Sinditrigo-PR reúne setor e amplia debate sobre desafios da produção e da moagem de trigo no Estado
A 9ª edição do Café Moageiro reuniu cerca de 250 participantes na terça-feira (11/08), em Londrina (PR), para discutir o cenário da safra de trigo, os desafios do abastecimento e as condições de produção e moagem no Paraná. Promovido pelo Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR), o evento recebeu representantes de moinhos de diferentes regiões do Estado, cooperativas, entidades e especialistas.
A participação expressiva confirmou a relevância do encontro para a indústria moageira e a disposição do setor em acompanhar as transformações do mercado e discutir alternativas para os próximos ciclos.
A presidente do Sinditrigo-PR, Paloma Venturelli, destaca que o Paraná concentra o maior polo moageiro do Brasil e responde por cerca de 30% da produção nacional de farinha de trigo. “O Sinditrigo tem um papel fundamental ao atuar como representante dessa indústria”, ressalta.
Para Venturelli, a realização do Café Moageiro neste período do ano é especialmente importante, porque antecede o início da colheita do trigo no Paraná. “O Café Moageiro é realizado em um momento estratégico para a indústria. A proximidade da colheita exige atenção às condições da safra, à oferta de trigo e aos fatores que podem afetar o abastecimento nos próximos meses. Reunir diferentes perspectivas ajuda o setor a compreender melhor esse cenário e a se preparar para as decisões que terá pela frente”, afirma.
A abertura institucional contou com a participação do presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Daniel Kümmel. Em sua apresentação, ele compartilhou dados da última pesquisa realizada pela entidade, em 2025, e destacou as oportunidades existentes para a indústria.
Segundo Kümmel, os moinhos brasileiros contam com parques industriais atualizados e preparados para responder às demandas do mercado. A estrutura instalada representa uma base importante para que o setor avance, mesmo diante de um ambiente marcado por mudanças na oferta de trigo, custos elevados e maior necessidade de eficiência.
Cenário internacional e perspectivas para a safra
O analista de mercado de trigo da Safras & Mercado, Élcio Bento, apresentou uma leitura ampla dos fatores que influenciam o mercado nacional. A análise começou pelo cenário global, com destaque para as bolsas norte-americanas, que ajudam a formar as expectativas internacionais para o trigo.
Na sequência, Bento abordou a produção e a atuação da Rússia, atualmente o maior exportador mundial do cereal, além das condições de oferta da Argentina e do Paraguai, países que têm papel relevante no abastecimento brasileiro. A apresentação terminou com uma análise do cenário nacional e dos impactos das condições externas sobre a cadeia do trigo no Brasil.
As projeções apresentadas apontam para uma produção brasileira próxima de 6 milhões de toneladas, caso as condições da safra evoluam dentro do esperado. A redução da oferta amplia as preocupações do setor e reforça a necessidade de discutir medidas que contribuam para a permanência do trigo nos campos e para a segurança do abastecimento.
O possível avanço do fenômeno El Niño também foi apontado como um fator de preocupação para a safra. A ocorrência de chuvas no período da colheita pode afetar a qualidade do trigo e aumentar os riscos para produtores, cooperativas e indústria.
Trigo precisa voltar a ser uma cultura estratégica
O painel das cooperativas reuniu Jeferson Caus, da Agrária; Henrique Degraf, da Frísia; Vilson Noetzld, da Cotriguaçu; Rogério Trannin de Mello, da Coamo; e Haroldo José Polizel, da Integrada. A mediação foi conduzida por Flávio Turra, gerente de Desenvolvimento Técnico da Ocepar.
Os participantes apresentaram percepções de diferentes regiões do Paraná e destacaram os principais desafios enfrentados pelos produtores. Entre eles estão o alto custo de produção, o risco climático, o endividamento, a redução do investimento em tecnologia e o baixo retorno econômico da cultura.
O painel também mostrou que o trigo vem disputando espaço com outras culturas, como a cevada. Nos Campos Gerais, por exemplo, a cevada já ocupa parte significativa da área anteriormente destinada ao trigo e apresenta maior rentabilidade em determinadas condições de mercado.
A avaliação dos representantes das cooperativas é que o trigo possui viabilidade técnica, mas enfrenta dificuldades para alcançar viabilidade econômica na propriedade. Com custos elevados, riscos relevantes e retorno limitado, o produtor passa a questionar a permanência da cultura no planejamento das próximas safras.
Para os participantes, é necessário criar condições que tornem o trigo mais atrativo para o produtor. Entre os caminhos apontados estão a retomada de políticas de incentivo, a ampliação da liquidez, a valorização do trigo como cultura estratégica e a adoção de medidas que considerem a sustentabilidade econômica e ambiental da atividade.
Diante desse cenário, o debate reforçou a necessidade de uma atuação coordenada entre os diferentes elos da cadeia. A produção de trigo envolve decisões tomadas antes do plantio e está sujeita a variáveis climáticas, econômicas e de mercado que exigem planejamento e capacidade de resposta.
Coprodutos e reforma tributária
A programação também contou com a palestra do advogado Victor Rocha, que abordou a reforma tributária e seus possíveis impactos sobre a indústria moageira. A discussão tratou das mudanças no sistema de tributos e da necessidade de os moinhos acompanharem o processo para avaliar efeitos sobre custos, operações e competitividade.
O evento também trouxe a pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Terezinha Bertol, que falou sobre o aproveitamento de coprodutos da indústria, com destaque para o DDG e o farelo e suas diferenças comerciais. (Assessoria de Imprensa Sinditrigo-PR)