Preços da indústria caem 0,25% em fevereiro, sob forte impacto dos preços de alimentos
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FOTO: FreepikOs preços da indústria nacional variaram -0,25% em fevereiro frente a janeiro (0,32%), influenciados principalmente pelo setor de alimentos, que registrou variação de -0,87%, impactando o resultado geral em -0,21 p.p... Após duas taxas positivas consecutivas, fevereiro volta a apresentar variação negativa. No acumulado do ano, a variação ficou em 0,07%. Já nos últimos 12 meses, o Índice apresentou queda de -4,47%. Em fevereiro de 2025, a variação mensal havia sido de -0,12%.
As informações são do Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação, divulgadas nesta terça-feira (31/03) pelo IBGE. A pesquisa mede os preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes, e abrange as grandes categorias econômicas.
Um total de 13 das 24 atividades industriais investigadas na pesquisa apresentaram variações negativas de preço ante o mês imediatamente anterior. Em janeiro, 10 atividades haviam apresentado menores preços médios em relação ao mês anterior. As quatro variações mais intensas foram: máquinas, aparelhos e materiais elétricos (1,73%); perfumaria, sabões e produtos de limpeza (1,44%); metalurgia (1,41%); e vestuário (1,32%).
O setor de Alimentos, que é o de maior peso no IPP, representando, atualmente, cerca de 24% da pesquisa, teve destaque no indicador mensal, com uma variação de -0,87% na passagem de janeiro para fevereiro, o décimo seguido no campo negativo. No acumulado no ano, a variação é de -1,12%. A acumulada em 12 meses, -10,00%, é mais intensa que a de janeiro, -9,92%.
O setor mereceu destaque por figurar como a terceira maior variação, em módulo, na perspectiva do M/M-12 e por ser a principal influência tanto na comparação mensal (-0,21 p.p., em -0,25%) quanto anual (-2,53 p.p., em -4,47%) e a segunda no acumulado no ano (-0,27 p.p., em 0,07%).
De acordo com Alexandre Brandão, gerente de Análise, Metodologia e Planejamento, a maior influência dos alimentos pode ser explicada em grande parte pela queda no preço dos açúcares.
“No caso dos alimentos, os açúcares foram os principais responsáveis pela queda. Esse movimento reflete tanto a redução dos preços no mercado internacional quanto a intensificação de promoções e descontos por parte das empresas no período, indicando um ambiente de maior negociação e aproveitamento de oportunidades de mercado”, disse o gerente.
Metalurgia foi responsável por 0,10 ponto percentual (p.p.) de influência na variação de 0,25% da indústria geral. Ainda neste quesito, outras atividades que também sobressaíram foram veículos automotores (-0,05 p.p.) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (0,05 p.p.).
“No setor de metalurgia, destacou-se o aumento de preços, sobretudo entre os metais não ferrosos, com ênfase no ouro, que apresentou o maior impacto nessa elevação. Já no segmento de material elétrico, o comportamento foi influenciado principalmente pela alta do cobre, cuja valorização vem se prolongando ao longo do tempo. Nesses casos, os resultados estão associados, sobretudo, a pressões de custo, no caso do material elétrico, e à forte demanda internacional por commodities, no caso da metalurgia”, completou o especialista.
Pela perspectiva das grandes categorias econômicas, o resultado de fevereiro registrou -1,29% de variação em bens de capital (BK); -0,25% em bens intermediários (BI); e -0,03% em bens de consumo (BC), sendo que a variação observada nos bens de consumo duráveis (BCD) foi de -0,15%%, ao passo que nos bens de consumo semiduráveis e não duráveis (BCND) foi de -0,01%.
A principal influência dentre as Grandes Categorias Econômicas foi exercida por foi exercida por bens intermediários, cujo peso na composição do índice geral foi de 53,77% e respondeu por -0,13 p.p. da variação de -0,25% nas indústrias extrativas e de transformação.
Completam a lista, bens de capital, com influência de -0,10 p.p. e bens de consumo com -0,01 p.p.. No caso de bens de consumo, a influência observada em fevereiro se divide em -0,01 p.p., que se deveu à variação nos preços de bens de consumo duráveis, e 0,00 p.p. associada à variação de bens de consumo semiduráveis e não duráveis.
Saiba mais sobre o IPP
O IPP acompanha a mudança média dos preços de venda recebidos pelos produtores domésticos de bens e serviços, e sua evolução ao longo do tempo, sinalizando as tendências inflacionárias de curto prazo no país. Trata-se de um indicador essencial para o acompanhamento macroeconômico e um valioso instrumento analítico para tomadores de decisão, públicos ou privados.
A pesquisa investiga, em pouco mais de 2.100 empresas, os preços recebidos pelo produtor, isentos de impostos, tarifas e fretes, definidos segundo as práticas comerciais mais usuais. Cerca de 6 mil preços são coletados mensalmente. As tabelas completas do IPP estão disponíveis no Sidra. A próxima divulgação do IPP, referente a fevereiro, será em 31 de março. (Agência IBGE de Notícias)