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Além da produtividade, Brasil precisa agregar valor à soja

O agronegócio brasileiro avançou fortemente em produtividade nas últimas duas décadas, mas o próximo desafio será transformar esse ganho em maior valor para a produção. A avaliação foi apresentada pelo consultor Ismael Menezes, da MD Commodities, durante o XXIII Congresso Brasileiro de Sementes, em Foz do Iguaçu.

Entre 2005 e 2025, a produtividade brasileira cresceu 35%, enquanto o milho avançou 75% e o algodão, 65%, em comparação com os Estados Unidos. Para Menezes, os resultados são consequência da combinação de melhoramento genético, biotecnologia, agricultura de precisão, manejo e gestão.

A evolução, segundo ele, ocorreu em diferentes fases. Primeiro, a expansão da fronteira agrícola e o crescimento da demanda internacional, especialmente da China, impulsionaram a produção. Depois, a tecnologia passou a ocupar espaço maior, com avanços em genética, tratamento industrial de sementes e outras ferramentas de produtividade. Agora, o setor precisa encontrar novas formas de gerar valor.

“Você vai produzir mais sacas ou produzir mais valor?”, provocou Menezes. Para ele, aumentar a produtividade continuará sendo fundamental, mas pode não ser suficiente para sustentar os ganhos de rentabilidade no futuro.

Como exemplo, o consultor citou a soja com alto teor de ácido oleico, que apresenta maior estabilidade do óleo e características nutricionais diferenciadas. Nos Estados Unidos, onde esse mercado está mais desenvolvido, quase 1 milhão de hectares já seriam cultivados com esse tipo de soja, com prêmios de US$ 0,75 a US$ 1,25 por bushel, segundo os dados apresentados.

Menezes alertou, porém, que o Brasil não pode esperar que esses mercados estejam consolidados para então se movimentar. À medida que uma característica se torna comum, o prêmio pode desaparecer. “A gente vai ficar esperando esse mercado acontecer ou vai ser um agente de transformação?”, questionou.

SAF

O combustível sustentável de aviação (SAF) foi citado como outra oportunidade. Com o avanço das metas de utilização desse combustível a partir de 2027, diferentes matérias-primas disputam espaço, entre elas soja, cana-de-açúcar e milho. Na projeção apresentada, o atendimento dessa demanda poderia exigir entre 35 milhões e 37 milhões de toneladas de soja até 2037, caso parte do óleo hoje destinado ao biodiesel fosse direcionada ao SAF.

Safra 2026/27 exige atenção ao mercado

Ao analisar a safra 2026/27, Menezes apontou perspectivas diferentes entre as principais commodities. Arroz, trigo e algodão apresentam fatores de sustentação, enquanto milho e soja exigem maior atenção diante das condições de oferta e demanda.

No trigo, a redução das expectativas de produção em importantes países produtores, como Rússia, Estados Unidos, Argentina e Brasil, tende a diminuir os estoques mundiais e dar sustentação aos preços.

Para o algodão, o cenário é influenciado principalmente pela valorização do petróleo e pelos movimentos dos fundos no mercado. A recuperação das cotações, no entanto, ocorre em um ambiente de demanda ainda desafiadora, o que exige cautela.

No milho, a produção norte-americana deve ficar próxima de 398 milhões de toneladas. A redução dos estoques pode dar suporte às cotações, mas a menor participação da China nas importações e o aumento da oferta de países como Argentina e Brasil limitam esse potencial.

Na soja, o comportamento da safra dos Estados Unidos, da demanda chinesa e da produção dos principais exportadores deve continuar determinando o mercado. Para Menezes, o momento exige atenção às oportunidades de preço, mas sem perder de vista os fundamentos de oferta e demanda. (Assessoria de Imprensa do evento)

FOTOS: Valdecir Gomes e Marcelo Guazzi

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