Plano Safra não tratou de dívidas rurais, o que é preocupante, alerta Ocepar
FOTO: Gilson Abreu / Arquivo AENO Plano Safra 2026/2027, anunciado nessa terça-feira (30/06) pelo governo federal, foi bastante positivo para a agricultura familiar, com redução nas taxas de juros e aumento no volume de recursos. Mas, para a agricultura empresarial – médios e grandes produtores – há vários pontos de atenção. A análise é da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Em linhas gerais, somados os recursos do Plano Safra 2026/2027 destinado à agricultura empresarial e à agricultura familiar, o montante é de R$ 610,3 bilhões, o que representa 2,7% a mais em comparação ao Plano Safra 2025/2026. E, na média, as taxas de juros caíram entre 0,5 e 1,5 ponto percentual.
Dívidas rurais
Uma das principais preocupações do setor cooperativista diz respeito à falta de definição de um tema urgente e delicado: as dívidas dos produtores rurais. Sem solucionar a situação de inadimplência, o agricultor terá muita dificuldade para acessar crédito para financiar a nova safra, avalia o Sistema Ocepar.
“A não inclusão de políticas públicas para a renegociação de dívidas e, também, o não estabelecimento de políticas para o seguro rural são questões que preocupam”, observa Flávio Turra, gerente de Desenvolvimento Técnico da organização paranaense, que representou a instituição no lançamento do Plano, em Brasília, ao lado da presidente executiva do Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tania Zanella. A OCB e a Ocepar defendem que a renegociação das dívidas seja feita por meio do estabelecimento de uma legislação própria para tema.
Outro ponto de atenção do Plano Safra destinado à agricultura empresarial, na avaliação da Ocepar, é a redução do montante de recursos com taxas de juros equalizadas, que passou de R$ 113,8 bilhões (no ciclo passado) para R$ 97 bilhões (no ciclo atual).
Pronaf
“Preocupa também a manutenção do enquadramento dos cooperados pronafianos. Pelo Plano Safra, apenas as cooperativas que têm pelo menos 75% de seus cooperados enquadrados no Programa Nacional de Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) poderão acessar os recursos desse programa como pessoas jurídicas. Nosso pleito era para que esse percentual fosse reduzido para 60% para dar mais abrangência à iniciativa”, informa Turra. Segundo ele, se fossem válidos os 60%, cerca de 18 cooperativas filiadas à Ocepar teriam acesso ao Pronaf, mas com a exigência do percentual de 75%, não passam de cinco as cooperativas que serão beneficiadas pelo programa, que garante juros equalizados.
Confira a íntegra da análise da Ocepar sobre o Plano Safra 2026/2027