Executivos de cooperativas de crédito participam de palestra sobre garantias rurais
Para capacitar as cooperativas de crédito do Paraná na aplicação segura e estratégica de garantias rurais, o Sistema Ocepar promoveu palestra online com especialista, na manhã da última sexta-feira (19/06). A iniciativa faz parte do projeto 6 do Plano Paraná Cooperativo 300 (PRC300, o planejamento estratégico do cooperativismo paranaense. O evento contou com a participação de 50 executivos de cooperativas de crédito do Paraná.
O superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti, agradeceu o interesse dos participantes e reforçou a importância das cooperativas de crédito para o agronegócio paranaense. “Há 40 anos, tínhamos zero financiamento para atividade agropecuária. Hoje, no Brasil, as cooperativas já fazem 35% das operações. No Paraná, acredito que esse percentual chegue a 50%. O modelo das cooperativas de crédito faz a diferença”, frisou.
O economista e analista de Desenvolvimento Técnico da Ocepar, Salatiel Turra, pontuou a necessidade de abordar o assunto da palestra. “Muitos produtores estão com dificuldades de cobrir suas obrigações financeiras e a gente precisa precaver as cooperativas de crédito sobre formas de obter essas garantias”.
Programação
A palestra foi ministrada pelo consultor financeiro Ademiro Vian. O conteúdo trouxe informações relevantes sobre os Impactos da Lei nº 14.711/2023 e os novos procedimentos de execução extrajudicial e busca e apreensão; tratou sobre Penhor vs. Alienação Fiduciária de Grãos; Garantias em Máquinas e Imóveis; e Estratégias de Crédito e Recuperação.
O especialista falou sobre a necessidade de as cooperativas de crédito entenderem com profundidade seus cooperados e o cenário de agronegócio. “No Brasil, os produtores têm uma inadimplência moderada, entre 0,5% e 1,7%. Algumas situações vão minando as finanças do agricultor, como problemas com o clima (seca, chuva, geada), os preços das commodities que despencaram, os cursos de insumos mais elevados (devido à guerra), além das taxas de juros altas (Selic a 14,25%). Todo esse contexto exige profissionais experientes para gerenciar as carteiras dos cooperados”, pontuou.
Foram 10 tópicos abordados durante a palestra: 1) perfil da carteira de crédito dos produtores rurais; 2) perfil dos produtores rurais tomadores de crédito; 3) comportamento dos produtores rurais nas últimas safras; 4) o que deu errado; 5) resultados e consequências; 6) títulos de crédito; 7) garantias; 8) perguntas; 9) monitoramento e fiscalização; 10) temas relevantes que impactam o crédito.
Para mitigar riscos para as cooperativas de crédito, Vian recomendou alguns cuidados aos profissionais. “Para cada modalidade de financiamento ou empréstimo que a cooperativa está concedendo, deve-se estruturar uma matriz de riscos apropriada, ou seja, adequada para aquela modalidade de operação. O risco aumenta quando os empregados ignoram os princípios essenciais do crédito. Pergunte a si mesmo se o crédito considerado é compatível com os objetivos gerais da sua cooperativa. O financiamento ou empréstimo sem qualquer outro benefício institucional, em regra, não atende a este critério”, finalizou.