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Mercado global do agro é debatido em seminário em Londrina

embrapa II 06 08 2026FOTO: Arthur Santiago / Embrapa A instabilidade geopolítica mundial traz vantagens e riscos para o agronegócio brasileiro, no entanto, o caminho passa pela diversificação de mercados e agregação de valor aos produtos agrícolas, disse Marcelo Morandi, chefe da Assessoria de Relações Internacionais (ARI), da Embrapa, na abertura do VIII Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, iniciado na terça-feira (04/08), na Embrapa Soja, Londrina (PR). “O Brasil tem muitas oportunidades diante do cenário mundial, porque temos terra disponível, água abundante, clima favorável e domínio da tecnologia tropical. O Brasil talvez seja o único país que tem essa capacidade de produzir muito além do que consome”, avalia. 

Para ele, as importações brasileiras serão impactadas pelo plano quinquenal chinês que traz elementos como a redução da dependência na importação de soja, por exemplo. “A estratégia brasileira deve ser a diversificação de mercado e também a agregação de valor ao produto agrícola. Com a China temos a oportunidade de ampliar a relação de vendedor-comprador para sermos parceiros, principalmente em ciência, ou seja, no desenvolvimento e no compartilhamento de conhecimentos gerados”, defende o chefe da ARI. 

Diante das crescentes pressões internacionais, a rastreabilidade e a sustentabilidade deixaram de ser pautas exclusivas da Europa e tornaram-se exigências de vários mercados. Para Morandi, o Brasil tem um conjunto de tecnologias que confere capacidade de produção em alto volume com preservação de baixo carbono e em uma matriz energética renovável. “Para se posicionar no mercado mundial, o alinhamento e o cumprimento rigoroso da legislação ambiental, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), tornam-se indispensáveis para validar as métricas de sustentabilidade e a rastreabilidade da produção brasileira”, destaca.

Apesar do Brasil ter domínio da agricultura tropical, Morandi entende que as mudanças climáticas exigem um novo salto de adaptação para diferentes ambientes e produtos com exigências diferenciadas. “Há a necessidade de desenvolver tecnologias de longo prazo voltadas à adaptação e à resiliência das culturas frente a eventos climáticos extremos, o que exige planejamento contínuo e forte base científica”, disse. Para garantir a competitividade de longo prazo, Morandi defendeu que o país ainda precisa superar gargalos estruturais como a dependência de fertilizantes importados, entraves de logística e armazenamento

Brasil-China

No debate sobre a Agenda Brasil-China para o agronegócio, com a moderação de Alexandre Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja, o ministro Zou Chuanming, da Embaixada da República Popular da China, no Brasi, detalhou a visão da China para o futuro das relações comerciais com o Brasil. Segundo ele, em 2023, o Brasil exportou mais de 100 milhões de toneladas de soja, das quais mais de 70% foram destinadas à China. “A cooperação agrícola sino-brasileira traz benefícios concretos para os dois povos”, diz. 

Por um lado, o ministro disse que o fornecimento constante e estável de produtos agrícolas de alta qualidade do Brasil contribuiu para atender às crescentes necessidades chinesas. “Independentemente das mudanças no cenário internacional, a China precisa de produtos de alta qualidade e em conformidade com os requisitos regulatórios do mercado chinês”, afirma. 

Neste sentido, para aprofundar a cooperação agrícola, Chuanming reforça a necessidade de aprofundar a cooperação bilateral nas áreas de inspeção e quarentena, acesso a mercados e facilitação do comércio, criando um ambiente comercial mais estável, fluido e previsível. “Também pretendemos impulsionar a cooperação ao longo de toda a cadeia produtiva, ampliando a cooperação em investimentos nas áreas de armazenagem e logística, processamento de maior valor agregado e aproveitamento de subprodutos”, explica.

Além disso, o ministro disse ser importante aproveitar as vantagens das instituições de pesquisa dos dois países e  aprofundar em especial os intercâmbios e a cooperação nas áreas de melhoramento genético da soja, agricultura digital, biocombustíveis e prevenção e controle de pragas e doenças.

Visão do mercado

Túlio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) afirma que entre 2005 e 2023, a participação da China nas exportações totais do Brasil subiu de menos de 6% para 28% — superando a soma destinada aos Estados Unidos e União Europeia.  “A China foi o único parceiro comercial do Brasil a ultrapassar os U$ 100 bilhões em exportações em um só ano, uma marca histórica não só no comércio bilateral, mas no comércio exterior brasileiro de forma geral”, diz Cariello.

Atualmente quase 80% de toda a soja que o Brasil exporta vai para a China, uma das maiores participações da história. “O "Efeito China" é composto de um processo de urbanização acelerada e o aumento da classe média, que hoje equivale a cerca de 500 milhões de pessoas (mais do que o dobro da população brasileira), gerando uma demanda muito mais sofisticada por alimentos, avalia Cariello.

De acordo com o diretor da CEBC, até 2035, a China prevê aumentar a produção doméstica, elevando a autossuficiência de 20% para 30%. “Porém, a China continuará dependendo largamente do mercado externo para o suprimento de soja, e o Brasil, por sua competitividade e posição geopolítica, continuará bem posicionado”, defende Cariello.

Segundo ele, os caminhos para o agro brasileiro no mercado chinês dependem de agregar valor às exportações e diversificar mercados de exportação, assim como investir em inovação e eficiência produtiva. “Também precisamos aumentar a produtividade sem expandir a fronteira agrícola, minimizando impactos ambientais. E ainda, fortalecer a rastreabilidade e a sustentabilidade da produção”, entende.

Para André Dobashi, vice-presidente da Aprosoja MS, o Brasil precisa enxergar a China não apenas como um comprador, mas como um parceiro estratégico de longo prazo, mantendo a liderança por meio da tecnologia, credibilidade e sustentabilidade. “Neste sentido, o País precisa evoluir para a exportação de produtos de maior valor agregado, como biocombustíveis, farelos e carnes”, defende.

Dobashi comenta ainda que é preciso enfrentar o chamado "Custo Brasil", abrangendo deficiências em crédito, seguro, infraestrutura de armazenagem, rodovias, ferrovias e portos, que limitam a competitividade. “Essa falta de estrutura nacional de armazenagem força o escoamento imediato da produção, gerando prejuízos em momentos de retração de preços internacionais causados por safras recordes globais”, ressalta. (Assessoria de Imprensa Embrapa Soja)

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