Plano Safra 2026/2027 destina R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial
A agricultura empresarial terá R$ 525,1 bilhões para o financiamento da safra 2026/2027. O anúncio foi feito pelo governo federal na manhã desta terça-feira (30/06), em Brasília. O gerente de Desenvolvimento Técnico da Ocepar, Flávio Turra, acompanhou o lançamento, juntamente com a presidente-executiva Tania Zanella e com o coordenador técnico do ramo agropecuário, João Pietro, do Sistema OCB. O montante divulgado hoje é destinado a médios e grandes produtores. O valor é 1,7% maior que o repassado na safra anterior, superando em R$ 9 bilhões o volume de recursos da safra passada, que foi de R$ 516,2 bilhões. Os recursos destinados à agricultura familiar, para financiar pequenos agricultores, serão anunciados às 17 horas desta terça-feira pelo governo federal.
Do total anunciado para a agricultura empresarial, R$ 384,9 bilhões são destinados a custeio e comercialização e R$ 140,2 bilhões para investimento. As taxas de juros para o custeio foram reduzidas de 14% para 12,5% para grandes produtores e de 10% para 9% para os médios produtores.
Pontos de destaque
Na avaliação da Ocepar, os destaques positivos do Plano Safra são o aumento no volume de recursos, em 1,7%; a redução de das taxas de juros entre de 0,5 a 1,5 pontos percentuais; a redução de 1,5 pontos percentuais na linha Prodecoop/Procap Agro; o aumento de 17% no volume de recursos do Pronamp, passando de R$ 6,4 para R$ 7,5 bilhões; a equalização das taxa de juros, com aumento do volume de recursos para a equalização da taxa de juros, passando de R$ 3,9 bilhões para R$ 5,6 bilhões; o desconto de 0,5 pontos percentuais para produtores que têm o Cadastro Ambiental Rural (CAR) em situação regular; e o desconto de outros 0,5 pontos percentuais para aqueles que adotarem práticas agropecuárias sustentáveis.
Pontos de atenção
A análise da Ocepar destaca também os pontos de atenção do novo Plano Safra: a elevada participação de recursos com taxas de juros livres para atendimento dos demais produtores e cooperativas; a redução do volume de recursos (R$ 30 bilhões) para custeio e comercialização; a redução do volume de recursos para investimentos direcionadas para cooperativas; a manutenção do limite de renda bruta anual (R$ 3,5 milhões) para enquadramento de agricultores no Pronamp; a falta de informações sobre as renegociações das dívidas dos produtores rurais e recursos para Subvenção ao Prêmio de Seguro Rural.
Oportunidade
A cerimônia de anúncio do Plano Safra teve a presença do presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin. “O plano traz aumento de valor, com crescimento recorde e juros mais baixos. Esse era o objetivo”, destacou. Ele acrescentou que a redução nas taxas de juros do Plano Safra foi mais expressiva do que a queda na taxa Selic. Alckmin frisou a evolução do agro brasileiro que, no ano passado, teve um crescimento de 11,7% no PIB.
O presidente em exercício falou ainda sobre a agenda que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,cumpre no Paraguai. “O presidente Lula foi ao Paraguai para a reunião do Mercosul, que vai discutir as cotas dos quatro países [Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai] para as exportações ao Mercado Comum Europeu e vai autorizar a abertura das negociações para o acordo comercial do Mercosul com o Japão, um grande parceiro comercial do Brasil. Esse acordo do Mercosul com o Japão pode abrir muitas oportunidades para o cooperativismo e todo o agro na venda de produtos para o Japão e, numa reciprocidade, comprar produtos deles”, pontuou Alckmin.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também destacou os esforços do governo federal em renovar o Plano Safra. “Esse momento, quando se renova essa importante política pública, reforça a importância do agronegócio para o nosso país, especialmente na configuração do PIB do nosso país”, disse. “Temos a real noção de que precisamos sempre levar em consideração o que deve ser priorizado como política pública para o país, demonstrando a preocupação do governo em olhar para o agro como um todo, reconhecendo a importância que cumpre para o país. A agenda de convergência para fortalecer o agro na câmara federal nunca não faltou e quero aqui renovar o compromisso de deixar a casa sempre de portas abertas”, frisou.
O ministro o da Agricultura e Pecuária, André de Paula, falou que, ao anunciar o Plano, o governo federal reafirma o compromisso com quem produz. “A dimensão do Brasil representa um desafio grande. País grande demanda política agrícola”, declarou, frisando que o novo plano não cresce só em volume , mas em taxas melhores.
Dívidas rurais
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou a importância do agronegócio. “Quando a gente olha para os últimos anos, percebe que o nosso agronegócio como um todo vai bem e tem dado safras recordes. No ano passado tivemos resultados muito expressivos e segue crescendo em 2026. A cadeia do agronegócio representa mais de 25% do PIB nacional e é muito importante que esse setor tenha a estabilidade de um plano safra, que tenha esse compromisso do governo em debater temas como renegociação de dívidas rurais e o seguro rural. O diálogo com a equipe econômica tem sido intensa. Nos próximos dias vamos apresentar proposta ao Congresso Nacional tratando das negociações das dívidas rurais para que possamos seguir com quebras de recorde de produção”, informou.
Setor produtivo
Na cerimônia, falou em nome das entidades do setor produtivo o diretor de Relações Corporativas da Inpasa Brasil, maior biorrefinaria de etanol de grãos da América Latina, Guilherme Nolasko. “O Plano Safra é mais do que crédito, é confiança em quem planta e produz. Ao apoiar o produtor, o Brasil apoia uma cadeia inteira de negócios”, declarou. Nolasko destacou a relação da trajetória crescente da produção à ciência, reconhecendo o papel da empresa pública de pesquisa agropecuária, a Embrapa que viabilizou a agricultura tropical.
El Niño
Durante a cerimônia foi assinada portaria que cria um grupo de trabalho para atuar sobre os impactos do El Niño sobre a agricultura. O grupo de trabalho, composto pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, Instituto Nacional de Meteorologia e Embrapa, será dedicado a estudar os impactos do fenômeno climática, identificando regiões e cadeias produtivas mais vulneráveis, bem como propor política de mitigação ao produtor rural.
FOTOS: Marcelo Camargo (Agência Brasil) / Pércio Campos (Mapa) / Divulgação