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Fim do ciclo da hiperglobalização traz oportunidades para o Brasil, diz economista

O professor e economista Eduardo Giannetti foi o palestrante da noite dessa quinta-feira (02/07), no Fórum dos Presidentes das Cooperativas do Paraná. O tema foi “Geopolítica e os Impactos Econômicos”. Falando para uma plateia de 200 dirigentes cooperativistas e lideranças políticas, Giannetti destacou o momento atual da economia mundial.

“Estamos vivendo o fim de um longo ciclo na economia mundial, o fim da hiperglobalização, que começou em meados da década de 1980 e segue até os dias de hoje. Esse novo momento traz desafios e oportunidades boas para a economia brasileira, dará para o Brasil a oportunidade de recuperar o dinamismo econômico que perdemos com a hiperglobalização”, disse. “Há muito tempo não vemos ventos soprarem tão favoráveis do mundo para o Brasil”, acrescentou.

O professor explicou que a globalização denota o grau de integração e interdependência na economia mundial e se desdobra em cinco dimensões: comércio internacional, investimento direto estrangeiro,   fluxo internacional de capital, fluxo informacional e fluxo migratório. 

“A hiperglobalização significou a incorporação, em poucas décadas, de centenas de milhões de trabalhadores asiáticos ao mercado global de consumo e de trabalho. Centenas de milhões de trabalhadores rurais migraram para centros urbanos, obtiveram empregos industriais e em serviços. Trabalhadores altamente produtivos e disciplinados dispostos a trabalhar por uma fração do que recebem seus pares nos outros países e as grandes empresas,  buscando rentabilidade, eficiência e produtividade direcionaram seus investimentos para onde estava essa população passando a produzir com custo muito baixo. Em um curto período, a China se tornou responsável por um terço da produção industrial do mundo.

Fim 

O palestrante destacou que esse movimento de hiperglobalização, com a intensidade que ocorreu nesse período, acabou. Ele citou três situações que motivaram o fim dessa era: a crise financeira de 2008 e 2009, com a extrema financeirização, quando o lucro passa a vir da especulação financeira e não mais da produção de bens e serviços; a pandemia de Covid-19, que revelou a extrema dependência externa e a fragilidade que isso representa e o governo de Donald Trump, no Estados  Unidos, que representa a reversão da aposta no multilateralismo, propondo tarifas e intervenção direta na política de outros países. Todo ordenamento do mundo foi desautorizado pela potência econômica, os Estados Unidos, que se sente ameaçados pela potência emergente, que é a China.

Para o palestrante, o fim da hiperglobalização abre uma tremenda oportunidade para o Brasil reconfigurar a sua inserção no mercado internacional. “Temos chance que não se abre há muito tempo de recuperar o nosso dinamismo, somos geopoliticamente resolvidos,  conversamos com as três potencias mundiais – Estados Unidos, China e União Europeia -, temos biodiversidade, temos terras raras, 

O Brasil precisa agora a inteligência de agregar valor, não se limitar a exportação de produtos primários brutos e trazer tecnologias e investimento para que nossas matérias-primas sejam industrializadas aqui, com energias limpas. O Brasil tem condições benéficas para oferecer o que o mundo precisa e fugir da dependência.

Ele advertiu, no entanto, que há questões que precisam ser resolvidas: a educação, com o investimento na formação de capital humano, de mão de obra qualificada. E infraestrutura, precisamos melhorar muito ferrovias, portos, hidrovias e estradas.

O mundo vai precisar do agronegócio brasileiro, da oferta alimentar do Brasil. A primeira coisa que as pessoas fazem quando passam a ganhar mais é comer mais e melhor e não há outro país melhor posicionado que o Brasil para aproveitar isso.

E, um último desafio para o Brasil, na avaliação do economista é o desafio fiscal. “Não precisa ser socialmente regressivo, mas é preciso fazer o ajuste fiscal, que não é uma medida agradável, mas que é preciso ser feito, sob pena de levar o Brasil para uma situação perigosa.

FOTO: Martha Batista

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