
Riscos psicossociais
Ele lembrou ainda que os riscos psicossociais integram um conjunto de fatores ligados à organização do trabalho (ritmo, volume, metas e papéis), relações e liderança (suporte, reconhecimento e confiança), controle e autonomia (nível de participação e flexibilidade), insegurança laboral (instabilidade, rotatividade e medo), assédio e violência (moral, sexual e relacional) e cultura organizacional (valores, clima e práticas de gestão).
“Norma mãe”
Edgar também ressaltou que a NR-1 é conhecida com a “norma mãe”, pois trata de disposições gerais e requisitos para gerenciar e prevenir os riscos ocupacionais e melhorar a segurança e a saúde no trabalho. “As últimas revisões realizadas na norma sinalizam para a transição de exigências de postura reativa para uma gestão ativa e integrada de riscos”, salientou. O texto atual foi publicado na Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego nº 1.419, de 27 de agosto de 2024, e entrou em vigência em caráter educativo no dia 26 de maio de 2025, com as sanções devendo ser aplicadas a partir de 26 de maio deste ano, incluindo os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Ambiente saudável
“Esse é um tema muito importante e queremos promover, de fato, um ambiente saudável para as cooperativas. As trilhas do Programa são enxutas, mas a ideia é que, a partir do conteúdo construído com a FAE, a cooperativa tenha condições de caminhar para algo mais personalizado, de acordo com sua necessidade mais específica. Trata-se de uma iniciativa piloto. Após a realização das duas turmas, vamos avaliar e pensar nos próximos movimentos. Nós nos colocamos muito à disposição para trazer uma formação que seja aderente às demandas das cooperativas”, esclareceu a coordenadora de Desenvolvimento Profissional do Sescoop/PR, Ketlyn Zipperer Mali.
Trilha 1
A primeira trilha - Programa Organizacional e NR-1 - será realizada entre os dias 3 e 24 de junho, sempre às quartas-feiras, das 14h às 17h, em formato online, via Google Meet. A palestra de encerramento ocorre dia 3 de julho, às 14h.
Ela é dividida em quatro módulos, com carga horária total de 12 horas: A base legal e organizacional da cultura do cuidado (3h); Limites éticos, atuação da liderança e prevenção de passivos (3h); Monitoramento, comunicação e protocolos instrumentais (3h) e Workshop de Boas Práticas (3h).
Um dos objetivos desse treinamento é que, ao final, os participantes estejam preparados a elaborar protocolos, como manuais, que orientem as cooperativas a agir em determinadas situações ligadas ao gerenciamento dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
Trilha 2
Já a segunda trilha – Agente do Cuidado e Saúde Mental – será realizada de 2 a 30 de junho, sempre às terças-feiras, das 14h às 17h, em formato online, via Google Meet. A palestra de encerramento ocorre dia 3 de julho, às 14h.
Ela é dividida em cinco módulos, totalizando 15 horas de formação: Fundamentos do cuidado, ética e o papel do Agente de Apoio (3h); Empatia estratégica e comunicação para o acolhimento (3h); Fatores externos e inclusão: ampliando o olhar sobre a saúde mental (3h) e Dramatização – cultura do bem-estar (3h).
Para participar dessa trilha, a cooperativa deverá selecionar profissionais que possuam características específicas para atuar como Agente do Cuidado, entre elas, saber ouvir, ter empatia e transmitir confiabilidade, pois caberá a ele fornecer suporte ao trabalhador que se encontra em dificuldades e construir bons elos de relacionamento na cooperativa.
Inscrições e informações
Estão sendo ofertadas 40 vagas para cada trilha de conhecimento. As inscrições devem ser efetuadas pelo Agente de Desenvolvimento Humano da cooperativa.
Mais informações podem ser obtidas com Maria Fernanda Reis (