Perdas e ganhos na agricultura com a queda do dólar
Agricultura - Para os produtores rurais a queda do câmbio prejudica os preços dos produtos de exportação e, paralelamente, isso torna as importações de alguns produtos, como é o caso do trigo, mais barato, podendo interferir no mercado interno deprimindo assim os preços. "Do lado dos insumos a expectativa de queda de preços ainda não se verificou. Acredita-se que caso o câmbio baixo se mantenha, os preços dos insumos, que utilizam matéria-prima importada em sua composição, poderão recuar. No entanto, para o produtor rural, exportador ou não, o saldo desta conta, mesmo com a possível queda do preço dos insumos deverá ser negativa", lembra Turra.
Desvalorização - Apenas para relembrar, o câmbio de hoje, que atinge o nível de R$ 3,00, se deflacionado para janeiro de 1999, pelo IGPM do período, alcança R$ 1,546, próximo a média da cotação do dólar de janeiro de 1999 que foi de R$ 1,5264, em cuja oportunidade ocorreu a desvalorização do real. As conseqüências da defasagem do câmbio na época podem ser verificadas no desempenho da balança comercial ocorrido no ano de 1998 que apresentou os seguintes números: Saldo da balança comercial negativo em US$ 6,57 bilhões e saldo da balança do agronegócio de US$ 13,47 bilhões positivos. Já no ano de 2002 a balança comercial teve um saldo positivo de US$ 13,12 bilhões e o agronegócio contribuiu com um superávit de US$ 20,35 bilhões.
Variáveis - "É bom lembrarmos que os efeitos da variação
da taxa de câmbio não são imediatos e também dependem
de diversas variáveis, mas é oportuno começar a acompanhar
a questão para não sermos pegos de surpresa. Por outro lado, os
efeitos da queda na taxa de câmbio podem apresentar aspectos positivos",
salienta o técnico da Ocepar. Diante deste cenário traçado,
a gerência técnica preparou, de forma resumida, as principais conseqüências
da redução da taxa de câmbio sobre a economia como um todo
e sobre os diferentes agentes econômicos.
a) Perdas
Exportadores - A queda na taxa de câmbio torna os produtos brasileiros
mais caros no mercado externo. Para manter os preços anteriores em dólares
os exportadores receberão menos pelos seus produtos e em algumas situações
poderá ser obrigado a deixar de exportar. Tendência de redução
das exportações.
Turismo interno - Uma taxa de câmbio mais baixa pode estimular novamente
a vinda de turistas estrangeiros ao Brasil.
Produtores agropecuários - Devido às cotações internacionais
dos produtos agrícolas serem dolarizadas, uma menor taxa de câmbio
implica na redução dos ganhos para os agricultores.
b) Ganhos
Inflação - Em função da redução dos
custos das matérias-primas importadas a tendência é de que
as empresas não aumentem os preços internos. As empresas que perderem
competitividade no mercado externo redirecionarão seus produtos ao mercado
interno aumentando a oferta com possibilidade de redução de preços.
Importadores - O custo dos produtos importados diminui, favorecendo a competitividade
dos produtos vindos de outros países.
Empresas com dívidas em dólares - As dívidas dessas empresas
diminui em reais.
Viagens ao exterior - Fica mais barato aos brasileiros viajarem ao exterior.
Dívida externa - Diminui a dívida externa em reais.