Ministério da Fazenda mantém projeção de crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto para 2026

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fazenda 20 05 2026O Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026, mesmo em um ambiente internacional mais pressionado pela alta do petróleo e pelas tensões no Oriente Médio. Os dados constam no Boletim Macrofiscal de maio, apresentado na segunda-feira (18/05) pela Secretaria de Política Econômica (SPE), em coletiva de imprensa realizada no Auditório do Tesouro Nacional, em Brasília.

Participaram da coletiva a secretária de Política Econômica, Débora Freire, o subsecretário de Política Fiscal, Rodrigo Toneto, e o subsecretário de Política Macroeconômica, Rafael Leão.

Segundo a SPE, o conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz alteraram o ambiente macroeconômico global, com impacto sobre inflação, juros e perspectivas de crescimento em diferentes países.

“Esse boletim marca o nosso diagnóstico mais amplo nesse momento de choque relevante de oferta. É o primeiro boletim que traz a visão da SPE, o diagnóstico e a resposta de política econômica que tem sido tomada para fazer frente a esse choque”, explicou Débora Freire. 

Atividade econômica

Apesar da desaceleração prevista para a economia global, a avaliação da SPE é de que a atividade econômica brasileira segue sustentada pelo desempenho dos serviços, da indústria e do mercado de trabalho.

“O mercado revisou o PIB para cima em 2026. A mediana do Focus subiu para 2026 de 1,8% para 1,9%, incorporando o impacto positivo da valorização do petróleo sobre a indústria extrativa e os termos de troca”, disse a secretária.

O boletim também destaca fatores que colocam o Brasil em posição mais favorável diante do atual contexto internacional. Entre eles, a condição de exportador líquido de petróleo e a elevada participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira.

“Diferentemente da zona do euro, nós temos uma matriz bem concentrada em renováveis. Cinquenta por cento da nossa matriz é de energia renovável”, afirmou Débora Freire.

Ao apresentar as projeções para atividade econômica, Rafael Leão afirmou que os efeitos da política monetária restritiva ainda influenciam a economia, embora alguns indicadores apontem continuidade do crescimento ao longo do ano.

“O que observamos é que a política monetária segue como um vetor de contenção da atividade. Esse efeito contracionista é parcialmente compensado pela alta do petróleo, via impacto direto sobre a indústria extrativa e a melhora também dos termos de troca e saldo da balança comercial”, observou.

No mercado de trabalho, a avaliação é de manutenção da atividade econômica, com taxa de desocupação em níveis historicamente baixos. “O mercado de trabalho permanece robusto, mas se vê alguma dinâmica da renda começando a demonstrar uma certa acomodação”, avaliou Rafael Leão. 

Inflação e cenário internacional

O Boletim Macrofiscal revisou a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026, de 3,7% para 4,5%. Segundo a SPE, a mudança reflete principalmente os efeitos da alta do petróleo sobre combustíveis, fretes e custos de produção.

A equipe econômica avalia, porém, que parte dessa pressão deve ser compensada pela valorização do real, pela política monetária e pelas medidas adotadas pelo Governo Federal.

Na coletiva, a SPE destacou que o conflito entre Estados Unidos e Irã elevou as incertezas globais e interrompeu o processo de desaceleração da inflação observado em diferentes regiões desde 2022. “O conflito no Oriente Médio reconfigurou o ambiente macroeconômico global. Temos agora menor crescimento combinado com maior inflação de forma simétrica entre os países”, explicou Débora Freire. 

Expectativas fiscais melhoram

Durante a apresentação, Rodrigo Toneto destacou a melhora gradual das expectativas de mercado para o resultado primário e para a trajetória da dívida pública.

Segundo ele, as projeções vêm convergindo para os parâmetros fiscais apresentados pelo governo. “Há um entendimento por parte dos atores do mercado, conforme capturado pelo Prisma Fiscal, que a nossa política fiscal está convergindo com os resultados que ela mesma se propõe”, afirmou o subsecretário.

Toneto também reforçou que as medidas adotadas pelo Governo Federal para reduzir os impactos da alta internacional do petróleo mantêm como eixo central a responsabilidade fiscal.

“Não houve, em nenhum momento, nenhuma sugestão de mudança de meta, de alteração de resultado, de nada que pudesse incorporar um conflito que, de fato, é exógeno ao Brasil numa mudança da trajetória fiscal”, disse.

Segundo o subsecretário, a posição do Brasil como exportador líquido de petróleo permite ao país reduzir parte dos impactos do choque externo sem comprometer a trajetória fiscal. “As famílias brasileiras não precisam ser vítimas do conflito, uma vez que o Brasil, felizmente, tem condições de absorver parte desse choque com parte das receitas extraordinárias derivadas do aumento do preço do petróleo”, comentou.

Ao final da apresentação, a secretária Débora Freire resumiu os números, reforçando a manutenção da projeção do PIB em 2,3% no ano e o aumento da previsão de IPCA para 4,5% no ano. “A projeção de INPC também subiu para 4,6% no ano. E mantemos a projeção de IGP-DI. Por outro lado, quando avaliamos as expectativas de mercado, o déficit primário segue sendo revisado para baixo no Prisma Fiscal”, acrescentou. (Ministério da Fazenda)

Confira a edição completa do Boletim Macrofiscal do mês de maio

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